Beagá, Quarta, 28 de março de 2001 d.C.

Fito Paez
Rey Sol

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

A velha rivalidade Brasil x Argentina está de volta, caros amigos! Sim: o lixo radioativo desta semana vem direto de Rosário, Argentina: é Fito Paez, uma mistura de Gerald Thomas e Kenny G. com uma pequena pitada mpbística pop cabeça. Para quem ainda não sabe, Paez é um dos mais aclamados cantores e compositores argentinos. Engajado em causas políticas como no festival "Os 100 dias pela democracia", o argentino se diz defensor dos frascos e comprimidos - e tão sem graça como este trocadilho infame que você acaba de ler é o disco Rey Sol, lançado este ano na América do Sul.

A paciência que um cidadão precisa para ouvir esta obra-prima é uma coisa completamente fora do comum. A voz de Fito Paez é chatíssima e pegajosa, algo como se ele fosse um Hebert Vianna (melhoras, cara) dos pampas. Em "El Diablo de Tu Corazón", Fito Paez lembra os piores momentos do Paralamas do Sucesso, banda que ele ajudou a fazer sucesso na Argentina - mas avise logo para a rapaziada que tem sujeito copiando descaradamente suas músicas, só que em outro idioma. A faixa título ("Rey Sol") é outra lástima, uma baladinha de novela (mexicana) das oito com um refrão bobo e um "La, la, la, la, la" de encher a cabeça.

E tem muito mais, é um petardo atrás do outro... como "Paranoica Fierita Suite", que tenta ser "muderna" mas no fim acaba sendo uma bagunça danada, uma péssima mistura de tango com rock, ou sei lá o quê - indigestão na certa. "The Shining at the Sun" tem um piano (assim como na maioria das músicas) de deixar Elton John com inveja, além disso violinos (?) e uma letra, só pra variar, romantiquinha tipo adolescente perdido na vida. Para fechar, "Noche en Down Town", só mais uma baladinha sem graça, sem sal com um vocalista ainda por cima afetadíssimo pela Vaca Louca argentina.

Se nas últimas semanas falei que era preconceito falar mal de bandas que cantam em espanhol, peço para que abram uma exceção. Fito Paez é um daqueles músicos que nos fazem pensar que rock latino é o mesmo que samba chinês. A falta de bom gosto do hermano vai das músicas, passa pelas letras e desemboca na capa do disco, típica de quem acha que arrasou. Sinto muito argentinos, mas este disco só serve para eu continuar tendo mais motivos ainda para torcer contra a Argentina até em torneio de cuspe à distância. Mesmo assim, quero deixar um consolo para nuestros hermanos: se vocês têm Fito Paez, nós temos Caetano Veloso, Carlinhos Brown, Humberto Gessinger, Charlie Brown Jr., Barão Vermelho, Nando Reis, Marisa Monte, Fernanda Takai, Sideral, Jota Quest, Adriana Calcanhoto e por aí vai, numa lista que não tem fim.

 

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