Beagá, Sexta, 18 de agosto de 2000 d.C.

"A terceira margem do rio"
Milton Nascimento e Caetano Veloso

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

"Oco de pau que diz: / eu sou madeira, beira / Boa, dá vau, tristriz / Risca certeira. / Meio a meio o rio ri / Silencioso sério / Nosso pai não diz: diz / Risca terceira / Água de palavra / Água calada pura / Água da palavra / Água de rosa dura / Proa da palavra / Duro silêncio nosso pai... / Hora da palavra / Quando não se diz nada / Fora da palavra / Quando o mais dentro aflora / Tora da palavra: / rio, pau enorme, nosso pai."

"Antes só do que mal acompanhado": este ditado cai como uma luva para Milton Nascimento na feitura desta música. Afinal de contas, que letra é esta que ele fez em parceria com Caetano Veloso? Meu Deus do céu! Esta faixa está contida no disco Txai do Bituca, um disco de uma fase decadente do Milton, quando ele abraçou a ecologia e se esqueceu da música. Sempre discreto e na dele, Milton a partir daí começou a se deixar impressionar pelos elogios europeus e norte-americanos ao seu trabalho. O que os artistas brasileiros parecem não perceber é que são tratados como tuiuius, jacarés, sucuris ou seja, como personagens exóticos de uma terra onde se plantando tudo dá. Daí, os Grammies (prêmios inócuos) sobem à cabeça e o Brasil vira motivo de piadas racistas no primeiro mundo. A conversa do pau oco com a água calada só podia dar no que deu, esta música esquisita que nem um nativo entende. E que história é essa de "rio, pau enorme, nosso pai"? Pai de quem? O final dessa música é um tanto quanto suspeito...

"Macarrão com lingüiça e pimentão" - Arnaldo Baptista e Rita Lee

 

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