Beagá, Sábado, 08 de julho de 2000 d.C.

"Burguesia"
Cazuza

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

Muitas pessoas estão lembrando a data de dez anos da morte de Cazuza, "um dos maiores poetas da MPB e do rock tupiniquim" (que me desculpem os índios); que falta este gênio está fazendo, heim? Se estivesse vivo, a juventude brasileira seria outra, mais inteligente, contestadora, sairíamos às ruas e tiraríamos FHC do poder, acabaríamos com a injustiça social e com a violência, e o Brasil já seria pentacampeão do mundo! Que pena que ele morreu.

Cazuza, para aqueles que não sabem, era filho de dono de gravadora, a Som Livre, que vive fazendo propaganda na Globo, ou seja, filhinho de papai. Mas, coitadinho, não teve culpa de nascer em berço de ouro, pois como não era bobo nem nada manteve-se em berço de ouro, era um burguezinho que torrava dinheiro com chapação. Quando na música "Burguesia" fala "a burguesia fede, a burguesia quer ficar rica / enquanto houver burguesia não vai haver poesia", ele tenta enganar a quem? Cazuza pode ter impressionado muita gente com seu discurso hipócrita, mas era um cara que não andava no meio do povão, talvez porque preferisse o cheiro da burguesia, seus amigos eram do círculo cabeça musical brazuca que babavam ovo para o poetinha e batiam palmas para os seus escândalos. Se o fato de não haver burguesia fosse condição para existir poesia, então o que é que Cazuza fazia? Ou a qual sociedade ele pertencia, senão à burguesa? Sinto muito, mas no Brasil se alguém contrai uma doença, principalmente AIDS, se transforma em mártir, herói, fica intocável, ninguém discute a vida promíscua que essas pessoas levam e como podem influenciar seus fãs, na maioria das vezes volúveis. Minhas condolências à música brasileira pelos dez anos sem Cazuza.

"Qualquer coisa" - Caetano Veloso

 

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