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| Beagá,
Quarta, 14 de março de 2001 d.C. |
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"Mand'ela" Por
El Jako "Gastei minha sandália havaiana / Andando atrás dessa baiana / Mas a baiana me vaiou / Eu disse que vim do Senegal / Montado num cavalo-de-pau / Baiana me desmonto / Olha que me queixo pro Tutu / Baiana deixa disso / Vou reclamar pro bispo de tu / Mand'ela vir / Mand'ela aqui / Mand'ela cá / Mand'ela Mand'ela / Mand'ela Mand'ela / Eu disse que vim do Cabo Verde / Mas ela me achou imaturo / Mandou pra Porto Seguro / E agora tô indo a pé." Olha, eu sei que o Nélson Mandela nunca deve ter ouvido falar em Chico César na sua vida, mas ele precisa ser avisado da aberração da natureza que está nas linhas acima. Para quem não sabe, Mandela foi um político sul-africano que lutou pelos direitos dos negros, ralou pra caramba passando 27 anos na prisão e não merecia uma "homenagem" destas. E não foi só ele que teve seu nome usado nesta, digamos... música, também temos o Desmond Tutu, que serviu de rima para o pronome tu (que capacidade deste paraibano!). Tutu é um bispo, cara também de respeito da África do Sul e sempre lutou pela paz, mas no dia em que souber que foi citado desta forma pode revelar seu lado impaciente. Tem outra coisa: o nosso amigo Chico César pode até ser simpático, ter ralado muito (também, mas menos) para chegar onde chegou (onde, mesmo?), mas fica difícil não se chocar com uma letra destas. É claro que temos que dar um desconto, pois onde o Zeca Baleiro põe o dedo (não me entendam mal, por favor) as chances de sair algo moralmente aceitável são muito remotas. Agora, uma coisa temos que destacar nesta letra: esta baiana deve ser muito legal e está com toda a razão. Imagina só o Chico César (ou o Zeca Baleiro) correndo atrás de você calçado com uma sandalinha "que não tem cheiro e não solta as tiras" querendo algo mais. Eu faria o mesmo que ela, dispensaria. Até que a moça foi benevolente chamando o doidão cabeção da MPB de imaturo; eu diria coisa pior e, certamente, não o mandaria para Porto Seguro, e sim para o Afeganistão, para aprender com o Taleban e aqueles caras barbudos que, certamente, não perdoariam figuras como essas. Esta é a música que dizem ter a nossa cara? Estes são os representantes do Brasil que saem aí pelo mundo, passando uma imagem de que aqui somos todos selvagens e exóticos. Estamos no país do carnaval, da alegria e de Chico César e outros inteligentes que, com a desculpa de virem de cidades simples e pequenas, querem que a gente os engula. Suas músicas são feitas para a mesma elite que acha um absurdo a "Dança da Motinha" ou "O Bonde do Tigrão". O que é mais chato? O que é pior? O que incomoda mais? Faça a sua escolha, porque eu já fiz a minha. |
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