Beagá, Quarta, 20 de dezembro de 2000 d.C.

Moreno +2
Máquina de escrever música

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

O ano 2000 mostrou para o Brasil novas caras (mas parecidas com outras, do tipo: conheço você de algum lugar...) no cenário emepebedístico cabeça. O que chama a atenção é o surgimento do movimento "Filhos de peixão, peixinhos são". Primeiro foram os filhos do Simonal: Simoninha (que faria mais sucesso como personagem de desenho animado) e Max de Castro (o samba do século XXI). Depois, Jairzinho Oliveira e sua irmã Luciana, sem contar Pedro Camargo Mariano, Vanessa Camargo (esta foi citada só para avacalhar mesmo) e agora Moreno Veloso, que por sinal está por aí já faz algum tempo.

O filho do grão-mestre-axé da MPB ganhou espaço na mídia depois que se apresentou no Free Jazz Festival de 2000 na mesma noite de Manu Chao. Algumas pessoas do circuito mais alternativo intelectual devem se lembrar dele e de seus companheiros na banda Mulheres que Dizem Sim, que produzia músicas digamos... lamentáveis. A primeira coisa que irrita em Máquina de escrever música é que o timbre de voz de Moreno lembra horripilantemente o de Caetano Veloso, acho que até aquela tremidinha tradicional de queixo ele herdou do pai. Depois vêm os músicos acompanhantes e seus arranjos extravagantes, Domenico tem na sua bateria eletrônica a prova de que é o melhor artista de vanguarda do século e Kassim toca baixo numa introspecção de matar qualquer tibetano de tédio. Para ficar por aqui (senão fico até amanhã escrevendo borracha), torrando a paciência de uma vez por todas de quem teve a bravura e a coragem de encarar este disco, as letras das músicas de Moreno são tratados poéticos pós-tropicalistas pseudomodernistas, ex: "Eu sou melhor que você", ou "Você é pior do que eu".

Na verdade, Máquina de escrever música não entraria nem na Lixeira: não era por dó ou piedade, mas sim porque correríamos o risco de ocorrer um transbordamento de tanto lixo junto. Não poderíamos, porém, deixar Moreninho de lado, criatura que legou de Caetano aquele jeito "sabe que eu não sei" ou se preferir "mexe qualquer coisa dentro doida". Enfim, o "menino" mostra que tem futuro e vai ainda nos dar várias e várias pérolas. Que venha o século XXI!

 

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