Beagá, Quarta, 24 de janeiro de 2001 d.C.

O que não valeu a pena no Rock in Rio

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

Site do festival: www.rockinrio.americaonline.com.br

O espaço é pequeno para falar de tantas sandices que vimos nestes sete dias de festival no Rio de Janeiro. Foram tantos os micos e apresentações tétricas que falaremos só das mais picantes. Para começar, toda a primeira noite do festival deveria ser esquecida, foi um balaio de gatos de dar dó. Milton, Gil, Daniela Mercury, Sting e James Taylor são realmente de doer. Fica difícil falar de tantos equívocos num mesmo dia. Melhor fez aquele rapaz que entrou na Cidade do Rock só para presenciar o minuto de silêncio, o melhor momento da noite de abertura, e depois se mandou, foi embora...

O show do Beck foi dos mais esquisitos. Apesar de tocar músicas de sua melhor fase, o cara não conseguiu se recuperar até hoje de ter conhecido e apreciado a MPB. A doença contagiou o hippie do século XXI de uma forma que parece que nunca mais ele conseguirá se curar, seu caso não tem mesmo solução.

Quanto ao Guns'n Roses, não se sabe o que é pior, a platéia ou o próprio vocalista. Um público que vai ao delírio com um show daqueles comandado por uma gralha gorda é porque não tem o menor senso do ridículo. Já Axl é o protótipo do roqueiro decadente: fora de forma, o cara se esforçava para dar seus tradicionais piques pelo palco, e além disso nem conseguiu dar a sua dançadinha tradicional - se tombasse um pouco para o lado, Axl corria o risco de cair no chão e ficar por aí mesmo de tão pesado que estava. Iam ter que chamar um guincho. E aquele guitarrista cantando "Sossego"? Terrível, lamentável.

O Red Hot Chili Peppers fez uma apresentação estranhíssima. Seu guitarrista John Frusciante, que é um dos melhores da sua geração, parecia mais do que fora de si: errou feio em algumas músicas, pois não conseguia pular e tocar ao mesmo tempo. Anthony Kiedis mostrou que sua voz não tem jeito, só efeitos de estúdio fazem o cara ficar audível, parece um cantor fazendo cover da própria banda. Só se salvou Flea, que parecia estar desanimado com a atuação de seus companheiros de time. Foi uma grande decepção para todos aqueles que gostam da mistura de funk e rock que os Chili Peppers fazem (ou faziam) tão bem.

A banda Queens of the Stone Age não foi toda essa Brastemp que andam falando. Tudo bem, seu disco R é muito bom, mas os novos grunges não mostraram tanta qualidade quanto dizem por aí. Além do mais, essa história de entrar no palco peladão não choca mais nem a minha vó. Se o cara quer fazer sucesso com os atributos que Deus lhe deu, que volte no Carnaval e se divirta.

E os brasileiros? Esses deram um show de falta de vergonha na cara. Por quem começar? O Kid Abelha fez um show ridículo, é claro que não dá para se esperar nada mesmo de Paula Toller e companhia, mas eles conseguiram ir além das expectativas e foi lamentável. Os Engenheiros do Hawaii também fizeram das suas, deram um show sonífero e ressuscitaram o "roqueiro" Paulo Ricardo que, com aquela barbinha por fazer, não enganou ninguém. Do Barão Vermelho não se fala nada, eles entraram de férias, vamos deixá-los em paz, talvez eles gostem da idéia e desapareçam para sempre, em alguma ilha distante no Pacífico Sul. O Capital Inicial foi de uma tristeza a toda prova. Estavam lá todos eles que cometeram aquele acústico tenebroso: fizeram pose de maus ("Veraneio Vascaína") e de bons meninos (hum... chovê..., desculpem mas não me lembro o nome desta música, afinal faz tanto tempo). No fim, ainda saíram se achando o máximo. Para terminar, o Surto: meu Deus do céu, o que é aquilo? Em uma hora de show tocaram mais covers que banda de baile de formatura de Faculdade de Direito. Foi Charlie Brown Jr, Raimundos e tudo mais, mas a versão de "Californication" foi o fim da picada. A tradução "Triste, mas eu não me queixo" foi a pior coisa que ouvi nos últimos anos, não dá!...

 

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