Beagá, Quarta, 02 de janeiro de 2002 d.C.

Tianastácia
Criança Louca

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

Existem bandas que fazem parte da nossa vida. Não porque isso seja uma escolha que a gente faça: elas estão lá sempre perto de você, seja na Universidade onde você estudou, seja num festival que você resolveu ir de última hora. O Tianastácia foi assim com este que vos fala, desde os primórdios de "Cabrobró" da banda acompanho os caras. Confesso que acho a rapaziada super simpática e sangue bom, mesmo seu disco de estréia Tá na boa é um álbum divertido e até recomendável. Mas o tempo passou e "coisas" aconteceram. Que "coisas"? Um exemplo: a mineirada tocou no Rock in Rio III e foi aplaudida em uma daquelas tendas. Pronto, virou referência e se tornou uma banda "com potencial", aí a porca torceu o rabo de vez e ninguém segurou mais a galera.

Em Criança Louca, o Tia (modo carinhoso de chamar a banda) faz feio, muito feio. Eles pensam que são os novos Raul Seixas e saem por aí disparando bobagens para todos os lados, achando que ser maluco é tudo na vida. A faixa de abertura, "Criança Louca", possui uma filosofia de boteco daquelas: "Acordo todo dia de pijama / e a calça cai no chão / Levanto da cama, bom dia / Escovo os dentes então". É uma mistura de Trapalhões com Paulin... ops (desculpa a nossa falha), Moska, música de doidão, previsível e sem qualquer resquício de criatividade. "Sanatório" vai no mesmo caminho, só que no fim tem um momento de reflexão e eles se tornam sérios falando de amor, amizade e paz - na verdade, ficam mais hilários ainda.

Pior é quando chegam as baladinhas pop-cola como "Profana", que deveria ser proibida para maiores de 16 anos, tamanho o grau de infantilidade de sua letra. Em "Meio-dia", os doidões resolvem ter uma preocupação social: "A desgraça que abraça esse povo sem pedir / E o moleque de rua que não sabe sorrir / O desastre, a ira matou mais de um milhão / E o sentido da vida caiu na contramão". E daí? O ritmo da música começa naquela toada de churrasco de formatura do 3º ano do científico (parece que os caras querem gravar um acústico) e no fim, para dar uma disfarçada, eles dão uma pesada no som (isso engana alguém ainda?).

Se por acaso você queira rir muito, caro abacaxinauta, então vá direto à faixa "Viradão na Feira-Hippie". Para quem não sabe, a Feira-Hippie é uma feira que acontece no centro de Beagá todos os domingos e que deixou de ser hippie há séculos; ela é freqüentada por todo tipo de galera, até pelos playboyzinhos e patricinhas metidos a hipongas que acham que estão arrasando e chocando a todos só porque emendaram a noite de sábado com a manhã de domingo. Na letra, o Tianastácia mostra a sua verdadeira face: "Seis e meia da manhã / Tô fudido, não dormi / Bebi a noite inteira / E não agarrei ninguém". Trocando em miúdos: "Mamãe sou doidão, galera se eu não fiquei com nenhuma mulher eu não sou ninguém", coisa de pessoas acéfalas, fazer o quê?

E por aí vai: temos de citação a Sigmund Freud ("Tchau") a baladas de praias "malucas" ("Itacaré"). A conclusão é óbvia: o Tianastácia, de banda simpática e simples, passou para o time das novas bobagens produzidas pelo pseudo-rock'n roll tupiniquim. Em pouco tempo gravarão um especial para MTV, depois farão participação especial no disco do Charlie Brown Jr. ou do Carlinhos Brown (quem sabe?) e, se tiverem sorte, chegarão ao auge, ao ápice da carreira de artistas deste porte: gravarão um acústico e aí todo mundo vai poder comprar uma casa na praia de Itacaré pra virar um "Praiano doidão". Boa sorte gente, vocês merecem!

 

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