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| Beagá,
Quarta, 06 de novembro de 2002 d.C. |
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Adriana
Calcanhotto Por
Cajabis Cannabis
Adriana Calcanhotto é uma intérprete extremamente fria. Poderia ser uma ótima locutora de aeroportos, afinal de contas canta sempre do mesmo jeito, com a mesma entonação e a mesma indiferença. Além disso, como compositora não vai além do pífio: seus arranjos são repetitivos (não é à-toa que as canções mais razoáveis do álbum são de Péricles Cavalcanti) e suas letras são pouquíssimo inspiradas, de uma melancolia aborrecida, antipática. Rimas forçadas são de praxe, como por exemplo em "Calor": "Tarde turquesa / Quarenta graus / Talvez porque você não esteja / tudo lateja"; na mesma música: "Eu sonho nosso amor a sério / e você em outro hemisfério." Santo Anjo do Senhor... O disco já começa mal. Em "Programa" (de índio), ela repete três vezes uma poesia danada de chata, sob o fundo musical do grupo Moreno +2. Se um "rolé" pelo Rio for isso, cacetada - só faltaram os traficantes. "Pelos Ares" (tema da novela das 7) é música de novela mesmo, daquelas pífias e sem graça, com direito a um acordeão no fundo só pra encher o saco. "Eu espero" é letra boba musicada de qualquer maneira, tentando uma gingada meio dance. Não vai tocar nas pistas, tenha certeza disso. Aliás, em todo o disco rola uns sintetizadores vacilões, e você se pergunta: pra quê?... Ah, só pra constar: o tribalista Arnaldo Antunes também participa disso aí (tava faltando), ele é um dos compositores da faixa "Se tudo pode acontecer". E o disco vai, a paciência do ouvinte também. O estilo de Calcanhotto é realmente inconfundível: parece que todas as suas músicas são iguais ao mega-hiper-ultra-super sucesso "Mentiras" ("Nada ficou no lugar..."). "Sobre a Tarde" parece tentar convidar o ouvinte a dançar, mas é uma canção que não decola. Ah, vejam os instrumentos utilizados na gravação da faixa: Berimbau, Pandeirola, Ganzá, Chocalho de serpente, Tornozeleira indiana, Bendir, Tamborim, Marimbau, Peteleco de Bendir. E nem essa tralha toda salva a música. Parece um mantra: "Cai a tarde, cai a tarde..." E novamente entra em ação a veia poética de Calcanhotto: "Cai a tarde / que é seu fim / Cai a tarde / que é sem fim? / Cai a tarde / em sua finalidade". O piano de Daniel Jobim só faz piorar isso tudo, nesta que talvez seja a segunda pior faixa do álbum. Porque pior do que a regravação de "Music", da Madonna, impossível. Dessa vez, a gaúcha se superou. É horrendo, não vou tecer maiores comentários porque todo mundo tem que ouvir essa... coisa. Bem, se a intenção foi fazer rir, de tão ridículo, ela conseguiu. A faixa é hilária. Primeiro, porque a Calcanhotto deve ter tomado aulas de ingrêis com o seu Creysson. Agora, o "do you like to samba-reagge?" é uma das maiores aberrações já produzidas nessa terra de Santa Cruz desde a Luzia, a habitante pré-histórica que habitou por essas bandas há uns oito mil anos. Calcanhotto cantando "Don’t think of yesterday / And I don't look at the clock" é um espetáculo sensacional, só faltou um versinho tipo "My name is Adriana / and I like muito banana". O piano do Daniel Jobim é de rachar de rir, também. Imperdível, se você quiser dar boas risadas vale a pena perder um tempinho ouvindo essa coisa monstruosa. A pose de descolada continua a mesma, com direito à leitura de "Jornal de Serviço", poema de Carlos Drummond (Drummond tá na moda, né?). Aí você tem como comprovar a minha tese de que tudo na voz da Adriana Calcanhotto fica horrível. Um programa de computador recitaria melhor o poema, transmitiria mais emoção. Pra encerrar o disco (graças a Deus!), uma música que dispensa maiores comentários: "Ninar". É piada pronta? Pra finalizar a conversa: Calcanhotto é realmente uma cantora cabeçuda para públicos idem. A inutilidade e a insipidez de suas composições continuam as mesmas. Parece música para se ouvir no supermercado, enquanto você está fazendo compras. "Cantada" é um álbum ridiculamente pífio e entediante - exceto a regravação de "Music", se você não for levá-la a sério, claro, vai dar pra morrer de rir. Bem, pode ser que a Calcanhotto tenha talento para humorista, por que não? O Humberto Gessinger também é mestre em nos fazer rir, vai ver é alguma coisa lá dos pampas, talvez seja algum ingrediente que eles colocam no mate do chimarrão... |
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