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É,
o mundo realmente está no buraco. George W. Bush manda e
desmanda na maior potência mundial. O efeito estufa está
derretendo as calotas polares. Nosso país é varrido
pela violência e o desemprego. A televisão está
uma porcaria só. O Cruzeiro deve ser o campeão brasileiro
deste ano. E no meio de tanta coisa ruim, uma das bandas mais bacanas
dos anos 90 lança um álbum desapontador - pra dizer
o mínimo.
Está
certo que este Hail to the Thief não é tão
ruim quanto o abominável Amnesiac, aí já
seria realmente o fim da picada; mas isso é quase nada. É
como ficar satisfeiro porque seu time de futebol perdeu de 10 a
1 - quer dizer, pelo menos não perdeu de zero. Tá
bão. Ainda assim, quem ouve esse disco só pode chegar
à conclusão de que o Apocalipse se aproxima velozmente.
Só nos resta rezar.
O disco
até começa razoável, com "2+2=5". No princípio, a música
é um porre de chata. Depois, a coisa pega no tranco com guitarra
e bateria furiosas, e a gente pensa que o álbum vai ser empolgante.
Mas fica por aí. É igualzinho o Atlético no campeonato nacional.
O que vem depois é de doer.
"Sail
To The Moon" tem introspecção, clima sóbrio cabeçudo e Thom Yorke
gemendo com um piano entediante. Quatro minutos e meio de agonia
interminável. Um flerte com música eletrônica aparece em "Sit Down.
Stand Up." e em "Backdrifts", faixas longas, claustrofóbicas, que
quando acabam a gente até respira aliviado. Se você gosta de sofrer
ouvindo música, é um prato cheio.
"Go
to Sleep" parece um pouco o "velho" Radiohead. Começa com um bom
violão, tem uns riffs de guitarra legais e discretos, que chamam
mais a atenção no final. Mas é pouco pra acordar o ouvinte - pelo
menos, pra convencê-lo a ouvir o restante do álbum. O pianinho de
"We Suck Young Blood" desanima qualquer um. E você não sabe se o
Thom Yorke tá sofrendo de dor de cotovelo ou de dor de barriga mesmo,
chega uma hora que é complicado agüentar tanta lamúria.
Ôpa,
peraí: "There There" é uma boa música, de verdade - e o clipe
então, nem se fala. As guitarras conseguem dizer a que vieram, com
um arranjo bacana para uma boa harmonia, a bateria discreta faz
uma marcação perfeita, tudo parece se encaixar (embora os backing
vocals sejam dispensáveis). É a única canção realmente legal do
disco. Será que isso explica o fato de ter sido o primeiro
single? Tenho certeza que sim... O álbum já está chegando ao fim,
a gente pensa que o melhor ficou para o final... E "I Will" é um
verdadeiro banho de água fria. "A Punchup at a Wedding" é monótona
e dispensável. "Scatterbrain" tinha tudo para ser uma bela canção,
mas absolutamente não decola, não há nenhuma mudança na harmonia,
a base sempre é a mesma, a música dura três minutos e vinte e três
segundos que se tornam quase eternos... Uma grande decepção. "A
Wolf at the Door" chama a atenção pelo vocal, que destoa do resto
do disco, e pela bateria. E olhe lá, só não detono
a música porque o disco tá acabando - ah... Paz, enfim.
A verdade
é que o experimentalismo transformou o Radiohead em uma banda de
chatos cabeçudos pretensiosos. Pouca coisa em Hail to the Thief
se salva, e quanto mais o Radiohead vai se enfiando por esse nefasto
caminho, mais os caras tendem a se afastar do que podemos chamar
de música audível - ou suportável.
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