A MTV já fez acústico
com praticamente deus e todo mundo. Então, a nova tática
da emissora para não perder o filão da marca "Acústico"
parece ser reunir qualquer coisa que apareça na frente. A
coisa tá tão feia no mercado fonográfico brasileiro
que daqui a pouco os produtores vão sair nos becos, lotes
vagos e lixões das periferias pra capturar bandos de cachorros
vira-latas e gravarem acústicos com eles. Garanto que pior
que esse Acústico Bandas Gaúchas não
vai ficar.
Parece que descobriram que existe algo mais ridículo para
uma banda do que se prestar a fazer um acústico para a MTV:
é dividir um acústico para a MTV junto com outras
bandas. Ou seja: sua banda é tão ruim que nem consegue
ser decadente, porque, para ser decadente, deveria ter feito algum
sucesso no passado, ter tido alguma relevância na programação
jabazeira das rádios fms, emplacado algum hit - na base do
jabá mesmo, claro. Mas nem isso a gravadora fez por essas
bandas de segunda classe. Ainda bem que se orgulham de serem "underground",
não é mesmo? Bem, agora a MTV resolveu dar uma chance
a essa galera, para que todos possam mostrar seu talento e sua inventividade...
No formato acústico. Genial. Agora sim, essas bandas vão
ter a oportunidade de se mostrarem ao grande público e vão
explodir. BUUUUUMMMMMMMM!
Temos aqui na verdade quatro exemplos de ejaculação
precoce musical vindos lá do Rio Grande do Sul (barbaridade...):
Bidê ou Balde, Cachorro Grande, Ultramen e o Wander Wildner.
Talvez valesse a pena fazer um concurso de qual o pior entre os
quatro, se você realmente quiser perder preciosos minutos
da sua vida ouvindo isso. Mas a escolha certamente será árdua.
O álbum começa com o Bidê ou Balde, que é
sempre a mesma coisa, quem já ouviu uma música já
ouviu todas. Aquele humor bobo, piadinhas repetidas à exaustão
- nossa, como somos descolados e criativos. E bem-humorados, claro.
Será que ninguém pode falar claramente, com todas
as letras, que essa banda é uma bosta? Só porque é
menos ruim que muitas coisas que estão por aí, não
quer dizer que o Bidê ou Balde mereça alguns segundos
de nossa preciosa atenção. O destaque (hein?) é
o mega-hiper-ultra-super-foda sucesso (hein?) "Melissa",
com o Roger do Ultraje a Rigor dando uma força (hein?) nos
vocais. A curiosidade fica por conta de "E Por Que Não?",
acusada por algumas entidades de defesa da criança e do adolescente
de apologia à pedofilia. Veja a letra da pérola e
tire sua própria conclusão: "Eu estou amando/
a minha menina/ E como eu adoro/ suas pernas fininhas (...) Eu estou
adorando ver a minha menina/ com algumas colegas, dela da escolinha/
Eu estou apaixonado pela minha menina". Uma bosta de uma brincadeira
sem graça e estúpida, sem falar que a música
é uma merda.
Segue o disco, aparece mais uma turma de engraçadinhos:
é o Cachorro Grande. Você ouve uma música deles
e até acha divertido. Depois que ouve as outras, vê
que todas são parecidas... com as do Bidê ou Balde.
É uma irreverência tão forçada que você
acha que, para ser irreverente, basta nascer no Rio Grande do Sul,
pegar um microfone e berrar bastante acompanhando por uns amigos
que fingem tocar bem. O problema principal é que o Cachorro
Grande acústico é uma bosta colossal e insofismável.
"Hey Amigo!" ainda tem um pianinho pra segurar, mas "Que
Loucura!", no violão, parece mais com alguma composição
descolada do Lulu Santos. "O Dia de Amanhã" parece
música de auto-ajuda, vamos todos dar as mãos e tal.
Salve-se quem puder, depois vem o Ultramen. Cheia de suingue, de
balanço, de scratches, de reggae... Uma mistureba pra lá
de indigesta, sem um pingo de criatividade, com direito à
mensagem sobre a problemática social e o Falcão do
Rappa também ajudando a encher o saco. Grosso modo, o Ultramen
é uma mistura gaúcha do Cidade Negra com os piores
momentos do Jorge Benjor e do Pedro Luís e a Parede. Fora
o vocal afetado tentando imitar o Ed Mota em "Preserve"
(preserve seu saco, evite ouvir este disco). Perguntinha básica:
o que essa banda tem a ver com o formato acústico?... Ao
menos, eles não bancam os engraçadinhos como as bandas
anteriores, e isso é um ponto positivo.
No fim, temos uma pequena clemência: é o Wander Wildner,
ex-vocalista dos Replicantes. Perto das três bandas anteriores,
o cara é o Morrisey. Ao menos, dá uma pequena colher
de chá, suas músicas não são tão
cretinas e arrogantes quanto as outras do álbum, são
apenas chatinhas, bregas pra universitários descolados.
No entanto, aí o problema é o formato acústico,
que parece mais uma cama de Procusto. Todas as composições
se tornam iguais, fica difícil qualquer tipo de arranjo
que possa se sobressair frente à pasteurização
musical. Parece que a produção da MTV dá um
manual de "como se fazer um acústico" pra
todos os músicos antes de começarem os
ensaios. Obedientes como são, seguem às
instruções à
risca. E você já sabe o que vai ouvir antes mesmo
de o disco ficar pronto. Pra piorar, Wildner, quando força
a barra em "Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo",
fica tão sem graça e babaca quanto seus conterrâneos
do Bidê ou Balde: "Eu fico pelado no quarto batendo
punheta / parece uma grande bobagem / mas é o que eu faço
quando estou porreta, e eu tô porreta". É pra
rir disso? É pra achar engraçado? Rá, rá,
rá. Apenas mais uma brincadeira sem graça, embora
bem menos presunçosa e pretensiosa.
Resumindo: este acústico é a tentativa de se fazer
um disco com quatro nomes que não são capazes nem
de encher um EP que preste. Fuja dessa bomba.
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