| |
| Beagá,
Quarta, 28 de fevereiro de 2001 d.C. |
|
Eric
Clapton Por
El Jako
O mais novo álbum de Eric Clapton, Reptile, vem provar isso que estou dizendo. O disco é sem sal e mostra que o guitarrista já não tem a mesma empolgação do que há tempos atrás. Tudo bem, o senhor está com 55 anos, mas não precisa lançar um disco cheio de baladinhas, solinhos de guitarras irritantes e teclados extremamente pop FM. O pior são as "novas" influências do sujeito: em Reptile ele faz uma homenagem desnecessária a João Gilberto, de quem se diz fã. A faixa instrumental é demasiadamente lenta e enfadonha, assim como "Beleive in Life", que tem a mesma levada bossa-nova. E tem mais: em "Don't let me be lonely tonight" Clapton faz um cover grotesco do Isley Brothers com uma clara pretensão comercial, é uma daquelas músicas "mela-cueca" típicas de trilha sonora de novela das oito. Em "Broken down" o guitarrista escorrega de novo com uso de cordas sintetizadas e um pianinho de doer, é muito pouco para um cara que já participou da histórica faixa do Cream, "White Room", nos longínquos anos 60. E não é só o som que incomoda no disco: em "Modern Girl" Clapton passa dos limites com uma letra falando sobre uma garota modernosa que vive num mundo globalizado onde só os fortes têm chances, é lamentável demais. Para não dizer que Reptile é só equívocos vale lembrar que a versão de Ray Charles em "Come Back Baby" lembra os bons tempos do guitarrista blueseiro; mas é pouco, ou melhor, nada para quem tem a história que Clapton tem. Observando as novas manias do guitarrista, porém, dá pra entender a falta de inspiração latente do vovô: hoje ele é fã de jiu-jitsu, de Bebel Gilberto e de carrões importados, os quais ele coleciona com fome de leão. Eu sei que eu não tenho nada a ver com a vida pessoal do cara, mas que seus novos hábitos são insossos e que seu novo disco é muito mais que irritante, disso eu tenho certeza. |
|
©
Todos os direitos reservados
Melhor visualizado em 800x600 Recomendamos Internet Explorer 4.0 ou superior |