Beagá, Quarta, 21 de fevereiro de 2001 d.C.

Lô Borges
Feira Moderna

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

Olha, eu até não tenho a tradição de ficar pegando muito no pé do Skank, apesar das diferenças gritantes entre o tipo de som que eles fazem e o que eu acho moralmente aceitável, mas desta vez não vai dar pra segurar. Sabe por quê? Lô Borges estava na dele até pouco tempo atrás, fazia um showzinho aqui, outro ali, levava sua vida dignamente, alimentando-se do seu passado no entediante Clube da Esquina. Até que Samuel Rosa o chamou para participar de shows, gravações e outras coisas mais. Aí, Lô animou, pronto!! E o pior, gravou um disco novo!!! Novo?

Feira Moderna pode até ser um disco novo, pois foi gravado há pouco tempo, mas suas músicas são do tempo em que Kafunga era goleiro do Atlético e em que o rascunho da Bíblia estava sendo elaborado. Temos clássicos daqueles (difíceis de engolir) como "Para Lennon e Mccartney" e "Paisagem da Janela", que já eram chatíssimas no original e agora, com uma nova roupagem, ficaram simplesmente lamentáveis. Tem mais: "Feira Moderna" e "Fé Cega, Faca Amolada" lembram do tempo em que Beto Guedes era "vivo", só que as novas versões são de dar um sono profundo... O pior foi o mineiro gravar uma das piores faixas da sua história, "Sonho Real": a música é do álbum homônimo que foi uma das obras-primas mais tristes da história da música deste estado, pra matar de vergonha seus conterrâneos.

E por falar em Minas Gerais, não faltam trejeitos da terrinha: "O Trem Azul" e "Trem Doido" são de lascar, é o "trem" mais chato dos últimos tempos, "sô" - "uai", pensei que só existisse o trem azul, o doido eu pensei que fosse outra coisa! A produção do lixo ficou por conta do próprio Lô, acompanhado pelo "papa" da MPB, Marcelo Sussekind, que sabe como fazer um disco para tocar em FMs voltadas para este estilo musical. Ah! Estava me esquecendo de uma das maiores pérolas da história musical trash brazuca: "Equatorial", lá está ela inteirinha, pronta para invadir os ouvidos mais ingênuos que se surpreendem com qualquer bobagem que estes ícones mpbísticos produzem.

Pois é, Feira Moderna não traz nenhuma surpresa maior. Só poderia dar no que deu: um disco insosso, que não traz benefícios para nenhum sujeito de bem. Tudo não passa de uma questão de mercado, primeiro vem o "disco ressurreição" com a ajuda da mídia e de cantores que estão em alta, depois vêm as novidades impulsionadas pelo disco anterior, daí para o ostracismo é um pulo - e o pior: Lô Borges sabe disso e acha que tem chances.

 

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