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Conversa
fiada especial Rock in Rio (1º fim de semana)
Site do festival:
www.rockinrio.americaonline.com.br
Durante
o intervalo das apresentações do palco principal do Rock in Rio, acontecem
shows nas outras tendas montadas na Cidade do Rock. Na Tenda Raízes, tocam
bandas exóticas que atraem alguns hipongas de plantão; lá, a turma encontra
um lugar sossegado para queimar sua erva em paz. Na Tenda Brasil tocam
desde Penélope até Sá, Rodrix e Guarabira - e muitos andam reclamando
que os coitados só têm direito a míseros 20 minutos de fama. A Tenda Eletro
é um sucesso, para os moderninhos é a chance de estar numa rave no meio
de roqueiros. Sobre a Tenda Por um Mundo melhor ninguém dá notícia porque,
na verdade, ninguém apareceu por lá até agora.
Mas
tem um local do festival que está sendo freqüentadíssimo por todos indistintamente,
sejam clubbers, hippies, punks, metaleiros, pagodeiros e etc: é o vomitódromo.
Isso mesmo, não é mentira: a trupe de Roberto Medina resolveu instalar
estas engenhocas para aqueles que se excederem na manguaça. E vai ser
preciso mesmo: até o segundo dia, a média era nada mais nada menos que
27 litros de chopp por cabeça, malandragem. O "jucódromo" não está sendo
usado somente por aqueles que abusam do álcool: algumas atrações do festival
estão tão difíceis de engolir que podem voltar pelo mesmo caminho de onde
vieram - neste caso, a galera já sabe para onde ir.
Que
o show do Neil Young vai ser um dos melhores do Rock in Rio nenhum ser
humano com o mínimo de neurônios tem dúvida, mas o espetáculo poderá ser
melhor ainda. Tudo indica que o roqueiro canadense tocará com a lendária
banda Crazy Horse no dia 20 de janeiro no palco principal, num encontro
apoteótico, mágico e de muito barulho, pois esta banda é uma das responsáveis
pela surdez cada vez maior de Neil Young, que prefere ela ao seu lado
por este motivo. A reunião é provável, pois os caras se apresentaram no
último dia 11 no Walfield Theatre em São Francisco - pode ser uma prévia
do que acontecerá no sábado.
No
segundo dia de festival um show chamou a atenção pela sua estrela principal:
Cássia Eller. A atleticana pintou e bordou no Palco Mundo, talvez por
estar excessivamente nervosa ou pelo simples fato de querer aparecer -
e como apareceu. Cássia não tirou a mão do "saco" o show inteiro, era
um coça dali, um ajeitãozinho daqui que deu nos nervos. Para completar,
a moça(?) colocou as tetas para fora, mostrando que Derci Gonçalves tem
um páreo duro no quesito peitos no joelho. Mas não podemos nos esquecer
que ela chamou ao palco a moçada do Nação Zumbi, que deveria ter ficado
ali por mais tempo, pois os caras tem competência e uma trajetória digníssima
no rock brazuca. Ponto para ela.
No
dia 14, outro brasileiro deu show, só que de mau humor. Parece que Carlinhos
Brown acordou sem a benção de Iemanjá. O rei do axé pós-moderno não percebeu
o óbvio: a platéia do Guns'n Roses não queria vê-lo nem pintado de ouro.
O baiano não aceitou as vaias e foi ao corredor tirar satisfações com
a platéia. Resultado: virou o alvo mais acertado da história da música.
Jogaram de tudo nele, de copinhos plásticos a urina quentinha. Não satisfeito
com a situação constrangedora, o Omelete Man ainda foi dar sermão para
o povão: "não jogo nada em ninguém, só jogo amor". Depois, criticou os
roqueiros e saiu de cara amarrada. Tomara que ele aprenda a lição e nunca
mais apareça num festival de rock - aliás, ele poderia aproveitar o ensejo
e encerrar sua carreira de vez, seria ótimo.
E
o Barão Vermelho, hein? Frejat e companhia fizeram um daqueles shows já
tradicionais da banda, com direito a hits como "Pense e Dance", "Bete
Balanço", "Pro Dia Nascer Feliz", entre outros. Foi um show memorável,
mais pelo fato deles terem anunciado que será o primeiro e último de 2001
que por qualquer outra coisa - os rapazes vão entrar de férias. As roupas
dos velhinhos estavam demais, vieram importadas diretamente da Irlanda,
assinadas pelo coreógrafo e figurinista Maurice Breguê. E por falar em
coreografia, eles me arrumaram uma das perninhas que eu tinha visto pela
última vez com uns bêbados, numa rua aqui perto de casa, às três da manhã.
Mas valeu: foi o último, boas férias Barão, que seja longo (e eterno)
esse período de descanso, pois vocês merecem.
Sem
dúvida alguma o melhor show destes primeiros três dias de festival foi
o do R.E.M. Michael Stipe estava em estado de graça, seus olhos acompanhavam
a platéia de perto. O vocalista esbanjava carisma. O restante da banda
foi impecável - a única exceção foi a roupa do baixista Mike Mills, que
parecia a roupa de uma tia minha de Jaboticatubas no dia do casamento
do meu irmão. Mas tudo bem, os caras tocaram "Stand", "It´s the End of
the World as We Know it", "Everybody Hurts" e "Losing my Religion". Parece
que eles gostaram do clima, da caipirinha e de tudo mais. Voltem logo,
R.E.M., vocês serão sempre bem vindos - e dêem uma passadinha aqui em
BH, ok?
É
muito comum em festivais de rock as pessoas estarem vestidas com a camisa
do seu time do coração. Daí, quando as câmeras passam por elas, os "doentes"
mostram com todo orgulho o distintivo de sua equipe. No domingo, 14/01,
o público mineiro mostrou que estava muito bem representado: durante um
momento do show do Oasis, um torcedor da Terra do Pão de Queijo mostrou
para todo o mundo, cheio de emoção, a camisa do seu time. Mas tem um pequeno
detalhe: se engana quem acha que a camisa era do Atlético, Cruzeiro ou
América, era sim uma camisa do Villa Nova, da simpática cidade de Nova
Lima, aqui pertinho de Belo Horizonte. É, realmente o futebol é uma caixinha
de surpresas - dá-lhe Leão do Bonfim!
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