Beagá, Quarta, 31 de julho de 2002 d.C.

Jota Quest
Discotecagem Pop Variada

Por Cajabis Cannabis
E-mail: cajabis@abacaxiatomico.com.br

Chato, pretensioso, desastroso, jeca, repetitivo, idiota, música para pessoas acéfalas. Tudo isso e mais alguma coisa pode se referir ao novo trabalho do Jota Quest. Rogério Flausino e seus sequazes fazem um som capaz de ofender a inteligência humana.

Quem já ouviu a música de trabalho "Na Moral" não precisa perder seu precioso tempo ouvindo o restante do disco. Em primeiro lugar, para poupar a própria massa encefálica, que provavelmente vai ficar danificada após ouvir tantas barbaridades. Eu, por exemplo, acho que nunca mais serei o mesmo depois dessa traumática experiência (pausa para pegar o saco de vômito). Em segundo lugar, porque todo o resto do álbum Discotecagem Pop Variada é completamente o inverso do que o título propõe: a única coisa que muda no Jota Quest é a cor do cabelo do Rogério Flausino, as músicas são todas parecidas, bobocas; a falta de talento é a mesma de sempre; e a cara-de-pau então, nem se fala.

O som do Jota Quest é um pop grudento, cheio de teclados tediosos, aqueles metais previsíveis, refrões insuportavelmente chatos, tudo bem convencional mesmo. São músicos programados para tocar sempre a mesma coisa, do mesmo jeito: músicas chatas com letras inacreditavelmente ruins. Aliás, ignorar a estupidez das letras do Rogério Flausino é impossível - pelo menos para quem tem um pingo de senso crítico. Confira um trecho de "Mais Forte Que O Sol": "Parei pra ouvir o silêncio / Passei a ouvir novos planos / Parei pra sentir o teu beijo / Voltei a sentir sentimentos". Ué, antes o cara sentia o quê? Náuseas?

E chega. Não vou nem citar a constrangedora "Tanto Faz", a patética "Tanta Mentira" (não, não é uma canção sobre a história da banda) ou a absurda "Não Somos Iguais" - e não são mesmo: são piores.

Entretanto, talvez o que dê mais, ah... "charme" ao Jota Quest é o vocal do Flausino, que consegue transformar tudo numa tortura ainda maior. O cara continua cantando muito, mas muito mal mesmo. É aquele "tchan" que faz do Jota Quest talvez a pior banda brasileira em atividade. Os caras fazem música proibida para maiores de 14 anos, é impossível imaginar que uma pessoa de bom senso consiga realmente gostar disto.

Tudo bem, todo mundo tem o direito de fazer música ruim, e todo mundo tem o direito de gostar de música ruim. Afinal de contas, vivemos numa sociedade democrática (ou deveria ser democrática, mas isso é outro papo). Assim como esses sujeitos têm o direito de cantar algo tão podre quanto "Na Moral" ("Na moral, na moral, na moral"...), nós também temos o direito de meter o pau, meter o pau, meter o pau. Mas o que mais irrita no Jota Quest é a pretensão dos indivíduos. Quem já teve o desprazer de assistir ao clipe de "Na Moral" deve saber do que estou falando: os caras não passam de um bando de jecas querendo ser modernos, rodeados de menininhas produzidas, metidas a esnobes, mas que não são menos jecas do que eles. Nada contra os jecas, ao contrário! O problema é ser um jeca enrustido, posando de pós-moderno com piercings, maquiagem pesada, agasalho vermelho da Adidas e cabeça oca. Isso daí é fazer papel de palhaço, coisa que a turma do Rogerinho faz muito bem, junto com seus fãs e sua trupe de puxa-sacos.

 

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