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Beagá, 21 de fevereiro de 2005 d.C.
 

Barão Vermelho
Barão Vermelho

Por Cajabis Cannabis
 

E está de volta mais uma banda moribunda dos anos 80, daquelas que há muito tempo vegeta no CTI e insistem em manter os aparelhos ligados. Tenho que dar a mão a palmatória para Frejat e seus sequazes: a insistência do Barão Vermelho em prosseguir na sua (horrenda) trajetória revela uma genuína vocação para a mediocridade.

Século 21 aí já aos cinco, seis minutos do primeiro tempo e o que esses manés têm a dizer? Vamos voltar no tempo pra ficar mais claro: qual a relevância de uma banda chinfrim como essa para a música? Bem, mesmo que você considere o rock nacional dos anos 80 uma maravilha (estou vendendo um terreno na lua, é baratinho, baratinho, se quiser comprar pode me contactar por email mesmo, divido em até 12 vezes), pense um pouco: o que o Barão Vermelho representa hoje, vinte anos depois de seu auge? Eu respondo: uma patética sombra daquilo que jamais foi - uma banda decente.

Pra quê eles voltaram?... Se nunca fizeram nada de relevante a não ser tentar imitar riffs dos Rolling Stones (provando a incompetência costumeira dos roqueiros tupiniquins), o que poderiam fazer agora, quando estão no auge absoluto e incontestável de sua decadência?

Não poderiam fazer nada que prestasse, mesmo. E o novo petardo da banda é o que qualquer pessoa sensata poderia esperar: uma besteira completa. Depois de flertarem desesperadamente com a eletrônica, agora eles assumiram a incompetência ao tentarem pela enésima vez a velha e surrada fórmula de fazerem rocks de fácil digestão, com rimas forçadas ao máximo pra tentarem emplacar algum hit nas Fms jabazeiras da vida.

Pelo menos, não há como não reverenciar a honestidade dos caras, já que a faixa "Cuidado" é um aviso aos incautos que estiverem com esse disco pra ouvir - só faltou um versinho tipo "(cuidado com) o que você ouve"... O Frejat tá dando uma de tiozinho pra aconselhar a molecada. Aê galerinha do mal, vamos ouvir o Frejat. Guitarrinhas infames e um vocal meio abafado, pra dar um efeito de sufocamento, completam o desastre.

Em "A Chave da Porta da Frente" o Frejat banca o poeta, já pelo nome da música você sente aquele frio na espinha - "parece uma daquelas músicas chatas do Nando Reis", você pode pensar à primeira vista. Não, é uma daquelas músicas chatas do Barão, mesmo. Na verdade, o ritmo da canção é uma chupação barata dos momentos atuais do Santana - ou seja, piorar o que já é ruim, algo que o Barão é mestre em fazer.

Claro que o amor, ah o amor, está presente aqui neste disco maravilhoso. Está na enfadonha "Pra Toda Vida", que parece ter sido escrita por um daqueles adolescentes losers apaixonados. Tem tecladinho, aquele clima, bongôs e a voz asmática do Frejat. Depois tem um recado pra quem tá ouvindo o disco: "Embriague-se", porque pra ser capaz de ouvir o Barão Vermelho só mesmo tomando um porre completo.

Tem mais besteiras inúteis e dispensáveis, que fazem acreditar piamente que esse disco daqui a uns dois ou três anos já terá caído com justeza no limbo da história e talvez nem mesmo os próprios integrantes da banda se lembrem que um dia isto existiu. Entre guitarras altas e barulhentas, claro, Frejat tenta convencer a todos de sua inata condição de roqueiro/poeta herdeiro musical de Cazuza. Só consegue provar que é ainda pior que o "poetinha". É tudo muito chato, pedante, insosso e sem sentido. "Cigarro Aceso no Braço" é a balada pop do disco, com direito a tecladinho tipo piano e declaração à amada tipo "eu preciso de vocêêêêêê" pra lavar as minhas cuecas. Meu Deus, que papo furado. Tem "A Máquina de Escrever", que se parece muito mais uma chupação de "Epitáfio", dos Titãs, em sua idéia central. E é uma poesia daquelas de terceira categoria, como daquele pessoal que fica pela cidade vendendo seus livrinhos de poesia, enchendo o saco. Mas graças a Deus o disco está em seu final e "Só o Tempo" é mais uma demonstração de repetitividade, falta de vergonha e incapacidade, dessa vez com uns teclados mais pop no fundo.

E enfim... Pra quê perder mais tempo com uma banda tão ruim como essa, que já enganou muitos e continua iludindo a tantos outros com essa "semelhança" com os Rolling Stones? O disco homônimo do Barão Vermelho já é o coroamento de uma carreira vergonhosamente ruim, mas que não deixa de ser apenas um entre vários exemplos de boçalidade em nosso combalido e quase sempre péssimo rock brasileiro.

 

 

 

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