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Beagá, 16 de junho de 2003 d.C.
 

Tatu
200 Km/h In The Wrong Lane

Por Cajabis Cannabis
 

A mais nova bobagem do pop mundial atende pelo nome de Tatu, vem da Rússia e está fazendo algum barulho por aí. Tudo começou quando um espertalhão chamado Ivan Shapolavov realizou um concurso para montar uma dupla pop de garotas. Lena Katina, a ruiva, foi a escolhida. Em outra seleção, entrou a morena Yulia Volkova. Tipo loira e morena do Tcham!, sacaram? No caso, a ruiva e a morena do Tatu. Não duvide que esse tal concurso tenha sido uma grande marmelada, afinal de contas as duas meninas já se conheciam, participavam de uma outra banda chamada Neposedi. Decididamente, picaretagem não é um privilégio só brasileiro.

As moçoilas adotaram então uma estratégia de marketing bem interessante: Yulia e Lena mantém ou simulam um relacionamento homossexual entre elas e cantam músicas com letras que falam sobre relacionamentos amorosos (de preferência, entre garotas), angústia e rebeldia adolescente, solidão, carência afetiva... Fazem clipes onde atuam vestidas de colegiais e se beijam, ou ainda roubam um caminhão. Para completar, nas entrevistas sempre dão um monte de declarações "bombásticas". Coisas que chamam a atenção de adolescentes descerebrados e ingênuos - como elas mesmas, aliás.

Veja algumas declarações de Yulia. "Eu era um pássaro prematuro. Desenvolvi o amor muito rápido, e também a minha vida social e sexual." Noooooooooooooooooosa, que precoce. Outra: "Nós realmente nos amamos e o sexo é fenomenal entre nós. É mil vezes melhor do que com um homem. Ao contrário do que as outras pessoas podem falar, a gente não apenas fala sobre isso. Nós fazemos amor pelo menos três vezes ao dia." Estou impressionado. As meninas dão no couro mesmo, hein? Uma no café da manhã, outra na hora do almoço, outra antes de dormir... Não deve sobrar tempo pra ensaiar, e pode ser que isso explique o fato de que 200 Km/h In The Wrong Lane seja um disco muito ruim. As meninotas devem estar mais preocupadas em fazer sexo do que em fazer música que preste.

Começando o disco, "Not Gonna Get Us" é pura gritaria e sussurros, no meio de uma batida pra lá de convencional. Difícil suportá-la, mesmo sendo a faixa mais dançante do disco. Distorções são utilizadas para disfarçar o vocal (horrível). A canção é quase interminável. "All The Things She Said" (a do clipe em que elas estão se relando pra todo mundo ficar horrorizado) é justamente a menos ruinzinha de todo o álbum. Parece uma mistura de Avril Lavigne com teclados e efeitos vagabundos no lugar das guitarras. Chegaria a ser passável, mas o vocal das meninas... A versão russa, "Ya Shosla S Uma", é bem mais interessante, dá pra ouvir as duas faixas e comparar.

No mais, musicalmente falando todo o resto é bastante repetitivo, trivial e ruim que dói. Nada diferente do que se ouve por aí. Pop o bastante para criar algum impacto, mas pouco dançante para fazer sucesso nas pistas - o que pode ser um problema para as pretensões das garotinhas. 200 Km/h In The Wrong Lane não é um disco para dançar, parece mais música de adolescente mesmo. Os arranjos fracos de "Show Me Love" chegam a lembrar... o Information Society! Eca. É pra assustar mesmo, turma. "30 Minutes" tem um pianinho vacilão e parece aquele pop ultrapassado tipo piores momentos do Elton John.

O pior de tudo: as meninas não cantam naaaaaaaaaaaaaaaada. Sussurram, gemem, gritam, esperneiam. Cantar, que é bom... Uma lástima, e tudo fica ainda pior. Pode ser que seja a questão do idioma, dizem que elas nem falam inglês direito, e o sotaque das moças é realmente muito forte. As melhores faixas são as duas em que Lena e Yulia cantam em russo (a outra é a versão russa de "Not Gonna Get Us", "Nas Ne Dagoniat"), talvez não seja coincidência. Se não berrassem tanto, daria pra perceber o quanto a língua russa é bonita, diferente. Elas puxam o "erre" que é um encanto. Mas pra analisar o resto do disco, voltemos ao inglês dê buqui is on dê mesa das nossas simpáticas amiguinhas lambedoras de carpete. Tive uma idéia: podiam chamá-las para apresentar um programa infantil aqui no Brasil, que tal? Ah, deixa quieto...

Em "Clowns (Can You See Me Now?)" parece que as garotas pegaram um frio danado na Sibéria e ficaram resfriadas. E continuam os efeitos à la Information Society e o pianinho horroroso. "Malchik Gay", música com letra engraçada sobre uma garota que paquera um garoto que prefere dar ré no quibe, é hilária. O refrão parece música infantil. Se você tiver senso de humor e achar graça, até que não é tão horroroso. Mas chega a dar vergonha de ouvir... A batida é escabrosa, acho que essa foi a pior música que ouvi até agora em 2003.

Além das faixas em russo, outra curiosidade do disco é a regravação que a dupla fez de Morrisey, "How Soon Is Now?". Sintetizadores dão um tom meio futurista à canção, mas nada que realmente valha a pena ser ouvido. Digamos que poderia ter ficado pior. "Stars" começa pop introspectiva, daí pra estragar tudo jogam um maldito sax alto no meio, como se estivessem esganando um pato. E... usam e abusam de efeitos sobre os vocais, já sabem o porquê. Encerrando a lambança, tem um remix totalmente dispensável de "30 Minutes", com um toque oriental de cítaras e mais coisas chatas. Uma grande bobagem.

A verdade pura e simples é que as duas garotas são lindas e há uma forte exploração no que diz respeito à sexualidade delas. E acabou o papo. Se fossem duas mocréias quaisquer, Lena e Yulia não venderiam discos nem em uma barraquinha de camelôs na Praça Vermelha, no máximo virariam ícone de algum movimento pelos direitos civis das lésbicas e suas músicas poderiam tocar em alguma festinha do PSTU.

Para quem tem dúvidas das intenções que estão por trás (no bom ou no mau sentido? Sei lá) dessa armação pop, a empresa responsável pela organização dos shows do Tatu na Inglaterra (cancelados em virtude da baixa procura por ingressos) está processando os agentes da dupla. Eles simplesmente haviam pedido a presença de 300 meninas com no máximo 16 anos de idade para cada performance a ser realizada no palco. Além disso, o promotor dos shows ainda revelou que agentes do Tatu disseram que Yulia não cantaria por estar doente, mas que ficaria curada rapidinho se seu cachê fosse aumentado.

E pra encerrar, fiquem com a "sinceridade" do Ivan Shapovalov, cafet..., quer dizer, empresário das garotas: segundo ele, o Tatu é um "projeto sexual de menores de idade" para homens à procura de "entretenimento com menores de idade". Ou seja: pedofilia para velhos tarados agora tem outro nome. Alto nível.

 

 

 

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