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Beagá, 14 de julho de 2003 d.C.
 

Lulu Santos
Bugalu

Por Cajabis Cannabis
 

Ele voltou! Bem... Você deve estar se perguntando: quem? Eu respondo: o Lulu Santos, ele voltou!!! E você deve estar se perguntando, novamente: tá, e daí? Qual a relevância disso? Bem, e eu respondo novamente, dizendo que se quisermos entender o porquê da música brasileira estar atolada nessa lama há pelo menos uns vinte anos, temos a obrigação de darmos uma olhadinha na obra desse sujeitim aí: sua contribuição para essa mediocridade toda é imensa. É, aquele carinha que deu o maior piti outro dia porque o Faustão cortou a apresentação dele na televisão - diga-se de passagem, escrevendo um dos textos mais imbecis e mais mal escritos que já li em toda a minha curta existência na face deste planeta.

Sim, ele está de volta após dois retumbantes fracassos comerciais e o sucesso (dizem, né) do seu acústico. Neste Bugalu, Lulu tenta retomar o caminho da glória (pra ganhar o prêmio Multishow e o troféu ABACAXI ATÔMICO do ano que vem) fazendo música pra tocar nas FMs babacas de nosso Brasilsão de Deus pra ver se alguém cai na sua conversa e compra o disco. Well, além do faniquito que ele deu com o Fausto Silva, a faixa "Já É!" é tema de novela da Globo - ajuda, né? Assim, ele aparece na mídia do jeito que seu ego manda, mas muito além do que o bom senso permitiria.

E pra entupir os ouvidos e a paciência da galera, o cara chama o tal do DJ Memê e mistura soul, funk, dance e disco music com um vocal cada vez mais afetado e uma arrogância cada vez maior. Ouvindo o novo álbum de Lulu Santos, surge logo uma indagação: repetem-se os anos 80 por picaretagem, incompetência, cara-de-pau, falta total de talento... Ou é tudo isso junto? É retrô demais da conta, sô!

"Já É!" já é ruim; a gente toma um tremendo susto logo de saída. Lembra o tema das "Panteras", a série de televisão - bem trash mesmo! "Melô do Amor" tenta evocar, desesperadamente, Tim Maia - principalmente no refrão. O problema é que Lulu Santos não tem talento nem pra lamber o chão que o Tim Maia pisou. "Leite & Mel" tem uma letra imbecil (pra manter o nível costumeiro das letras do indivíduo) e "se inspira" em (vamos dizer claro: copia) Prince.

E por aí segue um desfile de baboseiras, monstruosidades musicais e aberrações como "Sem Pressa": "Um encontro casual / fica sobrenatural..." e aí o ouvinte vai até a cozinha / e toma um sonrisal / porque rima imbecil como essa / não tem mesmo igual... / e faz qualquer cidadão de bem / passar muito mal...

"Jahu" é um outro porre. Pinta na história um tal "Van Daime do andaime"... hummm!!! Essa doeu. Na outra encarnação, eu bati na minha mãe enquanto ela tava lavando roupa, eu mereço ouvir isso. Bugalu é, resumindo, um disco pop que já nasceu ultrapassado, chato, que busca fôlego em citações que já eram aborrecidas vinte anos atrás e hoje soam datadíssimas logo quando da primeira audição. Este disco é pior ainda do que você pensa. E acho que já falei o bastante, o suficiente pelo menos, para adverti-lo a ficar o mais longe possível desse álbum.

 

 

 

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