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| Beagá,
Quarta, 07 de agosto de 2002 d.C. |
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RPM Por
Cajabis Cannabis
Consegue imaginar coisa pior do que o Paulo Ricardo? Pois é, o Paulo Ricardo era o vocalista dessa tal banda RPM. Consegue imaginar a ruindade? Ah, e você sabe o que significa (ao menos para a banda) a sigla RPM? Não, a sigla não é a abreviação de "Rotações por minuto", como dá impressão à primeira vista, mas sim "Revoluções por minuto". Sim, eu também acho que verdadeiras aberrações da natureza surgiram durante os anos 80 e tal... Bem, o fato é que agora a magnânima MTV, aquela televisão que exibe programas de grande utilidade pública como Fica Comigo, resolveu desenterrar a banda, com sua formação original e tudo, tendo no comando o PR, bancando um disco dos caras. Daí seria uma oportunidade de ouro pra você, que não viveu os anos 80, sentir na pele (e nos ouvidos) o que foi essa época. E para completar o clima nostálgico, nada melhor que um disco ao vivo, não é mesmo?... Começo "majestoso", gritinho do Paulo Ricardo, teclado infame... Sim, eles voltaram: agradeça à MTV. Em "Alvorada Voraz", fica latente a indignação (rá, rá, rá, rá, rá, rá, rá!!!!!, me desculpem, não consegui me conter...) do vocalista frente a tantos absurdos nesse país, "farsas e jogos, armas de fogo", bandas lançando discos ao vivo pela MTV... Curiosidade: a letra da música foi atualizada - nos anos 80, falava de "Coroa Brastel", "crime da mala" e outros escândalos da época. Esta nova versão ficou assim: "Apocalipticamente / como num clip de ação, um clic seco / um revólver aponta em meu coração / o caso Sudam, Maluf, Lalau, Barbalho, Sarney / e quem paga o jornal é a propaganda / pois nesse país é o dinheiro que manda / e juram que não corrompem ninguém". O resultado é que uma das nobres figuras públicas supra-citadas, o ex-prefeito paulistano Paulo Maluf, está processando a banda porque se sentiu ofendido pelo conteúdo da letra desta música. Dessa vez, estou com o Maluf e não abro: quem faz um disco desses tem que ser preso. É aquela coisa: Paulo Ricardo canta como se estivesse com prisão de ventre, um tecladinho faz um barulhinho no fundo, o baixo faz uma linha melódica chata... Êh, quanta criatividade. E para ninguém reclamar, todos os hits "inesquecíveis" da banda estão lá: "London London", do sexagenário Caê, com gritinhos e tudo, mais um arranjo de cordas. A emoção come solta com "Louras Geladas", "Rádio Pirata" (música cujo o clipe, provavelmente, é o pior de toda a história da humanidade), "Olhar 43". Se faltou alguma coisa, não tem problema nenhum, afinal de contas ninguém vai notar. Claro que disco ao vivo sem surpresas não é um disco ao vivo com surpresas. Daí o show se transforma em uma sessão espírita e um espírito (de porco) da platéia anuncia com um gritinho: "Renato Russo!" Não Pedro Bó, é o Cole Porter. Ele e PR cantam juntos "A Cruz e a Espada", afinal de contas a cara-de-pau não tem limites. "Viva o Renato!" E viva. Falando em defuntos, logo após vem uma versão de "Exagerado" - depois de evocar Renato Russo, que tal Cazuza? Como você já deve ter notado, a picaretagem foi completa: as faixas se resumem tão somente a velharias datadíssimas. De "novidade" mesmo, as inéditas "Vida Real", "Rainha" e "Carbono", esta última tema do Big Brother (olha o nível...): "Eu quero mais Kurt Cobain, John Lennon / Eu quero Nirvana, Legião Urbana". É a mesma coisa do cara dizer: eu quero a Gisele Bundchen e a Regina Casé. Bom, tem gosto pra tudo. E chega: quem comprar esse disco merece apanhar, e de vara de marmelo, pra doer mais ainda, como se fazia na roça antigamente. |
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