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Beagá, 30 de junho de 2003 d.C.
 

Radiohead
Hail to the Thief

Por Cajabis Cannabis
 

É, o mundo realmente está no buraco. George W. Bush manda e desmanda na maior potência mundial. O efeito estufa está derretendo as calotas polares. Nosso país é varrido pela violência e o desemprego. A televisão está uma porcaria só. O Cruzeiro deve ser o campeão brasileiro deste ano. E no meio de tanta coisa ruim, uma das bandas mais bacanas dos anos 90 lança um álbum desapontador - pra dizer o mínimo.

Está certo que este Hail to the Thief não é tão ruim quanto o abominável Amnesiac, aí já seria realmente o fim da picada; mas isso é quase nada. É como ficar satisfeiro porque seu time de futebol perdeu de 10 a 1 - quer dizer, pelo menos não perdeu de zero. Tá bão. Ainda assim, quem ouve esse disco só pode chegar à conclusão de que o Apocalipse se aproxima velozmente. Só nos resta rezar.

O disco até começa razoável, com "2+2=5". No princípio, a música é um porre de chata. Depois, a coisa pega no tranco com guitarra e bateria furiosas, e a gente pensa que o álbum vai ser empolgante. Mas fica por aí. É igualzinho o Atlético no campeonato nacional. O que vem depois é de doer.

"Sail To The Moon" tem introspecção, clima sóbrio cabeçudo e Thom Yorke gemendo com um piano entediante. Quatro minutos e meio de agonia interminável. Um flerte com música eletrônica aparece em "Sit Down. Stand Up." e em "Backdrifts", faixas longas, claustrofóbicas, que quando acabam a gente até respira aliviado. Se você gosta de sofrer ouvindo música, é um prato cheio.

"Go to Sleep" parece um pouco o "velho" Radiohead. Começa com um bom violão, tem uns riffs de guitarra legais e discretos, que chamam mais a atenção no final. Mas é pouco pra acordar o ouvinte - pelo menos, pra convencê-lo a ouvir o restante do álbum. O pianinho de "We Suck Young Blood" desanima qualquer um. E você não sabe se o Thom Yorke tá sofrendo de dor de cotovelo ou de dor de barriga mesmo, chega uma hora que é complicado agüentar tanta lamúria.

Ôpa, peraí: "There There" é uma boa música, de verdade - e o clipe então, nem se fala. As guitarras conseguem dizer a que vieram, com um arranjo bacana para uma boa harmonia, a bateria discreta faz uma marcação perfeita, tudo parece se encaixar (embora os backing vocals sejam dispensáveis). É a única canção realmente legal do disco. Será que isso explica o fato de ter sido o primeiro single? Tenho certeza que sim... O álbum já está chegando ao fim, a gente pensa que o melhor ficou para o final... E "I Will" é um verdadeiro banho de água fria. "A Punchup at a Wedding" é monótona e dispensável. "Scatterbrain" tinha tudo para ser uma bela canção, mas absolutamente não decola, não há nenhuma mudança na harmonia, a base sempre é a mesma, a música dura três minutos e vinte e três segundos que se tornam quase eternos... Uma grande decepção. "A Wolf at the Door" chama a atenção pelo vocal, que destoa do resto do disco, e pela bateria. E olhe lá, só não detono a música porque o disco tá acabando - ah... Paz, enfim.

A verdade é que o experimentalismo transformou o Radiohead em uma banda de chatos cabeçudos pretensiosos. Pouca coisa em Hail to the Thief se salva, e quanto mais o Radiohead vai se enfiando por esse nefasto caminho, mais os caras tendem a se afastar do que podemos chamar de música audível - ou suportável.

 

 

 

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