| |
| Beagá,
Quarta, 16 de maio de 2001 d.C. |
|
"Eu
Sou Free" Por
El Jako "Só estudei em escola experimental / Meu pai era surfista profissional / Minha mãe fazia mapa astral legal / Minha mãe fazia mapa astral / Passei a minha infância em Cocha Bamba / Transando muamba, driblando a alfândega / Não sou do tipo que faz comício / Tenho horror a compromisso. / Você pode fazer o que quiser comigo / Eu não ligo / Você pode fazer o que quiser comigo / Eu não ligo / Eu sou free / Sempre free / Eu sou free demais / Mas você não tem muita chance / Não me venha com romance / Porque eu sou free / Free lancer." A responsabilidade é grande, meu chapa! Aqui, neste caso, não se trata de qualquer musiquinha xinfrim não: este é um clássico musical tupiniquim, mas mesmo assim eu resolvi encarar esta pérola que faz parte dos impagáveis anos 80, seu rock'n roll nacional e suas hilárias bandas relâmpago. Qual a pessoa que tem mais de 25 anos de idade hoje e não se lembra desta música? E dessa banda, o Sempre Livre? Pois bem: para você que é ainda muito jovem, vai um rápido panorama do Sempre Livre: a banda era formada só por mulheres naquela onda de "a força das mulheres roqueiras". A band leader era nada mais nada menos que Dulce Quental (?), que tempos depois saiu numa carreira solo completamente ignorada pela "injusta" mídia nacional; as moçoilas emplacaram alguns hits radifônicos e... nada mais, ficaram nisso mesmo. Os motivos da banda não ter ido muito adiante podem ser vários, mas dá uma olhadinha só na letra desta música para entender melhor o que aconteceu com as garotas new wave. Na verdade, esta pérola não chega a ser propriamente da banda, mas só a coragem de interpretá-la já condena as pseudo-roqueiras. Imagine só que futuro poderia ter uma garota como esta relatada nas linhas acima, filha de um surfista com uma astróloga que confeccionava mapas astrais... só tem um detalhe: não era qualquer mapa astral que a senhora fazia, eram mapas astrais legais!!! Além do mais, a coitada da garota passou a fase mais bela da vida em Cochabamba, na Bolívia, fazendo falcatruas mil (que lindo, que original, chega a mexer com alguma coisa dentro de mim - meu estômago?) ao invés de brincar de bonecas e casinha com as amiguinhas; isso é uma sacanagem, é caso para ser analisado pelo pessoal do Estatuto da Criança e do Adolescente! Já que estava tudo perdido mesmo, ela resolveu liberar geral: "olha meu bem, você pode fazer o que quiser comigo, eu não tô nem aÍ!", falou então, pode deixar que a rapaziada dá um jeito na situação. A conclusão então é óbvia: depois de todas estas experiências, a liberdade é a palavra que melhor define o estilo de vida da jovem, mas não sei se vocês, caros leitores, repararam no duplo sentido (utilizado com tanta freqüência e competência pelos nossos músicos-poetas), na habilidade em misturar dois idiomas para dizer que a liberdade não é só alegria - aqui se faz, aqui se paga meu caro, é o preço da liberdade: o sofrimento. Mas no fim acaba tudo tranqüilo, porque a garota acabou se dando bem como free lancer, profissão tão cultuada naquela época - já hoje em dia... |
|
©
Todos os direitos reservados
Melhor visualizado em 800x600 Recomendamos Internet Explorer 4.0 ou superior |