Beagá, Quarta, 10 de janeiro de 2001 d.C.

Roger Waters
In the Flesh Live

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

O ex-baixista, vocalista, letrista e líder do Pink Floyd, Roger Waters, não saía em turnê desde 87. Depois disso, fez "aquele" show para celebrar a queda do Muro de Berlim e sumiu. Agora, como vários outros músicos setentistas, voltou a tocar em público: foi uma turnê durante os verões de 99 e 2000. Destes shows, surgiu o álbum In the Flesh Live. Avesso a tocar em ginásios gigantescos desde a época do Pink Floyd, paradoxalmente Waters lotou arenas com sua turnê lucro (é para lembrar o Sex Pistols mesmo). Os ingressos se esgotaram rapidamente, porque fã de Pink Floyd é o que não falta em todo o mundo.

Foram necessários três guitarristas para se conseguir chegar perto do nível de David Gimlour: Doyle Bramhall, Andy Fairweather Low e Snomy White deram show de virtuosismo desnecessário e Waters também deu show, de cara-de-pau. Das 24 músicas do disco, somente 5 são de sua carreira solo, atitude inteligente do rapaz que, sozinho, conseguiu ser pior que os mais decadentes e recentes álbuns de sua ex-banda. Destas músicas solo, uma foi tirada do álbum The Pros and Cons of Hitchhiking e quatro de Amused to Death. Já o disco Radio K.A.O.S., o mais pop e chato, foi deixado de lado. A relação de Roger Waters com o público fica clara em alguns momentos do disco - o cara se limitou a dizer "Thank you", ignorando a platéia na maior parte do tempo e mostrando ser um sujeito introspectivo e que parecia estar tocando por obrigação. A escolha do repertório restante do álbum foi, no mínimo, suspeita - músicas como "Money", "Time", "Shine On You Crazy Diamond", "Another Brick in the Wall" e "Welcome to the Machine" são sucessos de vendagem certos. É óbvio: de louco Waters não tem nada, embora ele tente nos enganar há algum tempo.

A qualidade da gravação é boa, mas In the Flesh Live soa como uma repetição entediante, nada de novo, ou seja, o fim definitivo dos neurônios de um músico que já fez discos memoráveis, como os primeiros do Pink Floyd. Sua música inédita, "Each Small Candle", mostra um homem preocupado com os problemas mundiais e mais otimista que em tempos anteriores, talvez pelas perspectivas de boas vendagens do seu mais novo (?) trabalho (?). Este é o mundo da música: seja no Brasil ou no exterior, músicos consagrados continuam enganando e se aproveitando da cegueira de seus fãs. O pior é que Waters ainda dá entrevistas questionando o trabalho do Pink Floyd, dizendo isso e aquilo como se ele mesmo fosse "O Exemplo". In the Flesh Live é um daqueles discos que a gente se pergunta: como o cara pode ser tão cínico? Pode.

 

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