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| Beagá,
Quarta, 13 de novembro de 2002 d.C. |
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Kid Abelha Por
Cajabis Cannabis
Bem, passado um tempo El Jako revoltou-se (ele tem lá suas razões) mas nosso barco prosseguiu. E ele confidenciou-me que afastou-se definitivamente da Lixeira. Justificando-se, disse que estava de saco cheio de sempre escrever as mesmas coisas depois de ouvir sempre as mesmas bobagens ditas pelo mesmo grupo de pessoas. Já estava ficando repetitivo, enfadonho, tedioso, segundo ele. Compreendi sua queixa e, respirando fundo, tento desde então levar a empreitada adiante. Mas uma preocupação me atordoa: o receio de ficar repetitivo. Ao menos tento evitar isso. As críticas são bem-humoradas, tentam ser uma alternativa contra o que dizem os cadernos culturais dos jornais de grande circulação e o que a MTV exibe até fazer o cérebro dos expectadores derreter e sair pelo nariz: objetivam informar e expor opiniões diferentes das usuais. A irreverência faz parte ("faz parte do meu show...") e tenta fazer tudo ficar mais divertido. O medo, no entanto, permanece: que tudo fique muito chato e que os textos se tornem tão previsíveis quanto os discos resenhados. E discos como esse só fazem crer que isso, mais cedo ou mais tarde, deverá acontecer mesmo. Porque não tem jeito: a música brasileira está num estado de letargia e não vai sair do coma tão cedo. A alternativa para as grandes gravadoras parece ser a da reciclagem do lixo que já vêm produzindo nas últimas décadas. É humilhante, é ridículo, é desonesto. Mas é mais fácil. Paula Toller e seus asseclas não têm a mínima vergonha de serem tão medíocres, meia dúzia de fãs não têm senso crítico e o pessoal da MTV... bem, eles só estão fazendo a parte deles. Não adianta dizer que os Acústicos e os Ao Vivo são, quase sempre, o atestado mor da imbecilidade musical e que são discos feitos única e exclusivamente para enganar trouxas. Isso não adianta nada. É soar repetitivo. Nem me lembro mais de quantos acústicos nós jogamos na lixeira, nesse tempo todo de site. Nosso discurso sempre foi o mesmo, afinal de contas o conteúdo dessas obras-primas sempre foi o mesmo. A resposta para essa picaretagem teria que vir do público. Quem sabe, o dia em que tivermos uma opinião pública mais esperta, uma galera mais consciente e que não queira ser passada pra trás, bandas inúteis como o Kid Abelha não se aposentem e não abram espaço na grande mídia pra toda uma gente nova, bandas que ralam por aí, para a cena da periferia, para uma cena independente... Tem muita gente aí que merece uma chance e está sedenta por ela. E nesse cenário, é um absurdo que a MTV dê tanta corda pra tanta cara-de-pau, tantas figurinhas carimbadas, tanta gente que só tem competência para repetir a mesma fórmula, os mesmos "sucessos" há dez, quinze, vinte anos. E vocês querem que eu comente o quê deste álbum?... Música inédita pífia, arranjos repetitivos, bobagens recauchutadas... É o que vocês imaginarem e muito mais. Estão vendo porque tenho medo de soar repetitivo? Ah, é melhor deixar essa porcaria no lixo mesmo. Esse Acústico merece isso ou coisa pior. Ou vocês acreditam que o Kid Abelha vá fazer alguma coisa que realmente preste depois de tantos anos? |
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