Beagá, Quarta, 04 de abril de 2001 d.C.

Paulo Miklos
Vou Ser Feliz e Já Volto

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

Já está ficando mais do que sem graça este período de férias dos Titãs. Primeiro, foi Sérgio Britto brincando de ser roqueiro; depois, Nando Reis e seu disco MPB anos 90. Agora, é a vez de Paulo Miklos com seu disco pop xaropão. Ao ler o título do álbum, uma dúvida ficou no ar: por que Miklos não colocou o nome "Vou Ser Feliz e Volto Já"?, Pôxa, é muito mais interessante do que o "Já Volto"... Enfim, este é o tipo de discussão que suscita a audição desta nova pérola da MPB pop tupiniquim.

Para os mais desavisados, Paulo Miklos é aquele integrante do Titãs meio "sobrão", toca um sax ali, um violãozinho aqui e dá uns berros pseudo punks em algumas músicas. Além disso, o cara tem um discurso sempre sério, sóbrio e cabeçudo, ele é muito articulado nas suas entrevistas e sua eloqüência pode ser uma armadilha para os mais ingênuos. Diante de tanta "genialidade", Miklos fez um disco que mostra que tudo que fala não passa de mera falácia: na hora de produzir um álbum solo, ele preferiu o caminho mais fácil, ou seja, músicas com um teor altamente pop e que não dizem absolutamente nada.

É um petardo atrás do outro, começando por "Vou Acontecer de Novo", uma faixa FM romântica, sem a mínima graça, insossa e entediante. Já em "Mamãe Disse...Papai Disse" fica claro que Miklos não está bem intencionado com este disco; a letra trata daquela antiga conversa de família para boi dormir, é uma das mais MPBs do álbum e, claro, é chatíssima. Em "Orgia" o compositor mostra que é "muderno", a canção tem uma batida e uma guitarra engajadas mas não passa de afetação. De quebra, Marina Lima participa com todo seu... digamos... talento. "O Que Você Me Diz?" é daquelas músicas que você pensa: "já ouvi isso milhões de vezes em zilhões de lugares". Violõezinhos malas e repetitivos atormentam o ouvinte durante os longos minutos, que parecem não passar.

Então é isso aí moçada: não se deixem enganar mais uma vez. Vou Ser Feliz e Já Volto é um disco que só tem baladas para tocar em consultório de psicólogo hippie (ou picareta). Paulo Miklos tenta disfarçar o caráter mercadológico do disco colocando elementos da música contemporânea, mas não tem jeito: o cara mostra que vida inteligente no atual cenário musical brazuca está em falta. O que sobra é gente esperta querendo se dar bem sem se esforçar muito. Ai, que preguiça!!!

 

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