Beagá, Quarta, 17 de julho de 2002 d.C.

Björk
Vespertine

Por Cajabis Cannabis
E-mail: cajabis@abacaxiatomico.com.br

Você sofre de insônia? Tem tido problemas para dormir? Não consegue pregar os olhos à noite inteira? Não consegue cair no sono de jeito nenhum? Já tentou contar carneirinhos, tomar remédio, chá de camomila, maracujina, leite morno e nada? Não suporta mais as noites em claro e não vê mais nenhuma perspectiva para acabar com esse tormento? SEUS PROBLEMAS ACABARAM!!!!!

Passe rapidamente na loja de discos mais próxima e adquira o mais recente cd da islandesa Björk, Vespertine. É batata: não tem como ficar acordado já após a audição dos primeiros acordes da faixa inicial, "It's Not Up To You". Algum desavisado que estivesse ouvindo comentaria, com certeza: "Cara, como isso é chato!" Mas nada tira da minha cabeça de que a Björk cometeu esse álbum de propósito, para ajudar a quem tem distúrbios do sono. Não tem outra explicação condizente.

As melodias tediosas dão sono. A voz da cantora raramente foge do lugar comum: é uma gemida aqui, um sussurro ali, de quando em vez uma tentativa de dar um agudo mais forte. Daí, fica um gemido aqui, um sussurro ali, um gritinho acolá. E haja gemeção.

E isso sem falar no instrumental do disco. As faixas estão recheadas com barulhinhos insuportáveis no meio de teclados entediantes. É tão arrastado que até pitbul dorme. Ouça "Harm Of Will" ou "Cocoon" (não, o cd não está estragado) e depois me conta. Aliás, o interessante é que as faixas são tão igualmente sonolentas que fica difícil distingui-las. "Unison" dura seis intermináveis minutos, quem não conseguir dormir durante a faixa merece levar um prêmio.

O culto à Björk deve-se a sua "introspecção" ou à cabecice do som que ela faz? Ou é porque ela vem lá da Islândia, terra que fica perto da p.q.p. e deve ser pra lá de esquisita? Sei lá. Só sei que depois de Dançando No Escuro virou um tabu detona-la ou qualquer coisa do gênero entre os cabeçudos de plantão. De qualquer forma, Vespertine mostra uma cantora extremamente limitada (a não ser que você considere os berros que ela dá em "Pagan Poetry" o máximo) e uma compositora extremamente pretensiosa, fazendo músicas de ninar ("Frosti") como se fossem o supra-sumo. Bom, e até que são ótimas, não para se ouvir, mas para se entrar em um profundo estado alterado de consciência. Embora eu, pessoalmente, desaconselhe o uso desse disco, especialmente para aqueles que utilizam Prozac - efeitos colaterais, sabe como eles podem ser terríveis...

 

 

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