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| Beagá,
Quarta, 14 de março de 2001 d.C. |
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Gilberto
Gil e Milton Nascimento Por
El Jako
Fiquei pensando: por que dois músicos consagrados em território nacional, com seus burrinhos na sombra e que não precisam mais ficar se humilhando, se prestam a um papelão destes? Tanto Gil como Milton estão já há um bom tempo desperdiçando seu tempo com discos risíveis, tentando entrar numa onda que nem sabem do que se trata: o baiano com suas parabolicamarás da vida e seus números quânticos e Bituca com as viagens astrais de Txais, zabumbelelelelês e outros suspiros pós-vanguardistas ecológicos. Aí vem este disco que as pessoas preferem ignorar para não ter que falar mal, mas não tem jeito. Esta obra-prima de fim de século da nova dupla da nossa música popular brasileira é um osso duro de roer. Começando por "Sebastian" já dá pra saber que o álbum é mesmo um equívoco completo: aquele som limpinho, com arranjos chiques e com os dois cantores com vozes que não chegam a 10% da potência da fase inicial de ambos. A impressão que se tem é a de que a voz de Gil está sumindo e a de Milton está voltando a adolescência, com tantos altos e baixos desafinados. Tanto é que os dois mestres convidaram Sandy & Junior para ajudar na canção em homenagem às sanfonas: "salve o som dessas sanfonas" cantam os quatro no constrangedor refrão de "Duas Sanfonas". Deveriam ter mudado para "salve as vozes desses velhinhos!" A sucessão de erros (ou cara-de-pau mesmo) continua com "Something", uma versão terrível da bela faixa do Abbey Road dos Beatles, "Yo Vengo a Ofrecer mi corazón", que mostra o belo sotaque portunhol de Milton, e "Lar Hospitalar", que tem uma letra no mínimo cínica, eles definitivamente não acreditam naquilo que cantam nesta faixa. Realmente, Gil e Milton é um disco muito, mas muito entediante: tem um pianinho constante na maioria das faixas que é de amargar e deixar qualquer um de mal com a vida, para não falar outra coisa. Seria muito bom mesmo para todos nós, público e cantores, que alguns de nossos "gênios" dependurassem as chuteiras e dessem espaço para outros, porque determinadas pessoas já passaram da hora de ir morar naquele sítio no interior de qualquer estado deste Brasilzão de meu Deus. |
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