Beagá, Quinta, 16 de novembro de 2000 d.C.

U2
All that you can't leave behind

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

O U2 era uma banda de respeito. Digo era, porque depois do seu último e horripilante álbum Pop os irlandeses chutaram o pau da barraca e fizeram um disco fraco com um apelo mercadológico desnecessário. O U2 é uma banda que não precisa fazer um disco para vender: desde o início da sua carreira com Boy, War e The Unforgettable Fire o som já era pop - com qualidade, mas era pop. The Joshua Tree, Achtung Baby e Zooropa mostraram a banda no auge, conseguindo aliar a sonoridade dos anos 80 com as inovações que urgiam de fim de século, grandes discos!!!

Pois bem, seu novo disco "Tudo o que você não pode deixar pra trás" não traz nada de novo. Por um lado é bom, pois eles não se aventuram em porcarias como em Pop. Por outro lado é ruim, porque o disco mostra que a capacidade de fazer músicas novas acabou no U2. Eles trouxeram de volta Daniel Lanois para tentarem fazer um som parecido com o de início de carreira, mas o tempo passou, meus caros. Fica claro que o U2 quer vender com seu novo álbum, mas o som não é mais aquele naturalmente "vendável" - é forçado, e o pior, é de má qualidade. A música de trabalho (odeio esta expressão!) "Beautiful Day" diz tudo, a busca de um tempo que não volta mais e, para o U2, é muito pouco. Para quem não conhece os caras, o disco até que passa, mas para quem viveu os anos 80 e conheceu de fato a banda, é uma decepção. Bono Vox, The Edge e Cia mostram que não conseguem mais inovar e nem ao menos voltar à qualidade do começo de carreira, é fim de linha para o U2. Uma sugestão para os irlandeses: venham para o Brasil, gravem um acústico e pendurem as chuteiras - mas, como o mundo da música dá voltas, quem sabe ainda resta uma esperança? Eu não acredito...

 

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