Se você pensa que
a música brasileira vai mal, um consolo: não é só por
aqui que a vaca vai pro brejo. Basta ouvir o novo do Black Eyed
Peas, bandinha californiana de hip hop que com este trabalho transcendeu
todos os limites da ruindade. Monkey Business é simplesmente
insuportável, uma tortura auditiva em todas as suas nuances.
A aposta é fazer um álbum misturando ritmos, padronizando
tudo num pop descartável e completamente sem gosto. Novidade?
Criatividade? Inovação? Aqui, são palavras
desconhecidas, proibidas até. Se havia alguma coisa de relevante,
sumiu na hora da mixagem. O que prevalece é a velha mistura
sem graça de r&b e hip hop, que tem levado a música
americana para um buraco aparentemente sem fundo. E claro, com
uma mistureba que é obrigatória hoje em dia: soul,
reggae, funk, surf music e umas batidinhas bossa nova, tudo isso
disperso nas 14 faixas. Parece que não vai acabar nunca, é duro
de se ouvir.
Dá pra destacar alguma coisa? Não, talvez o que
chame mais a atenção seja o ridículo sample
da música "Misirlou", do guitarrista Dick Dale,
(aquela do Pulp Fiction, sim, você já ouviu),
na faixa de abertura do disco, "Pump It". E isso é feito
com a descarada intenção apenas de tocar no rádio,
já que a música chupada é bastante familiar
aos ouvintes. No mais, tudo é muito ruim, com músicas
longas demais, muito chatas, parece que nunca vão acabar.
Isso sem comentar sobre os convidados, mais perdidos que freira
em parada gay: James
Brown e Justin Timberlake não acrescentam nada aqui.
Tudo muito igual, com produção impecável, é verdade,
além de ser com certeza um trabalho muito bem pensado para
vender o mais cópias possível. Mas nenhum discurso
mais contundente nas letras ou nenhuma variação melódica
contundente, nada de relevante musicalmente falando. A única
coisa boa mesmo no Black Eyed Peas é a vocalista gostosona
Fergie. Mas também, quando abre a boca...
|