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E pelo
jeito ninguém quer dar um descanso pra alma do coitado do Renato
Russo. Quando você imagina que não iriam conseguir picaretar mais
nada em cima do defunto (um acústico, um duplo ao vivo...), olha
só o que inventaram. Gravações em cassete feitas em casa, entrevistas,
músicas nunca antes gravadas pelo cantor, gravações
remixadas com "participações especiais"
ridículas... juntaram tudo isso num caça-níqueis da pior
espécie.
Pra
iniciar o tormento, "Mais Uma Vez", parceria de Renato com Flavio
Venturini. Que susto... Um arranjo bem "clean" para um pop horroroso
dos anos 80, que fez algum barulho naquela época gravada pelo indefectível
14 Bis. Letra indicada para aqueles inesquecíveis encontros de grupos
de jovens (blargh!), música expressamente proibida para maiores
de 16 anos. Acho que o próprio Renato percebeu isso na época e nunca
teve coragem de incluí-la em algum álbum da Legião. Depois vem "Hoje",
com direito a um teclado tipo videokê no fundo e a participação
de Leila Pinheiro.
"Boomerang
Blues", gravada pelo Barão Vermelho (argh!) em 86, é ingênua demais,
datadíssima. Talvez valesse mais pelo registro histórico do que
pela qualidade da música em si, mas a galera do grupo Blues Etílicos
ajudou a piorar ainda mais esta gravação. Novamente, vale perguntar:
por que será que Renato nunca gravou esta música também? Resposta:
porque deve tê-la achado fraca. Pronto. Pra quê remexer na lixeira
do cara e lançar coisas que ele não quis que fossem lançadas em
vida?...
"Cathedral
Song" é uma verdadeira pérola do mal gosto, remixada com Zélia Duncan
cantando. Falando em remix, tem "A Cruz E A Espada", com o eterno
RPM Paulo Ricardo, é um horror, horror, horror. A participação de
Erasmo Carlos em "A Carta" é também esquisita, constrangedora. Tem
uma gravação de "Gente Humilde", clássico da MPB. Aliás, quem falou
que Renato Russo era um grande intérprete, pelo amor de Deus?...
Sim, seu vocal poderia até ter força para o que ele se propunha,
ou seja, fazer rock 'n roll, principalmente nos primórdios da Legião
- os toscos e ótimos três primeiros álbuns da banda provam isso.
Mas fingir que é um cantor excepcional... é dose, o resultado é
sofrível, muito fraco mesmo.
Salva-se
"Thunderoad", de Bruce Springsteen, registro sincero, sem adulterações
- e a qualidade da gravação até que ficou boa. Mas num disco inteiro
lastimável, por que não lançar a faixa na internet e pronto, sem
maiores frescuras? Pra quê enganar os fãs? É verdade que as três
faixas com entrevistas podem despertar algum interesse, mas isso
tudo deveria ter sido lançado de outra forma. Cd de músicas com
entrevistas? Porque não lançaram multimídia com fotos e manuscritos
pra disfarçar um pouco a picaretagem?
E pra
encerrar, vale dizer que ainda tem um registro ao vivo pavoroso,
monstruoso, medonho de uma música obscura de Cazuza, "Quando Eu
Estiver Cantando", misturada com... "Endless Love", num violãozinho
daqueles de boteco às 4 horas da manhã. É o capeta fazendo dupla
com a sua sogra. Fechando a sessão espírita, outra versão de "Mais
Uma Vez", mais uma vez horrível, dessa vez com a "contribuição"
dos implacáveis 14 Bis. É a mesma coisa que a primeira faixa, só
que agora há uns tecladinhos de fundo, tipo música da Xuxa, além
daquele vocal afetado do Flávio Venturini. Absolutamente lamentável.
Só faltou a música em versão karaokê, pra você cantar junto e se
emocionar...
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