Beagá, Quarta, 07 de fevereiro de 2001 d.C.

Charlie Brown Jr.
Nadando com os Tubarões

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

Em primeiro lugar, quero pedir desculpas pela demora em jogar esta porcaria no lixo, mas posso explicar: são tantas as podreiras que são lançadas no nosso mundo musical que às vezes não dá tempo de ouvir tudo e soltar o veneno todas de uma só vez. Este disco foi lançado em novembro de 2000 e só agora pude escutá-lo com (pouca) calma. Podem ficar sossegados que não direi nenhuma novidade ou absurdo aqui, evolução é uma palavra que não existe no vocabulário desta "esplendorosa" banda.

Vamos à tranqueira, então! É bom dizer que o nome do disco foi muito bem escolhido, afinal de contas é muito mais fácil nadar no meio de tubarões famintos do que chegar vivo ao final da audição desta obra-prima. O terceiro disco do Charlie Brown Jr. tem apenas um desafio e ele não é musical, mas sim mercadológico: a gravadora Virgin pretende, com Nadando com os Tubarões, superar as marcas dos álbuns anteriores, que venderam 500 mil cópias cada. A própria capa do disco já é suspeita, com aquele dólar servindo de pano de fundo para aqueles skatistas que nunca deveriam ter abandonado a carreira esportiva - para quem não sabe, Chorão chegou a ficar bem colocado no ranking nacional de skate; pena que ele resolveu mudar de ramo.

As músicas deste disco não têm praticamente nenhuma mudança em relação aos sucessos anteriores dos santistas: as letras falam de corrupção na política, esporte e mulheres, o som é aquele popinho romântico, ou hardcore (picareta) melódico, mas alguns costumam chamar isso de rock, fazer o quê? Em "Rubão", Chorão questiona qual é o sentido da vida e porque o Rubão é um cara desiludido da vida (Ha! Ha! Ha!), é aquele hardcorezinho fuleiro com aquele vocal de fazer chorar. "Tudo Mudar" é uma daquelas faixas direcionadas a mocinhas que se acham malucas para se emocionarem com o romantismo charliebrowniano, é feita sob medida para tocar nas rádios e na MTV, nada mais.

"Não é sério" é um reggae do tipo "Zóio de Lua" que tem uma letra de doer: "vejo na TV, o que eles falam sobre o jovem, não é sério, o jovem no Brasil, nunca é levado a sério", graças a Deus!! Em "A Banca" a banda mostra o quanto é oportunista: aproveita a onda do rap para utilizar uma citação de uma música do Facção Central e conta ainda com a participação do RZO, que, por incrível que pareça, é uma banda boa.

Realmente, não dá para aliviar com o Charlie Brown Jr.. Os caras estão nessa para se dar bem, fazem a vontade da gravadora e o que vier é lucro; produzem discos para agradar teenagers rebeldes sem causa e sem capacidade de discernimento. A novidade da banda é o DJ Anderson Franja, que na verdade não fede nem cheira, só está aí para dizer que a banda tem um DJ e é moderna. Na verdade, o Charlie Brown Jr. não tem mais nem o pique do início de carreira, seus componentes (beirando os 30 anos) ficam ridículos fazendo músicas proibidas para quem tem mais de 14. Agora, é só esperar para ver quando eles baterão seu recorde de vendas, lamentável.

 

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