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Beagá, 01 de agosto de 2005 d.C.
 
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Acústico MTV Bandas Gaúchas
Por Cajabis Cannabis
 

A MTV já fez acústico com praticamente deus e todo mundo. Então, a nova tática da emissora para não perder o filão da marca "Acústico" parece ser reunir qualquer coisa que apareça na frente. A coisa tá tão feia no mercado fonográfico brasileiro que daqui a pouco os produtores vão sair nos becos, lotes vagos e lixões das periferias pra capturar bandos de cachorros vira-latas e gravarem acústicos com eles. Garanto que pior que esse Acústico Bandas Gaúchas não vai ficar.

Parece que descobriram que existe algo mais ridículo para uma banda do que se prestar a fazer um acústico para a MTV: é dividir um acústico para a MTV junto com outras bandas. Ou seja: sua banda é tão ruim que nem consegue ser decadente, porque, para ser decadente, deveria ter feito algum sucesso no passado, ter tido alguma relevância na programação jabazeira das rádios fms, emplacado algum hit - na base do jabá mesmo, claro. Mas nem isso a gravadora fez por essas bandas de segunda classe. Ainda bem que se orgulham de serem "underground", não é mesmo? Bem, agora a MTV resolveu dar uma chance a essa galera, para que todos possam mostrar seu talento e sua inventividade... No formato acústico. Genial. Agora sim, essas bandas vão ter a oportunidade de se mostrarem ao grande público e vão explodir. BUUUUUMMMMMMMM!

Temos aqui na verdade quatro exemplos de ejaculação precoce musical vindos lá do Rio Grande do Sul (barbaridade...): Bidê ou Balde, Cachorro Grande, Ultramen e o Wander Wildner. Talvez valesse a pena fazer um concurso de qual o pior entre os quatro, se você realmente quiser perder preciosos minutos da sua vida ouvindo isso. Mas a escolha certamente será árdua.

O álbum começa com o Bidê ou Balde, que é sempre a mesma coisa, quem já ouviu uma música já ouviu todas. Aquele humor bobo, piadinhas repetidas à exaustão - nossa, como somos descolados e criativos. E bem-humorados, claro. Será que ninguém pode falar claramente, com todas as letras, que essa banda é uma bosta? Só porque é menos ruim que muitas coisas que estão por aí, não quer dizer que o Bidê ou Balde mereça alguns segundos de nossa preciosa atenção. O destaque (hein?) é o mega-hiper-ultra-super-foda sucesso (hein?) "Melissa", com o Roger do Ultraje a Rigor dando uma força (hein?) nos vocais. A curiosidade fica por conta de "E Por Que Não?", acusada por algumas entidades de defesa da criança e do adolescente de apologia à pedofilia. Veja a letra da pérola e tire sua própria conclusão: "Eu estou amando/ a minha menina/ E como eu adoro/ suas pernas fininhas (...) Eu estou adorando ver a minha menina/ com algumas colegas, dela da escolinha/ Eu estou apaixonado pela minha menina". Uma bosta de uma brincadeira sem graça e estúpida, sem falar que a música é uma merda.

Segue o disco, aparece mais uma turma de engraçadinhos: é o Cachorro Grande. Você ouve uma música deles e até acha divertido. Depois que ouve as outras, vê que todas são parecidas... com as do Bidê ou Balde. É uma irreverência tão forçada que você acha que, para ser irreverente, basta nascer no Rio Grande do Sul, pegar um microfone e berrar bastante acompanhando por uns amigos que fingem tocar bem. O problema principal é que o Cachorro Grande acústico é uma bosta colossal e insofismável. "Hey Amigo!" ainda tem um pianinho pra segurar, mas "Que Loucura!", no violão, parece mais com alguma composição descolada do Lulu Santos. "O Dia de Amanhã" parece música de auto-ajuda, vamos todos dar as mãos e tal.

Salve-se quem puder, depois vem o Ultramen. Cheia de suingue, de balanço, de scratches, de reggae... Uma mistureba pra lá de indigesta, sem um pingo de criatividade, com direito à mensagem sobre a problemática social e o Falcão do Rappa também ajudando a encher o saco. Grosso modo, o Ultramen é uma mistura gaúcha do Cidade Negra com os piores momentos do Jorge Benjor e do Pedro Luís e a Parede. Fora o vocal afetado tentando imitar o Ed Mota em "Preserve" (preserve seu saco, evite ouvir este disco). Perguntinha básica: o que essa banda tem a ver com o formato acústico?... Ao menos, eles não bancam os engraçadinhos como as bandas anteriores, e isso é um ponto positivo.

No fim, temos uma pequena clemência: é o Wander Wildner, ex-vocalista dos Replicantes. Perto das três bandas anteriores, o cara é o Morrisey. Ao menos, dá uma pequena colher de chá, suas músicas não são tão cretinas e arrogantes quanto as outras do álbum, são apenas chatinhas, bregas pra universitários descolados. No entanto, aí o problema é o formato acústico, que parece mais uma cama de Procusto. Todas as composições se tornam iguais, fica difícil qualquer tipo de arranjo que possa se sobressair frente à pasteurização musical. Parece que a produção da MTV dá um manual de "como se fazer um acústico" pra todos os músicos antes de começarem os ensaios. Obedientes como são, seguem às instruções à risca. E você já sabe o que vai ouvir antes mesmo de o disco ficar pronto. Pra piorar, Wildner, quando força a barra em "Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo", fica tão sem graça e babaca quanto seus conterrâneos do Bidê ou Balde: "Eu fico pelado no quarto batendo punheta / parece uma grande bobagem / mas é o que eu faço quando estou porreta, e eu tô porreta". É pra rir disso? É pra achar engraçado? Rá, rá, rá. Apenas mais uma brincadeira sem graça, embora bem menos presunçosa e pretensiosa.

Resumindo: este acústico é a tentativa de se fazer um disco com quatro nomes que não são capazes nem de encher um EP que preste. Fuja dessa bomba.

 

 

 

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