Beagá, Domingo, 22 de outubro de 2000 d.C.

Drumagick
Aí maluco

Por El Jako
E-mail: eljako@abacaxiatomico.com.br

"A música eletrônica é a música do próximo século". Esta frase é escutada todo tempo nos meios musicais de todo mundo. Tudo bem que a música eletrônica aponta para caminhos interessantes, mas existem os bons e velhos oportunistas que "montam no burro" e saem por aí jogando aquilo no ventilador. O drum'n'bass é um dos estilos mais difíceis de se entender nessa nova onda, e imagino deve ser um dos mais complicados para se produzir, mas os picaretas não estão nem aí e fazem suas pérolas. O bate estaca brazuca começa a dar as caras, o Drumagick é um bom exemplo do pior deste ritmo feito nas terras descobertas por Cabral.

Os responsáveis por uma das grandes chatices do ano são os irmãos Jr (irmãos Jr?), Deep e Guilherme Lopes. Os samplers quase imperceptíveis que eles usam são de bossa nova e samba tradicional e, segundo os dois "gênios", entre suas principais influências estão Villa-Lobos(?), Tom Jobim e Clara Nunes. Além das músicas insuportáveis de autoria dos júniors, há a presença do mais novo chato de galocha da MPB, Max de Castro. O líder do movimento "filhos de peixes peixinhos são" (que conta também com Simoninha, Pedro Camargo Mariano, Jairzinho, etc) toca guitarra, violão, piano, além de cantar (nossa, este cara é demais, um multinstrumentista!!) em duas faixas do disco e consegue o quase impossível: fazer ainda pior o que parecia difícil de piorar.

Aí Maluco é lançado pelo selo Sambaloco, uma ramificação da gravadora Trama responsável pela música eletrônica. Mantenha distância desta "obra-prima", mas, se quiser dar boas risadas, basta ouvir as faixas "A Maré" e, claro, "Aí Maluco" - que aberração da natureza...

 

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