Depois do sucesso do
Audioslave, teve gente que resolveu pegar carona na fórmula
de juntar ex-integrantes de uma banda com o ex-vocalista de outra
para tentar emplacar na MTV e ganhar uns trocos. É o caso
do Velvet Revolver, que além de um nome genial tinha toda
uma expectativa em torno da estréia. Afinal, era a reunião
de três ex-músicos do Guns And Roses (o guitarrista
Slash, o baixista Duff McKagan e o baterista Matt Sorum) ao lado
do vocalista Scott Weiland, do finado Stone Temple Pilots. O quê?
Você não gosta de Guns? Nem de STP? Vai enganar outro...
No papel, parecia uma idéia destinada ao
sucesso imediato. Afinal, o Guns tinha uma cozinha vigorosa e um
dos mais populares guitarristas do rock contemporâneo. E Scott
Weiland cantava bem demais, bem melhor que muitos coleguinhas do
movimento grunge. O novo grupo passou muito tempo apenas como algo
que estava para sair “breve numa loja perto de você”.
Gravou no ano passado a faixa “Set Me Free” para a trilha
sonora de Hulk e parece ter tido o feedback necessário
para meter a cara num disco cheio.
E foi daí que saiu Contraband, lançado
mês passado no Brasil. O álbum é mais uma prova
de que expectativa demais azeda qualquer caldo. Ou melhor, de que
expectativa nenhuma salva um caldo que já nasce azedo. Se
você não quiser se sentir extorquido ao comprar o CD,
é melhor se despir de qualquer esperança de ouvir
coisa boa. Falando sério. Em tempos de excelentes bandas
farofa, como o Hellacopters e o Darkness, o Velvet Revolver soa
limitado, pouco empolgante e não passa de apenas um ótimo
nome.
O disco começa com “Sucker Train Blues”,
uma faixa que tem bem aqueles clichês do Guns. Introdução
com guitarra dedilhada sem distorção, bateria na manha
e um ruído de sirene no fundo. Aí depois entra o riffão
do Slash e o vocal do Axl, ops, do Scott Weiland. Engraçado
é que na segunda faixa, “Do It For The Kids”,
as vozes dos dois lendários cantores estão realmente
parecidas, mas sem os exageros do Guns original. Mais adiante, em
“Illegal I Song”, as semelhanças somem, mas o
estilo Weiland de cantar está irreconhecível - frases
curtas berradas de um jeito meio new metal enquanto rola um riff
seco e uma bateria econômica.
“Spectacle” até que é
uma musiquinha bacana, mas o problema é que logo depois vem
a prova de fogo das bandas de hard rock: a balada. No caso desse
disco do VR, ela se chama “Fall To Pieces”. Começa
com violãozinho, voz suave… Aí depois entra
a guitarra distorcida e o solinho estridente no fundo. Mais brega
e piegas que Whitesnake, tão tosco quanto Europe e Dokken.
Ah, que saudades de “Patience” e “November Rain”...
Depois, mais dois rockões sem sal, “Headspace”
e “Superhuman”, que parecem músicas do Bro’z
perto até do Audioslave. Que dirá perto de Guns e
Stone Temple Pilots… “Set Me Free”, a faixa do
Hulk, é a melhorzinha do disco. Pena que seja a única
que se salve. Porque depois vem outra lentinha odiosa, “You
Got No Right”. Ainda sobram três músicas para
conferir, mas não há mais saco... Por mais que “Slither”
e “Dirty Little Thing” tenham lá o seu valor,
não dá pra não desmerecer um disco que tem
como faixa de encerramento a pior balada rock do ano, “Loving
The Alien”, que se arrasta por intermináveis 5 minutos
e 48 segundos com a empolgação de uma corrida de cágados.
Resumindo a ópera, não dá pra
agüentar mesmo. Quem tem banda larga em casa pode até
baixar para conferir. Mas se você ainda gasta dinheiro em
lojas, invista em outras coisas como Appetite For Destruction,
dos Guns, ou Tiny Music, do Stone Temple Pilots. Não
dê dinheiro para Slash e companhia. Deixe que eles tentem
faturar colocando o Axl Rose na Justiça.
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