Beagá, Quarta, 05 de setembro de 2001 d.C.

Catedral
Mais do que imaginei

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

Neste um ano de ABACAXI ATÔMICO tive a oportunidade de ouvir muitas barbaridades e idiotices, mas posso confessar a todos vocês que nada, repito, nada pode superar este disco da banda mais estranha e chata que conheci nos últimos tempos. Para quem não sabe, o Catedral existe há mais de 10 anos e no início de sua carreira estava restrito aos guetos evangélicos. Só que de uma hora para outra: Buuuuumm!!! Os caras estouraram nas rádios e Tvs brasileiras, não se sabe se é pela falta que a voz de Renato Russo está fazendo para os melancólicos retardados de plantão ou se é pela estupidez mesmo que tomou conta da música nacional de uns tempos para cá.

A "gloriosa" banda é formada por Renato Rus... ops! Kim, que é o band leader, escreve as bobagens e tem a cara de pau para cantá-las; Guilherme, na bateria (como toca bem!); Júlio, no baixo (que preciosismo!); e César, na guitarra (quantos timbres originais!). A combinação destes quatro elementos só não é pior porque não tem mesmo jeito, podemos definir o Catedral como o Legião Urbana evangélico. Se quisermos mudar um pouco, também podemos chamá-los de protestantes roqueiros que falam sobre o amor de modo sublime sem se esquecer dos problemas que afetam nossa nação há séculos.

Mas vamos ao que interessa (na verdade não interessa): o famigerado Mais do que imaginei - aliás, nomes de álbuns é o forte dos músicos brazucas e o Catedral não fica pra trás, basta recorrermos à discografia da banda e veremos nomes como A Revolução e Aos ouvidos dos sensíveis de coração. A faixa que carrega o disco nas costas é "Eu amo mais você", que é o resumo de todas as outras: um amor incontrolável e além dos limites, uma coisa linda, mas difícil, sofrida como a carreira da banda. "Minha verdade é absurda no plural/ Mas pra mim honestamente é normal/ Na minha onda, teu oceano/ Me ensina como navegar", isso é poesia, o resto é embromação, ou como dizia seu Anésio, do Bar da Esquina: "isso é bom, o resto é encheção de lingüiça!".

E não é só em português que o nosso querido Kim manda bem, seu inglês também emana sensibilidade e ardor. Em "Kiss me", ele prova isso (se é que a letra é dele mesmo): "Kiss me out of the Bearded Barley/ Nightly beside the green green grass/ Swing, swing, swing the spinning step/ I wear those shoes and you/ Will wear that dress". Caso você não tenha conseguido traduzir esta letra devido a sua profunda complexidade, não vá ao dicionário, deixe do jeito que está, será melhor para seu aparelho digestivo.

E por aí vai. "Helena de Tróia" é uma calamidade total, "Vidros e diamantes" pode fazer você sofrer um pouco mais. E as versões? "Meu bem", de Richard Kan e Scott English (se você não conhece esta dupla dê um tiro na cabeça, seu alienado!), é simplesmente o fim e "Sol de Primavera", do nosso conterrâneo Beto Guedes, está a altura da original, mas com uma leve pitada gospel que não poderia faltar em se tratando de Catedral.

O melhor a se fazer no caso de Mais do que imaginei é realmente sair correndo e procurar coisa melhor para se fazer. Caso você esteja andando nas ruas ou esteja num lugar (não, não é o inferno, os caras são do bem, ouviu?) que esteja tocando isto, faça o seguinte: reze, ore, apele para Jesus, pois neste caso só ele salva, nisso aí pelo menos o Catedral tem razão. Fiquem com Deus!

 

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