Esta coluna é fruto
da pressão editorial da semana passada. Emputecido com meu
atraso em mandar o texto mais horrível
que eu me lembro de já ter feito, o executor-editivo
dessa bagaça me “sugeriu” bolar uma lixeira sobre
os discos novos do Ludov, Pato Fu ou outro cara cujo nome eu esqueci.
O único porém é que eu não conheço
nenhuma dessas bandas e não teria muito embasamento pra escrever
a respeito. Falar que é ruim é moleza, mas eu não
saberia sustentar o argumento de maneira convincente. Assim, resolvi
pegar um disco recente que eu conheço pra detonar, e o escolhido
foi Graveyard Classics 2, penúltimo disco do Six
Feet Under (o mais novo mesmo, 13, eu não ouvi).
Antes, um pouco de história: a banda foi armada em meados
de 95, ano em que lançou o debut Haunted.
Originalmente, o SFU (por pouco não vira uma sigla imprópria)
era um projeto paralelo do então vocalista da banda de death
metal clichê Cannibal
Corpse, Chris
Barnes, com Allen West, guitarrista de outra banda meio sem
sal, Obituary.
Em algum momento entre 97 e 99, o mano do Obituary deixou o SFU.
Antes disso, em 94, o Chris Barnes saiu (as más línguas
dizem que ele foi saído) tretado do Cannibal Corpse. Não
dá pra dizer se foi melhor ou pior, o som do CC continuou
igual e hoje em dia o Barnes tem dreads e fez até uma música
em parceria com o Ice-T!
De lá pra cá, o SFU tem servido pra mostrar a aptidão
pra fanfarronice que o Chris Barnes tem. O auge do presepismo foi
em 2000, quando a banda lançou um álbum chamado Graveyard
Classics, em que coverizava um monte de hits do punk e
do metal, como “California Über Alles” (Dead Kennedys),
“Purple Haze” (Jimi Hendrix), “(I’m Not)
Your Steppin’ Stone” (a versão do Sex Pistols!),
“Sweet Leaf” (Black Sabbath) e, claro, “Smoke
on the Water” (Deep Purple). A rigor, as estruturas das músicas
eram idênticas às originais, com o diferencial sendo
o vocal do Chris Barnes, que canta como se estivesse com um pedaço
de bolo na boca.
Quatro anos depois, a magia se repete. Graveyard Classics 2
é a prova de que uma banda nunca se rebaixou o suficiente,
nem mesmo o Celtic
Frost no Cold Lake. Neste disco, o Six Feet Under não
se contenta apenas em tocar as músicas dos outros, os caras
resolveram regravar o Black
in Black, do AC/DC. O álbum INTEIRO do AC/DC! Soa
ridículo. É por aí.
Graveyard Classics 2 é muito engraçado.
Exemplo clássico da máxima “tão ruim
que é bom” que costuma ser aplicada a alguns programas
de TV e mais recentemente a um certo presidente do Legislativo,
é um disco que provoca risos involuntários. O vocal
de Barnes não varia nunca, é sempre o mesmo som que
uma pessoa rouca fazendo força pra cagar emitiria. A banda
de apoio (aqui, eles são coadjuvantes) não pisa muito
na bola, mas não sai do feijão-com-arroz que são
as músicas do AC/DC, com as guitarras afinadas alguns tons
abaixo. Salvo o enrosco na parte rápida da faixa-título,
está tudo mais ou menos certo.
O destaque mesmo é o vocal do Chris Barnes, que deixa você
se perguntando como é que ninguém nunca se dispôs
antes a mostrar que o death metal pode divertir tanto se for levado
a sério (por quem toca esse estilo, não por quem escuta).
O ponto alto é lá no fim do disco, no começo
de “Rock and Roll ain’t Noise Pollution”, em que
uma voz de monstro do biscoito proclama “Jus’ get aff
yor ass and cum down hear...cos’ rokken’ roll makes
good, good sex...GOOD SEX!!!!”. No geral, o álbum vale
a pena ser ouvido por conta de pérolas como essa. Eu mesmo
tenho dúvidas se ele merecia uma “Lixeira” ou
um “Corra Atrás!”, mas me foi pedido uma “Lixeira”,
então... Eu encaro esse disco como ficar assistindo a um
acidente de trem - é horrível, mas você não
consegue desviar o olhar (ou o ouvido).
O Glen Benton pode dizer que vai cometer suicídio aos 33
anos ou queimar outra cruz de ponta-cabeça na testa, mas
Graveyard Classics 2 é garantido pra desopilar seu
fígado bem mais que qualquer factóide do Deicide.
Nacional - Metal Blade Records/Sum Records
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