Olha
que bacana! Uma homenagem a Raul Seixas! Que lindo! Que gesto mais
bonito de tantos artistas e das gravadoras! Vamos esquecer que,
depois de terem chupado sua música, as gravadoras pelas quais
passou cuspiram fora o bagaço; na década de 80, dominado
pelo alcoolismo, Raulzito foi parar na Chantecler (!); abandonado
por todos (exceto, e louve-se, apoiado até o fim por Marcelo
Nova, nisso aí ele foi muito digno, ele esteve até
no enterro), morreu à míngua, em total decadência,
em agosto de 1989.
E agora
vão homenagear o cara? Pra p*************. Pra casa do c******.
Porque quando ele tanto precisava, quem o ajudou??? Agora, as gravadoras
lançam de vez em quando alguma besteira desse nível,
mas em vida não hesitaram em deixá-lo à própria
sorte. É verdade que Raul Seixas era um porra louca total,
literalmente dissolveu seu pâncreas em álcool, mas
você pode contar nos dedos as pessoas que o apoiaram. E agora
fica todo mundo fazendo homenagens, tributos... Que pouca vergonha,
não?
Dessa
vez, fizeram um show com sucessos de Raul Seixas interpretados por
grandes ídolos de nossa música. E gravaram e lançaram
um cd duplo e um dvd. Se não bastasse a hipocrisia da homenagem,
a qualidade final do produto é muito fraca. Isso porque,
definitivamente, é meio complicado misturar Zélia
Duncan, Pitty e B. Negão em três faixas seguidas em
uma seqüência no primeiro cd. O disco, aliás,
começa com "Gita" na voz de Toni Garrido, o que
pode ser definido como uma completa aberração, uma
performance simplesmente abominável (como o cara geme, meu
Deus, parece que está parindo alguém). Depois, ainda
temos que agüentar o Cpm 22, fazendo hard rock em cima de "O
Carimbador Maluco" e "Al Capone". Assim, engolir
o B. Negão (caiu de pára-quedas aqui?) em "É
Fim de Mês", com direito a um coral esquisitíssimo
fazendo uma segunda voz de gosto pra lá de duvidoso, fica
até fácil. Em seguida, ele e o D2 misturam "Give
it Away", do Red Hot Chilli Peppers, com "Como Vovó
Já Dizia". Não ficou nem uma coisa nem outra.
A Pitty
comparece, como bom arroz de festa que se preze, em "Eu Sou
Egoísta". Mostra que, definitivamente, não canta
absolutamente nada, é uma péssima cantora, com uma
entonação que não encontra o timbre correto
de jeito nenhum. Muitos berros e pouco fôlego. E, claro, tem
um bônus que é um remix de "Como Vovó Já
Dizia" - sempre tem remix, faixa bônus, essas bobagens
todas em discos como esse, já repararam? Ah, detalhe para
a performance ridícula de Mauricio Baia em "Ouro de
Tolo", ele canta a música no palco de terno e pasta
de couro, depois se enforca na gravata. Que legal, é um teatrinho,
agora eu finalmente entendi a letra da música. Que gênio.
Mas isso é só pra quem tiver o "privilégio"
de assistir em dvd, ok?
No
segundo cd, as tosqueiras continuam. Tem Gabriel, o Falador, Detonautas,
Raimundos... E Caetano Veloso, que brinca de "Maluco Beleza",
com voz e violão (ouça mais de 30 segundos e concorra
a uma viagem para o Iraque), e depois aparece uma bandinha tipo
de festa de 15 anos acompanhando. "Tente Outra Vez", com
Sandra de Sá, é pra mandar qualquer um embora - música
de videokê, a essa altura do campeonato, é dose pra
elefante. Logo no primeiro verso, a cantora avisa à galera:
"eu sou negonaaaaaaaaaaaaaaaaaaa". "Let Me Sing,
Let Me Sing" junta Érika (a péssima cantora da
péssima extinta banda Penélope) e Os Autoramas, que
aqui provam que vale tudo para chegar ao mainstream.
Falando
em mainstream, Lobão canta "Rock Do Diabo" sem
a menor inspiração. Dá pra desistir, é
tudo muito chato, muito bobo mesmo. Ficou parecendo que o show foi
juntar umas bandas com uns cantores, dois ou três ensaios
e tá beleza, afinal de contas o público hoje em dia
engole qualquer coisa. O AfroReggae ao menos tentou variar em "Mosca
Na Sopa", o problema é que a música não
era a mais propícia pra isso - pensando bem, a banda também
não é propícia pra nada. Encerrando a "homenagem",
vem Nasi Wolverine com "Sociedade Alternativa". Só
faltou acender uma fogueira e fazer um lual. Que dureza. Daí
vem sua vozinha rouca num arranjo completamente banal - ah, tem
um sonzinho de órgão no fundo! E tem bateria também.
Dãããã. E Nasi repetindo o bordão
"quero ouvir vocês!!!!!!" umas 98 vezes em 6 (seis!!!)
minutos simplesmente intermináveis. E depois tem um remix
também. "Rock das 'Aranha'" tipo disco riscado.
Quer
homenagear Raul Seixas? Procure nas lojas Novo Aeon, álbum
lançado em 1975 que é um sensacional retrato daquela
época. Esse é o disco de Raul Seixas,
um dos melhores da história do pop brasileiro, sem dúvida
alguma. Não perca seu precioso tempo com besteiras como essa.
E só lamento que Marcelo Nova também esteja aqui neste
show - ressaltando que eu o respeito por ter estado do lado de Raul
Seixas nos tempos mais difíceis, sendo seu apoio (literalmente,
afinal o cara não parava em pé), não pela sua
música, que acho uma bosta. Mas, sinceramente, não
vou julgar suas intenções. O que acho é que
a gente deve fazer alguma coisa pelas pessoas enquanto elas estão
vivas e precisando de nós, não realizar maravilhosas
homenagens e tributos depois de 15 anos de morte no quase abandono.
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