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| Beagá,
Sábado, 11 de agosto de 2001 d.C. |
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Ana Carolina Por
El Jako
Bom, é isso aí. Escutando Ana Rita etc e tal, chega-se à conclusão de que o disco é realmente temático: as letras das músicas falam invariavelmente ou de dor de cotovelo ou da força da mulher livre e dona de seu próprio nariz (nossa, que bacana!!). O calvário começa com "O Rio", típica mpb chata, lenta e pretensiosa; a voz de Ana Carolina (que de original não tem absolutamente nada) passeia pela canção como se fosse tudo, como se só ela bastasse para qualificar a música. Depois é sofrimento atrás de sofrimento: como chora amores perdidos uma tão jovem mulher? Parece que Ana realmente não se dá bem nos seus relacionamentos, é muito azar!! Mas como só tem 26 anos, ela ainda vai achar alguém ideal, porque até hoje parece que só acumula decepções. Também, a moça quer demais: em "Implicante" ela solta a célebre frase "De que vale seu cabelo liso e as idéias emboladas dentro da sua cabeça" (?), pôxa, desse jeito não dá, Ana! Tem também a música da novela, uma versão da famosa (?) "La Mia Storia Tra Le Dita" do cultuado (?) cantor Gianluca Grignani - só podia dar no que deu, sucesso certo nas FMs e primeiro lugar em várias paradas tupiniquins, entretanto a música... ah! A música, deixa pra lá. Em algumas faixas do disco, a moça deixa de reclamar dos percalços da vida amorosa para falar com um tom rebelde (que mêda!!), como em "Eu Nunca te Amei Idiota" e na já citada "Implicante" (a "melhor" do disco). As parcerias são o "ponto alto" do trabalho, primeiro na composição de "Dadivosa", com nada mais nada menos que Adriana Calcanhoto, aquela gaúcha que também é "pouco" chorosa nas suas lamentações musicais e, por coincidência, já emplacou um hit novelístico (como os caminhos da música são imprevisíveis, não é mesmo?). Depois com a Alcione: sim, a marrom entra com tudo em "Violão e Voz", mas apesar da sua belísima voz, não deu certo a combinação com o outro vozeirão de Ana Carolina. Quanto à sonoridade, o álbum também padece de uma grande monotonia: ou se tem uma mpb tipo banquinho, violão, voz e arranjos descartáveis ou se flerta com um samba pra lá de pasteurizado. Parece que a cantora acha que só de pegar o pandeiro, dar um batuquinho dali e outro daqui, pronto, ela já é sambista desde pequenininha. Mas o que mais surpreende mesmo é o vale de lágrimas que é esse disco: se uma pessoa que acabou de terminar um namoro que seja escutar este cd, corre um sério risco de se suicidar logo em seguida. A sorte de Ana Carolina é que, ao contrário das suas parceiras de estilo Cássia Eller e Zélia Duncan, ela é bem mais nova e muita água ainda passará por debaixo da ponte. Até lá, espera-se que a cantora se preocupe mais com o arranjo de suas canções e se esqueça de que sua voz é sensacionalmente ótima para o senso comum que habita nosso meio cultural pop. Além do mais, é preciso variar - se um disco já dá pra enjoar numa única audição, imagine um show, uma carreira inteira? É difícil dizer isso mais uma vez, mas Minas Gerais continua "exportando" para o resto do país uma música que não acrescenta e nunca vai acrescentar nada a algum ser humano com o mínimo de discernimento na cabeça. |
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