E
está de volta mais uma banda moribunda dos anos 80, daquelas
que há muito tempo vegeta no CTI e insistem em manter os
aparelhos ligados. Tenho que dar a mão a palmatória
para Frejat e seus sequazes: a insistência do Barão
Vermelho em prosseguir na sua (horrenda) trajetória revela
uma genuína vocação para a mediocridade.
Século
21 aí já aos cinco, seis minutos do primeiro tempo
e o que esses manés têm a dizer? Vamos voltar no tempo
pra ficar mais claro: qual a relevância de uma banda chinfrim
como essa para a música? Bem, mesmo que você considere
o rock nacional dos anos 80 uma maravilha (estou vendendo um terreno
na lua, é baratinho, baratinho, se quiser comprar pode me
contactar por email mesmo, divido em até 12 vezes), pense
um pouco: o que o Barão Vermelho representa hoje, vinte anos
depois de seu auge? Eu respondo: uma patética sombra daquilo
que jamais foi - uma banda decente.
Pra
quê eles voltaram?... Se nunca fizeram nada de relevante a
não ser tentar imitar riffs dos Rolling Stones (provando
a incompetência costumeira dos roqueiros tupiniquins), o que
poderiam fazer agora, quando estão no auge absoluto e incontestável
de sua decadência?
Não
poderiam fazer nada que prestasse, mesmo. E o novo petardo da banda
é o que qualquer pessoa sensata poderia esperar: uma besteira
completa. Depois de flertarem desesperadamente com a eletrônica,
agora eles assumiram a incompetência ao tentarem pela enésima
vez a velha e surrada fórmula de fazerem rocks de fácil
digestão, com rimas forçadas ao máximo pra
tentarem emplacar algum hit nas Fms jabazeiras da vida.
Pelo
menos, não há como não reverenciar a honestidade
dos caras, já que a faixa "Cuidado" é um
aviso aos incautos que estiverem com esse disco pra ouvir - só
faltou um versinho tipo "(cuidado com) o que você ouve"...
O Frejat tá dando uma de tiozinho pra aconselhar a molecada.
Aê galerinha do mal, vamos ouvir o Frejat. Guitarrinhas infames
e um vocal meio abafado, pra dar um efeito de sufocamento, completam
o desastre.
Em
"A Chave da Porta da Frente" o Frejat banca o poeta, já
pelo nome da música você sente aquele frio na espinha
- "parece uma daquelas músicas chatas do Nando Reis",
você pode pensar à primeira vista. Não, é
uma daquelas músicas chatas do Barão, mesmo. Na verdade,
o ritmo da canção é uma chupação
barata dos momentos atuais do Santana - ou seja, piorar o que já
é ruim, algo que o Barão é mestre em fazer.
Claro
que o amor, ah o amor, está presente aqui neste disco maravilhoso.
Está na enfadonha "Pra Toda Vida", que parece ter
sido escrita por um daqueles adolescentes losers apaixonados. Tem
tecladinho, aquele clima, bongôs e a voz asmática do
Frejat. Depois tem um recado pra quem tá ouvindo o disco:
"Embriague-se", porque pra ser capaz de ouvir o Barão
Vermelho só mesmo tomando um porre completo.
Tem
mais besteiras inúteis e dispensáveis, que fazem acreditar
piamente que esse disco daqui a uns dois ou três anos já
terá caído com justeza no limbo da história
e talvez nem mesmo os próprios integrantes da banda se lembrem
que um dia isto existiu. Entre guitarras altas e barulhentas, claro,
Frejat tenta convencer a todos de sua inata condição
de roqueiro/poeta herdeiro musical de Cazuza. Só consegue
provar que é ainda pior que o "poetinha". É
tudo muito chato, pedante, insosso e sem sentido. "Cigarro
Aceso no Braço" é a balada pop do disco, com
direito a tecladinho tipo piano e declaração à
amada tipo "eu preciso de vocêêêêêê"
pra lavar as minhas cuecas. Meu Deus, que papo furado. Tem "A
Máquina de Escrever", que se parece muito mais uma chupação
de "Epitáfio", dos Titãs, em sua idéia
central. E é uma poesia daquelas de terceira categoria, como
daquele pessoal que fica pela cidade vendendo seus livrinhos de
poesia, enchendo o saco. Mas graças a Deus o disco está
em seu final e "Só o Tempo" é mais uma demonstração
de repetitividade, falta de vergonha e incapacidade, dessa vez com
uns teclados mais pop no fundo.
E enfim...
Pra quê perder mais tempo com uma banda tão ruim como
essa, que já enganou muitos e continua iludindo a tantos
outros com essa "semelhança" com os Rolling Stones?
O disco homônimo do Barão Vermelho já é
o coroamento de uma carreira vergonhosamente ruim, mas que não
deixa de ser apenas um entre vários exemplos de boçalidade
em nosso combalido e quase sempre péssimo rock brasileiro.
|