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Beagá, 19 de julho de 2004 d.C.
 

Velvet Revolver
Contraband

Por Caboclo Alaranjado
 

Depois do sucesso do Audioslave, teve gente que resolveu pegar carona na fórmula de juntar ex-integrantes de uma banda com o ex-vocalista de outra para tentar emplacar na MTV e ganhar uns trocos. É o caso do Velvet Revolver, que além de um nome genial tinha toda uma expectativa em torno da estréia. Afinal, era a reunião de três ex-músicos do Guns And Roses (o guitarrista Slash, o baixista Duff McKagan e o baterista Matt Sorum) ao lado do vocalista Scott Weiland, do finado Stone Temple Pilots. O quê? Você não gosta de Guns? Nem de STP? Vai enganar outro...

No papel, parecia uma idéia destinada ao sucesso imediato. Afinal, o Guns tinha uma cozinha vigorosa e um dos mais populares guitarristas do rock contemporâneo. E Scott Weiland cantava bem demais, bem melhor que muitos coleguinhas do movimento grunge. O novo grupo passou muito tempo apenas como algo que estava para sair “breve numa loja perto de você”. Gravou no ano passado a faixa “Set Me Free” para a trilha sonora de Hulk e parece ter tido o feedback necessário para meter a cara num disco cheio.

E foi daí que saiu Contraband, lançado mês passado no Brasil. O álbum é mais uma prova de que expectativa demais azeda qualquer caldo. Ou melhor, de que expectativa nenhuma salva um caldo que já nasce azedo. Se você não quiser se sentir extorquido ao comprar o CD, é melhor se despir de qualquer esperança de ouvir coisa boa. Falando sério. Em tempos de excelentes bandas farofa, como o Hellacopters e o Darkness, o Velvet Revolver soa limitado, pouco empolgante e não passa de apenas um ótimo nome.

O disco começa com “Sucker Train Blues”, uma faixa que tem bem aqueles clichês do Guns. Introdução com guitarra dedilhada sem distorção, bateria na manha e um ruído de sirene no fundo. Aí depois entra o riffão do Slash e o vocal do Axl, ops, do Scott Weiland. Engraçado é que na segunda faixa, “Do It For The Kids”, as vozes dos dois lendários cantores estão realmente parecidas, mas sem os exageros do Guns original. Mais adiante, em “Illegal I Song”, as semelhanças somem, mas o estilo Weiland de cantar está irreconhecível - frases curtas berradas de um jeito meio new metal enquanto rola um riff seco e uma bateria econômica.

“Spectacle” até que é uma musiquinha bacana, mas o problema é que logo depois vem a prova de fogo das bandas de hard rock: a balada. No caso desse disco do VR, ela se chama “Fall To Pieces”. Começa com violãozinho, voz suave… Aí depois entra a guitarra distorcida e o solinho estridente no fundo. Mais brega e piegas que Whitesnake, tão tosco quanto Europe e Dokken. Ah, que saudades de “Patience” e “November Rain”...

Depois, mais dois rockões sem sal, “Headspace” e “Superhuman”, que parecem músicas do Bro’z perto até do Audioslave. Que dirá perto de Guns e Stone Temple Pilots… “Set Me Free”, a faixa do Hulk, é a melhorzinha do disco. Pena que seja a única que se salve. Porque depois vem outra lentinha odiosa, “You Got No Right”. Ainda sobram três músicas para conferir, mas não há mais saco... Por mais que “Slither” e “Dirty Little Thing” tenham lá o seu valor, não dá pra não desmerecer um disco que tem como faixa de encerramento a pior balada rock do ano, “Loving The Alien”, que se arrasta por intermináveis 5 minutos e 48 segundos com a empolgação de uma corrida de cágados.

Resumindo a ópera, não dá pra agüentar mesmo. Quem tem banda larga em casa pode até baixar para conferir. Mas se você ainda gasta dinheiro em lojas, invista em outras coisas como Appetite For Destruction, dos Guns, ou Tiny Music, do Stone Temple Pilots. Não dê dinheiro para Slash e companhia. Deixe que eles tentem faturar colocando o Axl Rose na Justiça.

 

 

 

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