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| Beagá,
Quarta, 28 de agosto de 2002 d.C. |
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Cidade Negra Por
Cajabis Cannabis
E olha que o Cidade Negra, uns dez anos atrás, era uma banda até digna. Vejam bem, eu disse "digna", e não "boa". Tinha aquele vocalista cabeludo (que eu esqueci o nome) e aquela música (que eu esqueci o nome) que tocava nas rádios sem parar, mas era bem engraçada: "a fim de saber a verdadeira verdade, eu estava a fim de saber..." Tudo sem grandes pretensões ou fricotes, era uma galera inofensiva. Infelizmente, correram com o tal vocalista e o Toni Garrido entrou no grupelho. Claro, tinha que ter um bonitão na foto pra fazer o filme da galera, quem sabe assim a banda finalmente deslanchava e estourava nas paradas. E o som foi ficando cada vez mais pop, mais repetitivo, mais descartável ainda. O produto já estava pronto, embalado. O curioso é que Toni Garrido logo se mostrou um péssimo cantor. Posteriormente, revelou-se um ator execrável. Agora, finalmente, descobriu-se que ele é um apresentador de tevê ainda pior do que a Adriane Galisteu (parabéns, cara). Enfim: um artista mequetrefe em todos os sentidos. Será que esse cara realmente se acha um artista de verdade? Algum amigo, colega, irmão, a mãe dele, qualquer pessoa, deveria chegar junto no sujeito, numa boa, pro bem dele, e avisa-lo: "Meu, desconfia, tu é um fiasco". Quem sabe o Toni Garrido não faz um teste vocacional e não descobre sua verdadeira vocação? Ele poderia ser arquiteto, advogado, psicólogo... Mas enquanto esse dia glorioso não chega, vamos lá: este acústico é mais insosso ainda do que a média geral, porque afinal de contas reggae em formato acústico fica tremendamente ridículo. É só colocar uns metais, diminuir beeeeem o ritmo das músicas e cantar feito um retardado - ah, isso o Toni faz com perfeição. O resultado é que não há nada de relevante neste álbum, as músicas ficaram quase todas iguais às suas gravações originais. Bom, pelo padrão de qualidade "Acústico MTV", piorou um pouquinho, como uma tentativa frustrada de uma certa "psicodelia" em "O Erê". Claro, tem que piorar ao menos um bocadinho. No caso do Cidade Negra, os caras deveriam ser agraciados com um prêmio, porque conseguir piorar ainda mais tanta ruindade é uma façanha respeitável. De "novidade" tem... Socorro! Uma versão de "Johnny B. Goode" para o português, absolutamente lastimável. Mais: é uma sacanagem mesmo. "Extra", com participação de Gilberto Gil, é um lixo: tem ioiô, ioiô, ioiô-ô-ô, uh, uh, uh, ah, ah, ah e mais um amontoado de gemidos inteligíveis. Cinco minutos insuportáveis. Ao final, tradicional babação de ovo - Toni Garrido exclama "O mestre Gilberto Gil!!!" Ah, o álbum começa com a inédita "Girassol". O melhor adjetivo para defini-la: pífia. E aí... Bem, só uma perguntinha: o que vem depois da morte? Quer dizer, o que vem depois de um acústico? O que o Cidade Negra vai aprontar depois desta lambança toda? Vão dar uma de Capital Inicial e fingir que a carreira segue, normalmente? Afinal de contas, ninguém sai impune de um acústico. Será que eles vão fazer um álbum de covers do Bob Marley? Ou dos Beatles? Ou uma coletânea de regravações de sucessos de Raul Seixas, Renato Russo, Mamonas Assassinas?... Ou um disco de forró? Façam suas apostas... |
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