Beagá, Quarta, 24 de janeiro de 2001 d.C.

O que valeu a pena no Rock in Rio

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

Site do festival: www.rockinrio.americaonline.com.br

Várias apresentações no Palco Mundo foram de lascar, mas aquelas velhas e boas exceções valeram para quem acompanhou de perto o festival. Para começar, o show do R.E.M. foi um dos melhores: Michael Stipe estava naquelas noites inspiradíssimas, emocionou os fãs com um show corretíssimo e cheio de energia. Aquela golada na dose de caipirinha vai ficar para a história! O R.E.M. mostrou que é uma das bandas mais competentes no cenário roqueiro no momento. Sem afetações, os caras vão deixar saudades na platéia brasileira.

Outra banda que agradou muito, nem tanto pelo show, mas pela atitude com os jornalistas e toda a mídia que acompanhava com exagero um simples festival, foi o Oasis. Os britânicos foram irreverentes nas entrevistas, tiraram onda com as perguntas idiotas de repórteres baba-ovo e deram um show que a platéia (fã de Axl "Fat" Rose) merecia, morno e por pura obrigação. Na verdade, os irmãos Gallegher fazem um belo teatrinho para passar o tempo de suas turnês e se divertem com as pessoas que ficam ao seu redor morrendo de medo das suas declarações mal educadas.

Neil Young & Crazy Horse: eles deram um show para ficar marcado na mente dos roqueiros brazucas de todas as gerações. Quando tocaram "Hey Hey My My", fizeram lembrar os bons tempos em que o rock era rock mesmo. Deram um show de guitarras barulhentas e simplicidade. Valeu todo o esforço para aguentar Kid Abelha e Sheryl Crow, porém somente cerca de 40 mil pessoas resistiram às apresentações anteriores e tiveram o privilégio de conferir o melhor show do festival.

O Sepultura e o Deftones fizeram excelentes apresentações. A zoeira dos brasileiros foi de colocar muito gringo para escanteio, Igor mostrou a mesma força e a competência de sempre. O Predador mostrou que tomou de vez o posto de vocalista da melhor banda de rock pesado da atualidade. Já os Deftones também mostraram competência em seu show, Chino Moreno deu conta do recado e a cozinha da banda é das melhores. O hardcore dos californianos foi de qualidade inquestionável.

E as surpresas? O Diesel foi de uma coragem fora de série: tocou só músicas próprias para uma platéia que desconhecia completamente seu trabalho. Os meninos têm futuro - só que no exterior, pois aqui vai ser difícil, seu som dificilmente será assimilado pelos tupiniquins. O sul-africano Dave Mathews também surpreendeu, sua banda tocou com muita competência. Mesmo sem utilizar guitarras, seu som deixou para trás várias bandas roqueiras - a mistura de jazz com rock ficou na medida certa e o cara é muito simpático. O Silverchair, embora seja uma mistura de Pearl Jam com Nirvana, fez um show redondo e empolgante, só de colocarem na guitarra um adesivo do Fugazi os australianos merecem nosso respeito. A banda mostrou que pode ser bem melhor do que é, se seguirem o seu caminho natural daqui a uns dez anos vai dar para comprar um CD deles.

No balanço geral, o festival teve momentos muito interessantes, desde a "tarde das garrafadas" encerrando o show do Carlinhos Brown até o bolo de aniversário para David Ghrol, do Foo Figthers. Agora, é esperar para que Roberto Medina continue sua empreitada em busca de um mundo melhor (para seu bolso) e em 2003 ficaremos na expectativa de uma escolha mais coerente de bandas para o festival. Poderiam, pelo menos, aposentar uma meia dúzia de dez que já deveriam ter comprado uma casa na praia e tocar somente para seus familiares. Não é mesmo James Taylor, Sting, Capital Inicial, Engenheiros...

 

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