Beagá, Quarta, 11 de julho de 2001 d.C.

Kid Abelha
Surf

Por Cajabis Cannabis
E-mail: cajabis@abacaxiatomico.com.br

Está de volta uma das piores bandas do pop/rock brasileiro de todos os tempos. Claro, gente, descer a lenha no Kid Abelha é até covardia, mas... por favor. Tem que meter o pau. Ok, a Paula Toller é gostosa e... bem, me arranja outro motivo pra defendê-los. Olha, qualquer piedade que se possa ter com essa banda se desvanece ao assistir o bizarro clipe do primeiro single de Surf, "Eu Contra a Noite". Não há palavras para descrevê-lo, tem que assistir e conferir.

Ok, vamos ao "novo" trabalho da moçada... A banda continua na velha onda de mesclar ritmos, com aquele sax chatíssimo, farofento, aquele vocal terrível da Paula Toller e aqueles solinhos de guitarra de matar de raiva, às vezes um tecladinho... Ou seja: sem novidades, vocês já ouviram isso antes - aliás, ouvem isso desde o longínquo 1984... com algumas pequenas variações. Ah, gente, estou sendo injusto, tem uma novidade neste disco, sim: é o primeiro trabalho do Kid (pros íntimos) na Universal Music. Convidados: Max de Castro está na produção e Roberto Frejat "ajuda" na composição de "3 Garotas na Calçada" - música que tenta ser "rocker" e consegue ser uma bobagem pronta pra tocar nas rádios até furar o disco. "Da Lama à Pista" deveria se chamar "Da Pista à Lama", é aquela faixa "dançante", cheia de barulhinhos disco, de tecladinhos, de efeitos tipo "zóim, zóim" completamente datados. É aquele velho filme: o Kid Abelha tenta se aventurar para um "lado soul", para o funk, para a dance... O resultado é um pop grudento, de péssima qualidade, parece feijoada fria com cerveja quente, é descartável como um jingle de comercial de banco. Mas acreditem: o Kid Abelha já conseguiu fazer coisas ainda piores do que isso.

Pra não perder o costume, as letras são de uma imbecilidade de dar dó. Acho que nem um pré-adolescente seria capaz de escrever tanta coisa fútil e idiota. O cd está recheado de... "versos" do tipo "A solidão sozinha corria atrás de mim", "Lembro de tudo que houve / De tudo que ia haver / Do que não foi nada / Dentro dos nadas que havia", "A vida é boa, a vida é bela / Manda você de presente / E de repente / Inventa outra vida urgente"... claro, não faz sentido nenhum - você está procurando algum sentido nas letras dessa coisa? "Ah, porque as letras do álbum falam sobre a solidão"... Tá. Depois, nós do ABACAXI ATÔMICO é que escrevemos bobagens.

Pra quê uma banda como o Kid Abelha ainda lança discos com músicas inéditas?... Logo logo, saem por aí em nova turnê e o anúncio é sempre o mesmo: "...no repertório, músicas do novo cd além dos antigos sucessos..." O Kid Abelha é um cadáver ambulante em putrefação, tanto quanto as outras bandas de sua época que ainda assombram por aí. A evolução foi benevolente para com eles, porque os dinossauros já se extingüiram há muito tempo... e essa geração dos anos 80 continua "na estrada", firme e forte. Paula Toller garante ter memória boa na faixa "Eu Não Esqueço Nada"; mas você vai se esquecer desse disco rapidinho.

 

 

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