Beagá, Quarta, 21 de março de 2001 d.C.

Carlinhos Brown
Bahia do mundo - mito e verdade

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

Depois de Alfagamabetizado e Omelete Man, Carlinhos Brown lança mais um disco com um nome exótico. Desta vez, o título de sua nova obra-prima lembra aquelas teses de mestrado em sociologia da picaretagem. O disco faz jus às garrafadas que o Timbalão levou no Rock in Rio e mostra que faltou uma boa dose de Toddinho nas suas refeições quando era criança para ter um pouco mais de noção de paladar, distinguir o azedo do doce - afinal de contas, este é um álbum azedo.

Observando atentamente a capa do disco, já dá para imaginar a imagem que Brown quer passar. O cabeção deve querer dizer o quanto esta parte do corpo é significativa para o "gênio", só não dá para saber o que ele está querendo dizer quando tenta imitar os olhos de um japonês!! Outra indagação que fica instaurada na nossa mente após escutar o disco é: será que alguém realmente vai comprar este disco? Que indivíduo terá a coragem de se prestar a este papel? Nada faz sentido neste álbum, ele não é nem "artístico" e nem pop, não traz mensagens muito menos procura dizer algo, é o máximo no que diz respeito ao egocentrismo de um artista que se acha melhor do que tudo e do que todos.

Na faixa de abertura, "Pegadas na Areia", Brown recita, como em quase todas as outras faixas, palavras incompreensíveis para um ser normal, e de repente vem com frases românticas querendo brincar de beijar e outras asneiras. Em "Mess in the Freeway" o Timbalão canta em inglês - isto mesmo, com um sotaque perfeito de quem estudou na Universidade de Wisconsin. Na música, Brown tenta imitar descaradamente Bob Marley - o jamaicano só não está se revirando no túmulo agora porque saiu para dar uma "volta" com Jah Rastafari.

E tem mais, muito mais: na tresloucada "Cearabe" ele está acompanhado de um dos corais femininos mais chatos da atualidade; a música é um misto de homenagem ao Nordeste (amigos nordestinos: reclamem!!! Protestem!!!) com música para chacoalhar o esqueleto, o fim de tudo isto é O Fim. Em "Shalon" Brown vira hippie, não... melhor, Hare Krishna... pensando bem, devoto de Buda, ou seja, dá impressão de que o cara comeu algo que não desceu bem e andou dando efeitos colaterais - haja papel higiênico. Para fechar, "Horário de Verão" parece uma redação de férias feita por um aluno semi-alfabetizado, ou melhor: semi-alfagamabetizado. "Horário de verão, não posso me atrasar, eu olho no ponteiro e dou corda ao teu olhar" (?), isso sem falar que a melodia da música é uma imitação barata do Chiclete com Banana.

Não tem jeito... deram tanta corda para o Carlinhos Brown que agora o processo é irreversível. Ele acha que é músico, e o pior, isso só não basta para o baiano. Além de músico, ele é de vanguarda, original e genial. Com Bahia do mundo - mito e verdade ele chega ao auge de sua carreira, com músicas que poucos escutam e sobre as quais muitos falam. Fazer o quê? Isto é MPB!

 

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