Beagá, Quarta, 31 de janeiro de 2001 d.C.

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Rock in Rio Nacional

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

Quando a gente acha que a indústria fonográfica brasileira chegou ao limite da cara-de-pau, sempre aparece um novo lançamento para nos surpreender. É o caso do disco Rock in Rio Nacional, uma coletânea de amargar, com bandas e artistas selecionados a dedo. Fica difícil falar de todos, mas vamos aos mais ridículos, que não são poucos. Esse Roberto Medina é mesmo demais, ainda se junta com a Globo (Som Livre) só poderia mesmo dar no que deu...

A faixa de abertura do álbum é inacreditável: é ela, o tema oficial do Rock in Rio, de autoria de Eduardo Souto Neto, manda prender o cara!!!!!!! É no mínimo deprimente imaginar uma pessoa chegando em casa, colocando este disco no CD Player e ouvindo esta música: interna o sujeito, chama a galera do hospício, providenciem camisa de força e superdosagem de Aldol, porque a lavagem cerebral está somente começando, ainda temos muito pela frente...

Tihuana, o Limp Biskit do Paraguai, ou melhor, do Brasil, contribui com a música "Tropa de Elite", que fala, fala, grita e não diz nada. Na verdade, diz sim: esta banda é uma das piores que surgiram do tipo: "nós queremos ser uma mistura de Raimundos e Charlie Brown Jr." Temos também o "arroz de festa" Patu Fu: aí estão eles, com "Perdendo os Dentes". É a típica música patofuniana - o John toca guitarra, diz como a esposa Takai deve cantar e o resultado é uma gracinha, êta banda sem sal esse tal de Pato Fu.

Nomes da MPB também estão neste disco de rock, por que não? Nando Reis, o homem de neanderthal mais inteligente já encontrado pelos arqueólogos, aparece com "Dessa vez", mais uma musiquinha cabecinha, lindinha e popinha do baixista titânico. E Gilberto Gil? Advinha que música dele está no disco? Dou-lhe uma, dou-lhe duas... sim, aquele forrozinho safado, daquele filme sem vergonha que dá uma vontade danada de sair correndo e pular do 13º andar, "Esperando na Janela". É incrível, sempre que escuto esta música me lembro da Regina Casé, aí me dá um mal-estar, uma vontade de sumir... Carlinhos Brown também tem seu espaço neste cd, com a faixa "Faraó". Escutando bem a música fica fácil perceber porque o timbalão foi tão vaiado na Cidade do Rock, mas no fundo o público foi generoso ao jogar copos e garrafas plásticas de água no cara, ele merecia coisa pior.

Existe uma banda chamada SNZ, que eu juro pra vocês, eu tinha prometido pra mim mesmo que não falaria DISSO, mas como o trio está neste disco e faz uma das piores faixas de um dos piores álbuns que já ouvi, não tem jeito. As filhas de Pepeu e Baby se parecem mais com um trio de marcianas popozudas; cantando dá pena, dançando dá náusea e "Retrato Imaginário" é uma dance music brazuca de doer os joelhos, xô!!! Ainda tem Engenheiros do Hawaii, com "Infinita Highway" ao vivo (maravilhoso), Barão Vermelho, com "Quando o sol bater na janela do seu quarto, eu vou morrer e nós nos encontraremos no além e de mão dadas...", Capital Inicial, em "Eu vou estar", e outras porcarias. Pena que tem uma música do Ira! no disco, senão ele seria perfeito como o disco mais "Trash" do milênio.

 

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