Beagá, Quarta, 18 de abril de 2001 d.C.

Sideral
Na Paz

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

Seu nome artístico mudou: agora, ele não quer ser chamado mais de "Wilsom Sideral". Somente "Sideral" está de bom tamanho para o atleticano mais queima filme do planeta. É, o seu nome pode ter mudado, mas a sua música… continua a mesma, para alívio dos fãs e para a diversão de todos nós. Sim: Na Paz é um disco muito engraçado, garantindo boas risadas em tempos de programas de humor tão fracos tanto na TV quanto nas rádios.

O mais surpreendente e inquietante na carreira do irmão de Rogério Flausino pode ser resumido em uma singela questão: como é que uma gravadora continua investindo num sujeito desses, mesmo depois do vexame que foi seu primeiro disco, lançado em 99. Como, meu Deus? E tem mais, o cara continua se achando o máximo. Se você não quiser se arriscar a ouvir este álbum, confira o encarte e as fotos do bacanóide, uma verdadeira mistura de Lenny Kravitz com agroboy de Alfenas. O quê que é isso, malandragem? Que falta de senso de ridículo!!!

Mas, vamos a obra-prima de Wilsom, ops, desculpe!, Sideral. Por incrível que pareça, o que mais impressiona no disco não é nem a sua qualidade musical, mas sim a poesia que emana de dentro deste maravilhoso artista. Confira algumas pérolas da literatura brazuca que podemos encontrar no álbum: "Me liguei que você é uma Barbie / Pra aparecer você diz que me adora / Só porque eu tenho carro, grana e toco na TV / Mas eu não sou otário e vou deixar você". Mais uma: "Ela faz terapia, eu queimo um pra relaxar / Ela estuda geografia, eu leio uma revistinha / Ela vem de salto alto, eu de bermuda e tatoo / Ela conhece minha família e o pai dela quer me matar". Pra terminar, com chave de ouro: "Eu tô na nave, eu tô na nave Sideral / Sou Wilsom Sideral, o cometa trovão, olhos grandes pro céu, hip hop Plutão / Eu sou um touro chegando na constelação / tô sentado na tua imaginação". É, meu amigo, é difícil... mas é a verdade.

Musicalmente, as bobagens continuam em Na Paz. A faixa que já está tocando nas rádios jabaculentas, "Sai Fora Barbie", é um rock que quer ser pesado e está ali... cabeça a cabeça concorrendo com Charlie Brown Jr no quesito "mamãe, eu sou mau". A faixa título, "Na Paz", é Jota Quest lambido e cuspido, chega a dar asco ouvir a música, de tão ruim e sem inspiração. Há também as tradicionais baladas de novela das 6 (pois ainda não são "tão boas" para estarem na novela das 8), como "Um Beijo Seu" e "Ela Foi Embora", quando Sideral tenta de qualquer jeito ter suingue mas o resultado é negativo. Não podia faltar também a famosa imitação de Lenny Kravitz, o ídolo que Sideral queria ser: "Outra Vez" tem um nome sugestivo, pois de novo ele tenta ser igual ao americano.

Olha, tem muito mais podreira: a participação especial de Dinho Ouro Preto na música "Simples" é impagável. O ragga "Diferentes" é hilariante e conta com a presença de Bahiano, da ex-simpática banda portenha Los Pericos. "A Nave" dispensa comentários, tamanha a mediocridade. Enfim: Na Paz mostra mais uma vez que "artistas" embalados em papel de presente continuam tendo um espaço inadimíssivel e que imitar, fazer cara de doidão é fácil ("pra você e eu e todo mundo cantar junto"), o difícil mesmo é fazer um disco que preste.

 

© Todos os direitos reservados
Melhor visualizado em 800x600
Recomendamos Internet Explorer 4.0 ou superior