Courtney
Love sempre foi uma celebridade que se destacou mais pela boca do
que pelo talento. Não que a ex-senhora Cobain tenha lábios
irresistíveis (são convidativos, aliás). Mas
digo isso pelo simples fato de que, apesar de ter produzido pouquíssimo
(quantitativamente e qualitativamente), ela sempre esteve superexposta
na mídia. Seja por causa de brigas na Justiça com
Deus e o mundo ou por papéis medianos no cinema. Mas, em
se tratando de música, qual foi a contribuição
dela para a música pop? Nos últimos dez anos, após
o suicídio de Kurt, ela só lançou dois discos:
Celebrity Skin, com o finado Hole em 1998, e este America´s
Sweetheart, que chega com status de platinado às prateleiras
do mundo todo.
Ao
colocar a bolacha quentinha no CD player, a impressão que
se tem é que Courtney sabe que não precisa da música
pra se manter no status que conquistou (?). Ela parece ter a convicção
de que, para ficar no estrelato, só basta um escândalo
aqui, uma declaração polêmica ali e um gesto
obsceno acolá. É uma espécie de Darlene ou
Jacqueline Joy de Seattle.
Logo
na faixa de abertura, o single “Mono”, Courtney deixa
isso bem claro. Ela joga lenha na fogueira de uma discussão
tão velha quanto qualquer coisa. “Eles disseram que
o rock está morto / E provavelmente estão certos”.
Então tá... A música é apenas um detalhe.
Mas essa até que nem é tão ruim assim. Riffão,
refrão pegajoso... O duro é ter que aturar a quase
ex-balzaca (Love completa 40 anos em julho) querendo fazer todo
mundo acreditar que ela sabe cantar. Ninguém é corajoso
o suficiente pra dizer o contrário, não é verdade?
Principalmente depois da ruindade ter sido registrada em faixas
pesadinhas e de andamento quebrado como “But Julian, I´m
A Little Older Than You” e baladas como “Hold On To
Me”. Fiasco de todos os jeitos.
Não bastassem essas limitações
vocais, a estratégia “novela da oito” rumo à
fama dá no saco. Love berra palavrões e fala de drogas
e sexo que nem uma metralhadora da Rota, a polícia assassina
de São Paulo. Mas tudo parece uma colagem aleatória
de baixaria, feita sob medida para ganhar o selinho de “Explicit
Lyrics” na capa.
O mais engraçado é que para fazer
tranqueiras como as arrastadas “Almost Golden” e “Uncool”,
Courtney Love contou com parcerias um tanto quanto inusitadas. Uma
delas é Linda Perry, ex-líder do nada saudoso Four
Non Blondes, que co-assina N faixas. A outra é a presença
de Bernie Taupin, letrista do Elton John. Aí vale aquele
velho ditado: diga-me com quem andas e eu te direi quem és.
Pior para Linda e Bernie...
Mas não adianta mudar de assunto: o disco
segue ruim até o fim. Ruim de doer. Para quem ainda tinha
dúvidas sobre as debilidades vocais da mãe de Francês
Bean Cobain, a faixa “Plague”. Quando você pensa
que ela já foi no limite mais baixo do vocal bagaceira, ela
surpreende cada vez mais. Courtney berra, desafina, rasga a traquéia.
O ouvinte pede paz.
“Hello” é uma pequena trégua,
um rockinho popish e na medida pra pogar. É o máximo
que a ex-primeira dama do grunge pode fazer. Não adianta
pedir mais. E ela sabe disso. Tanto é que a faixa seguinte,
“Zeppelin Song”, volta para o (baixo) nível de
antes. É de lá que sai o verso mais imbecilmente surreal
dos últimos anos: “Você aceitaria uma ligação
a cobrar do Robert Plant?”. Menos, Courtney, menos. E só
para terminar em pequeno estilo, uma baladinha do pior naipe: “Never
Gonna Be The Same”. Sintam o drama: “O sol se pôs
ontem / E não vai nascer amanhã”. Até
a pequena Frances faz algo melhor.
Resumindo a ópera, não dá pra
qualificar essa pepita como algo acima de “deprimente”
ou “constrangedor”. Nada mais digno para quem subiu
na vida às custas de um mito, para quem esteve à frente
de umas maiores enganações da música pop (o
Hole), para quem sobrevive na mídia através de escândalos
e ceninhas. Courtney, faça uma coisa mais útil na
sua vida: vá pra casa cuidar da sua filha!
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