| |
| Beagá,
Quarta, 10 de janeiro de 2001 d.C. |
|
"Parabólica" Por
El Jako "ela pára / e fica ali parada / olha-se para nada / (paraná) / fica parecida / (paraguaia) / pára-raios em dia de sol / para mim / prenda para minha parabólica / princesinha parabólica / o pecado mora ao lado / o paraíso... paira no ar / ... pecados no paraíso ... / se a TV estiver fora do ar / quando passarem / os melhores momentos da sua vida / pela janela alguém estará / de olho em você / (paranóica) / prenda minha parabólica / princesinha clarabólica / paralelas que se cruzam / em Belém do Pará / longe, longe, longe (aqui do lado) / (paradoxo: nada nos separa) / eu paro / e fico aqui parado / olho-me para longe / a distância não separabólica." Antes, ficava me perguntando por que é que Os Engenheiros do Hawaii faziam tanto sucesso, por que Humberto Gessinger era considerado um grande compositor dos anos 80. Hoje, tenho a resposta: fui injusto, nunca tinha parado para analisar uma letra do cara: ele é demais!!! E mais: tem que ser muito corajoso para elaborar uma letra tão... digamos... difícil assim, para todos nós, reles mortais, escutarmos e, claro, nos deliciarmos. Obrigado Humberto, simplesmente pelo fato de você existir. "Ela pára e fica ali parada... Eu paro e fico aqui parado", que sutileza de Humberto, que imaginação fértil: como pode um ser ser (a redundância é proposital) tão inteligente, a ponto de ligar o início e o final da música sem ao menos percebermos. Se vocês repararem bem, as palavras que aparecem dentro dos parênteses têm algo em comum - não, não é o que vocês estão pensando: é que Humberto usou a língua do pê! Sim, "paraná, paraguaia e paradoxo", que artista maravilhoso!! Além do mais, a música é universal, fala de lugares longínquos ligados por uma parabólica: Paraná, Paraguai, Belém do Pará e a P.Q.P. Esta mulher, ou o que quer que seja (afinal, não podemos limitar esta obra-prima a uma paixãozinha qualquer, essa música está acima de tudo isso) que Humberto homenageou com esta canção, deve ter ficado mesmo orgulhosa do produto final. Afinal, ser chamada de "princesinha clarabólica" é uma honra. Quando os Engenheiros do Hawaii anunciaram o fim da banda, soltei foguetes de alegria, me lembro bem. Hoje, mais amadurecido, vejo como fui injusto com esses gaúchos. Ainda bem que eles, ou melhor, ele voltou, com garotos novos para rejuvenescer o som - os antigos integrantes não fazem a menor falta, pois a alma da banda é mesmo Humberto. Fica um pedido para ele, então: nunca pare de fazer música, meu caro. Enquanto você estiver entre nós, não pare com sua arte. Esqueça os críticos injustos (dos quais eu vergonhosamente já fiz parte) e continue seu trabalho em prol do humor tupiniquim. Humberto, você é uma graça, Humberto, você me emociona, Humberto, você me faz rir, desculpe, Humberto: afinal de contas quem sou eu para falar de você, bem ou mal... |
|
©
Todos os direitos reservados
Melhor visualizado em 800x600 Recomendamos Internet Explorer 4.0 ou superior |