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A mais
nova bobagem do pop mundial atende pelo nome de Tatu, vem da Rússia
e está fazendo algum barulho por aí. Tudo começou quando um espertalhão
chamado Ivan Shapolavov realizou um concurso para montar uma dupla
pop de garotas. Lena Katina, a ruiva, foi a escolhida. Em outra
seleção, entrou a morena Yulia Volkova. Tipo loira e morena do Tcham!,
sacaram? No caso, a ruiva e a morena do Tatu. Não duvide que esse
tal concurso tenha sido uma grande marmelada, afinal de contas as
duas meninas já se conheciam, participavam de uma outra banda chamada
Neposedi. Decididamente, picaretagem não é um privilégio só brasileiro.
As
moçoilas adotaram então uma estratégia de marketing bem interessante:
Yulia e Lena mantém ou simulam um relacionamento homossexual entre
elas e cantam músicas com letras que falam sobre relacionamentos
amorosos (de preferência, entre garotas), angústia e rebeldia adolescente,
solidão, carência afetiva... Fazem clipes onde atuam vestidas de
colegiais e se beijam, ou ainda roubam um caminhão. Para completar,
nas entrevistas sempre dão um monte de declarações "bombásticas".
Coisas que chamam a atenção de adolescentes descerebrados e ingênuos
- como elas mesmas, aliás.
Veja
algumas declarações de Yulia. "Eu era um pássaro prematuro. Desenvolvi
o amor muito rápido, e também a minha vida social e sexual." Noooooooooooooooooosa,
que precoce. Outra: "Nós realmente nos amamos e o sexo é fenomenal
entre nós. É mil vezes melhor do que com um homem. Ao contrário
do que as outras pessoas podem falar, a gente não apenas fala sobre
isso. Nós fazemos amor pelo menos três vezes ao dia." Estou impressionado.
As meninas dão no couro mesmo, hein? Uma no café da manhã, outra
na hora do almoço, outra antes de dormir... Não deve sobrar tempo
pra ensaiar, e pode ser que isso explique o fato de que 200 Km/h
In The Wrong Lane seja um disco muito ruim. As meninotas devem
estar mais preocupadas em fazer sexo do que em fazer música que
preste.
Começando
o disco, "Not Gonna Get Us" é pura gritaria e sussurros, no meio
de uma batida pra lá de convencional. Difícil suportá-la, mesmo
sendo a faixa mais dançante do disco. Distorções são utilizadas
para disfarçar o vocal (horrível). A canção é quase interminável.
"All The Things She Said" (a do clipe em que elas estão se relando
pra todo mundo ficar horrorizado) é justamente a menos ruinzinha
de todo o álbum. Parece uma mistura de Avril Lavigne com teclados
e efeitos vagabundos no lugar das guitarras. Chegaria a ser passável,
mas o vocal das meninas... A versão russa, "Ya Shosla S Uma", é
bem mais interessante, dá pra ouvir as duas faixas e comparar.
No
mais, musicalmente falando todo o resto é bastante repetitivo, trivial
e ruim que dói. Nada diferente do que se ouve por aí. Pop
o bastante para criar algum impacto, mas pouco dançante para fazer
sucesso nas pistas - o que pode ser um problema para as pretensões
das garotinhas. 200 Km/h In The Wrong Lane não é um disco
para dançar, parece mais música de adolescente mesmo. Os arranjos
fracos de "Show Me Love" chegam a lembrar... o Information Society!
Eca. É pra assustar mesmo, turma. "30 Minutes" tem um pianinho vacilão
e parece aquele pop ultrapassado tipo piores momentos do Elton John.
O pior
de tudo: as meninas não cantam naaaaaaaaaaaaaaaada. Sussurram, gemem,
gritam, esperneiam. Cantar, que é bom... Uma lástima, e tudo fica
ainda pior. Pode ser que seja a questão do idioma, dizem que elas
nem falam inglês direito, e o sotaque das moças é realmente muito
forte. As melhores faixas são as duas em que Lena e Yulia cantam
em russo (a outra é a versão russa de "Not Gonna Get Us", "Nas Ne
Dagoniat"), talvez não seja coincidência. Se não berrassem tanto,
daria pra perceber o quanto a língua russa é bonita, diferente.
Elas puxam o "erre" que é um encanto. Mas pra analisar o resto do
disco, voltemos ao inglês dê buqui is on dê mesa das nossas simpáticas
amiguinhas lambedoras de carpete. Tive uma idéia: podiam
chamá-las para apresentar um programa infantil aqui no Brasil,
que tal? Ah, deixa quieto...
Em
"Clowns (Can You See Me Now?)" parece que as garotas pegaram um
frio danado na Sibéria e ficaram resfriadas. E continuam os efeitos
à la Information Society e o pianinho horroroso. "Malchik Gay",
música com letra engraçada sobre uma garota que paquera um garoto
que prefere dar ré no quibe, é hilária. O refrão parece música
infantil. Se você tiver senso de humor e achar graça, até que não
é tão horroroso. Mas chega a dar vergonha de ouvir... A batida é
escabrosa, acho que essa foi a pior música que ouvi até agora em
2003.
Além
das faixas em russo, outra curiosidade do disco é a regravação que
a dupla fez de Morrisey, "How Soon Is Now?". Sintetizadores dão
um tom meio futurista à canção, mas nada que realmente valha a pena
ser ouvido. Digamos que poderia ter ficado pior. "Stars" começa
pop introspectiva, daí pra estragar tudo jogam um maldito sax alto
no meio, como se estivessem esganando um pato. E... usam e abusam
de efeitos sobre os vocais, já sabem o porquê. Encerrando a lambança,
tem um remix totalmente dispensável de "30 Minutes", com um toque
oriental de cítaras e mais coisas chatas. Uma grande bobagem.
A verdade
pura e simples é que as duas garotas são lindas e há uma forte exploração
no que diz respeito à sexualidade delas. E acabou o papo. Se fossem
duas mocréias quaisquer, Lena e Yulia não venderiam discos nem em
uma barraquinha de camelôs na Praça Vermelha, no máximo virariam
ícone de algum movimento pelos direitos civis das lésbicas e suas
músicas poderiam tocar em alguma festinha do PSTU.
Para
quem tem dúvidas das intenções que estão por trás (no bom ou no
mau sentido? Sei lá) dessa armação pop, a empresa responsável pela
organização dos shows do Tatu na Inglaterra (cancelados em virtude
da baixa procura por ingressos) está processando os agentes da dupla.
Eles simplesmente haviam pedido a presença de 300 meninas com no
máximo 16 anos de idade para cada performance a ser realizada no
palco. Além disso, o promotor dos shows ainda revelou que agentes
do Tatu disseram que Yulia não cantaria por estar doente, mas que
ficaria curada rapidinho se seu cachê fosse aumentado.
E pra
encerrar, fiquem com a "sinceridade" do Ivan Shapovalov, cafet...,
quer dizer, empresário das garotas: segundo ele, o Tatu é um "projeto
sexual de menores de idade" para homens à procura de "entretenimento
com menores de idade". Ou seja: pedofilia para velhos tarados agora
tem outro nome. Alto nível.
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