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| Beagá,
Quarta, 12 de dezembro de 2001 d.C. |
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Penélope Por
El Jako
A banda Panelópe é composta por músicos de qualidade inquestionável. Não dá para discutir que Érika Martins é uma das piores vocalistas que surgiram nos últimos 50 mil anos no Brasil. Sua voz quer parecer doce, inocente e às vezes roqueira má, qual é a da garota? Constança Scofield toca flauta e teclado, embora estes dois instrumentos sejam completamente dispensáveis em todo o disco. Agora, a função de Erika Nande é uma verdadeira incógnita: a garota toca baixo, mas tão baixo que não dá nem para ouvir o instrumento - onde está o contrabaixo? Alguém me avise por favor! Para não falar que meu discurso é machista e coisa e tal, vamos aos homens que compõem a banda: Luisão está deslocado, tem cara de guitarrista de banda hardcore, mas está lá no meio do mundo rosa de Penélope Charmosa fazendo não sei o quê. Sem inspiração, o sujeito parece que não está nem aí para o que faz com a guitarra. Já o baterista Mário Jorge não tem o mínimo jeito para a coisa, toca tão devagar e lentamente que dá sono, é muito músico para pouca música! Por falar em música, vamos a algumas delas (as outras, não suportei escutar mais que 20 segundos de cada): "Filme da Alma" tem um tecladinho pop chato, mas tudo bem, teclado bem tocado é para poucos mesmo... A grande questão mesmo é a letra da poetisa Érika: " Quando acordei, logo percebi / Estava atrasada / Não pude rever os sonhos / Ficam lá no fundo da alma". Há um problema sério com os tempos verbais no português da garota ou eu tomei muitas biritas ontem? Na faixa seguinte, a banda mostra toda a influência recebida do trabalho sério e competente de Xuxa Meneghel: "Caixa de bombom" é uma baladinha daquelas que acertam em cheio seu fígado, sem chances de reação. Há espaço para uma música de fossa pretensamente séria em Buganvília (que nome danado de ruim, de novo!): "Continue pensando em mim" não passa de mais uma balada inócua. Onde está a guitarra? E o baixo? Tem bateria aí? Que diabos de banda é essa que simplesmente não produz som algum! E não poderia faltar a sessão "queima-filme dos outros" - em "Ciranda da bailarina" a banda faz uma releitura da música de Chico Buarque e Edu Lobo, musiquinha lindinha e com momentos rock'n roll para enganar otário e ferir a alma de seus compositores. A banda quer porque quer ser cabeça e luta por isso até o final: em "Oportuno Silêncio" (bem que eles poderiam levar a sério o nome da música) a letrista oficial vem com mais uma pérola: "Sinto que muito não foi dito / Tudo é aleatório para acontecer / E o passado quando não enterrado / Teima em aparecer"... Peraí, vou buscar um dicionário e já volto... Mesmo assim, não deu para enteder nada, e mais um agravante: a música é sem sal e vazia como todas as outras. Para terminar, a participação de Wanderléia em "Não vou ser má" acho que não cabe comentários, receio que posso ser processado se continuar a escrever. |
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