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| Beagá,
Quarta, 29 de maio de 2002 d.C. |
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Elétrika Por
Cajabis Cannabis
Isto posto, vamos ao primeiro agraciado com nosso selo "Queijo podre de Minas": é o Elétrika! O quê? Você não conhece essa banda? Não? Sorte sua. Os caras participaram daquele fiasco que foi o "Festival da Música Brasileira" promovido pela Globo, realizado há um tempo atrás. Ninguém lembra quem participou, muito menos quem ganhou - das músicas que participaram então, nem se fala. O fato é que a rapaziada ralou muito (êpa!) e lançou seu primeiro disquinho, já faz alguns meses, que agora caiu em nossas mãos. Bem, se você não encontrar o álbum primogênito da banda e quiser conhecer o som dessa galera (você deve ser doido, tudo bem), é só ouvir a trilha sonora da novela das seis, eles estão lá juntamente com um bando de malas daqui das Minas Gerais (Beto Guedes, Ana Carolina, Lô Borges, Milton Nascimento...). Dureza, hein? Dureza também é encarar cerca de 52 minutos de audição dessa praga. É ruim demais. Dá vontade de rir ou de chorar, é ruim de com força. Não estou exagerando, é uma mistura de efeitos eletrônicos com um metal farofento, com direito a uns riffs de guitarra absolutamente lamentáveis. As letras são horríveis, com uma crítica social de fazer militante do PSTU chorar, além de uma falta de assunto de cair o queixo; o vocalista Willie é tenebroso, parece que está cantando gripado com sua voz fanhosa, embora nos refrões ainda tente fazer voz de mau - aliás, grande parte dos efeitos entra nas músicas justamente para ofuscar a fragilidade do vocal; os arranjos se baseiam em efeitos dance, usados à exaustão, e daí encaixa-se a guitarrinha do Cláudio David, que era do Overdose. Pois é, olha aonde ele acabou. Vale escutar (claro, para horrorizar) a faixa "Pára de Falá e Faz", com a qual os manés concorreram no tal festival da Globo, citado acima. É politizada, instigante, pra conscientizar a galera. Ou seja: patética, só falta o Gabriel Falador fazer uma versão para ela. Tem também música que é tipo "manifesto dos neo-malucos da virada do milênio", no caso "Pode": "Pode me internar num sanatório / Pode até falar que eu sou o cara mais simplório / Pode me botar pra lavar o mictório / De qualquer maneira eu não me calo e nem te imploro (...) Eu não tô nem aí / Já me cansei de lero-lero / Vem cá que eu também quero ser feliz." Parece mais música da Xuxa. Pode uma coisa dessas? Pode. O pior é que é só o começo. Quem conseguir ouvir isso até o final é um herói. Tem um solo horroroso em "Mau Caráter"; "In Cena" é um pop absurdamente idiota, desde a letra até a batida (olha que é influência do Capital Inicial...): "Quero vivêêêêêêêêêêêêr / a novidade que nos traga prazêêêêêêêêêêr / Quero sentir e estar em cêêêêêêêêêêêna-na-na-na-na-na". O "na-na-na" é inacreditável, nem o Dinho faria melhor. Fica difícil apontar a pior faixa do álbum. É tudo péssimo. Ah, claro, tem mais demagogia em "Atitude", uma tentativa de invadir as pistas (coitados!) com a desastrosa "K Melô do Bozó" e romantismo de bêbado às quatro da manhã em "Pra Falar de Amor". Fechando o sofrimento, uma versão piorada (sim, é possível) para "O Homem que Sabia Demais", do Skank, a qual o vocalista canta parecendo que está com prisão de ventre. Ah, peraí: tem a faixa "Tô Sem Grana" (com seu inconfundível "u-u-a-a-u-u-aê!") remixada umas 48 vezes, mas isso em versão multimídia, onde você também poderá curtir(?) um videoclipe dos sujeitos. Vai por mim: é inacreditável. O "remix akústika" da referida música então, é hilário. Se o Elétrika tem futuro ou não, isso só a força (do jabá) poderá dizer. Mas de uma coisa vocês podem estar certos: a banda é uma digna sucessora em potencial para o Jota Quest, afinal de contas este é um dos piores álbuns que eu já ouvi nesses quase dois anos de ABACAXI ATÔMICO. É assustadoramente pavoroso e qualquer palavra que eu disser aqui não vai conseguir traduzir toda a ruindade desta obra. Tô falando sério: se você acha que a vida é uma merda, sinta-se feliz por não ter ouvido este álbum. |
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