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| Beagá,
Quarta, 27 de junho de 2001 d.C. |
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Legião Urbana Por
Cajabis Cannabis
Antes de mais nada, gostaria de deixar bem claro que não tenho nada contra lançar no mercado alguma coisa de qualquer artista que já tenha morrido. Discos (ou livros ou seja lá o que for) póstumos não querem dizer, necessariamente, que sejam ruins e então só por isso foram lançados quando o autor do trabalho já tinha morrido - embora, na maioria das vezes, este seja o caso. Feita essa ressalva, lá vai: esse disco se enquadra no que acontece comumente, ou seja: o "artista" morreu, daí pululam "homenagens", "tributos" e não sei mais o quê de qualidade pra lá de questionável. Como é Que Se Diz Eu Te Amo é ruim mesmo, não tem jeito: foi lançado pra arrecadar dinheiro para a EMI e pronto, não há como negar isso. O show é ruim, a qualidade da gravação deixa a desejar e o repertório não é dos melhores, isso sem falar nas desastrosas intervenções de Renato Russo dialogando com seus alucinados seguidores. Sejamos sinceros: o Legião, ao vivo, era uma bosta. Se o show valia alguma coisa, deveria ser pelas confusões que o Renato Russo aprontava - mas todo mundo se lembra da balbúrdia de Brasília, em 1988 (faz tempo, hein!), teve até morte. Em um show aqui em Belo Horizonte, em 1990 (de novo: faz tempo, hein!), um gaiato da platéia jogou um sapato na cara do Russo - já contamos essa história aqui no ABACAXI ATÔMICO, o autor desse atentado é até conhecido do nosso colunista Orêia Seca. Cite alguma apresentação "inesquecível" do Legião, em que o Renato Russo cantou demais, o Dado tocou barbaridade e o Bonfá arrebentou nas baquetas. Pense um pouco. Já pensou? Pois é. Agora, pergunto eu: pra quê lançar um disco ao vivo desses caras? Não responda. O cd 1 já começa (mal) com a crássica "Será" - só dá pra ouvir a multidão histérica cantando "seeeeerááááááááááá", deixando tudo em segundo plano: voz do Renato Russo e instrumentos. Aliás, a histeria do público é o que mais chama atenção neste álbum. Em "Vinte e Nove" parece que o disco vai começar a ficar menos ruim, sem tanta histeria - mas é ilusão: este show foi gravado em uma época que o messianismo da Legião Urbana já tinha ultrapassado todos os limites do bom senso, é da turnê de 1994, do horripilante disco O Descobrimento do Brasil. Renato Russo distribuía flores para a platéia ao final das apresentações, que lindo! Que gesto magnânimo. Reparem em "1965 (Duas Tribos)": Renato Russo já nem tem mais voz! Anuncia a próxima música "para todo mundo cantar e me ajudar", ajuda mesmo galera! E qual é a próxima? "Monte Castelo". Contenha o choro. Renato, segura essa voz, senão ela vai embora! "Geração Coca-Cola" até que foge do lugar comum (um arranjo diferente, só violões, isso não quer dizer que tenha ficado bom, mas vá lá...) e aí são Renato Russo abre a boca: "Vamos torcer para que as coisas mudem, né". Vamos, Renato. Se você estivesse vivo, aliás, o país seria outro: não estaríamos, por exemplo, nem passando por esse terrível racionamento de energia - afinal de contas, você era um ser "iluminado", não é mesmo? "Eu só sei uma coisa: eu adoro ser idolatrado! Me amem!" Quê isso, gente! Histeria em pleno palco? Constrangedor, patético. Enquanto isso, seus sequazes reagem a suas intervenções como uma verdadeira multidão de ovelhas que encontraram, enfim, o pastor. Estamos salvos, aleluia! Se o cd 1 já é ruim, o disco 2 é verdadeiramente insuportável. Renato Russo começa anunciando "Faroeste Caboclo" com um discurso enigmático - "as drogas fazem você virar os seus pais". Cuma? Dá pra explicar? Acho que fumei muita maconha antes de ouvir esse disco e "num intendi" nada. E a galera? "ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!" Se o cara chegasse lá na frente e soltasse um peido, todo mundo ia achar lindo. E tome "Faroeste Caboclo" com direito a coral! Cê não sabe o que é mais chato: se é o público, se é a música ou se é o vocalista. Logo a seguir vem a também "crássica" "Pais e Filhos" - quero minha mãe. Todos de mãos dadas, por favor. Ainda tem "Perfeição", onde o discurso hitriônico de Renato Russo chega a dar sono. Aquilo não foi um show, foi o culto de uma seita. Finalmente, o fim - da picada e do disco: na última faixa, teve tudo o que você puder imaginar de trash. Na abertura, Renato Russo faz uma contundente declaração de amor: "Zé Chinelão, onde você estiver... eu te amo!!!". Depois vem "Cajuína", de Caetano Veloso, "Dança dos Passarinhos" ("passarinho quer cantar / o rabinho balançar / porque acaba de nascer / tchu, tchu, tchu..." lembra disso?!) e "Aquele Abraço", de Gilberto Gil, tudo isso em ritmo de "Que País é este". Surreal. Daí (tava demorando) vem a demagogia: "Eu cheguei a seguinte conclusão: não adianta consertar o resto, consertar a gente ajuda pra caramba". É mesmo, Renato? Que legal essa mensagem! Prometo que vou refletir bem sobre isso. "Parou. Agora, todo mundo vai pensar como o nosso país vai ficar rico e como a gente vai faturar um milhão sem precisar matar ninguém". Fácil, é só comprar a "Revista do SBT" e concorrer ao Show do Milhão. Para a Legião, a tarefa é bem mais fácil, as vendas desse disco devem ajudar a faturar esse tão falado milhão. Ah, de bônus (?) tem uma das músicas mais chatas de toda a história da humanidade, "Metal contra as nuvens", não desligue o som (nesse momento, estou bocejando - sério!). E chega. E aí galera, o que falta agora? "Tributo ao Renato Russo", com Pato Fu, Frejat e Cia., Skank, Rogério Flausino e Daniela Mercury cantando os inesquecíveis sucessos da Legião? "O Baú do Renato Russo", com poesias e letras de música "inéditas", desconhecidas pelo público? Aguardem. De qualquer maneira, Como é Que Se Diz Eu Te Amo é um disco totalmente dispensável, que só os fanáticos adeptos da Relegião Urbana vão engolir. E se você é um deles e está pensando agora ao ler este texto "quem é esse filho da p***, vai tomar no..." e tudo mais, corra até a loja mais próxima e preste sua homenagem ao Mala Mor Renato Russo: torre 45 paus (já que você tem dinheiro pra jogar fora) e compre esse tijolo. Os executivos da EMI agradecerão, com lágrimas nos olhos, esse seu gesto de amor. |
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