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Gringo
é trouxa, mesmo. Carlinhos Brown tinha levado um sonoro pé na bunda
da gravadora depois do fracasso de seu álbum anterior, mas acabou
sendo contratado pela BMG da Espanha e lançou um disco por lá -
aliás, já ouvi falar que a música espanhola é um lixo, mas não posso
afirmar por mim mesmo, por favor confirmem ou desmintam essa informação.
Agora,
agüenta: Carlinhos Brown É Carlito Marrón foi lançado também
no Brasil. Pergunta básica: para quê? Com qual objetivo? Afinal
de contas, o timbaleiro só faz música pra gringo. Ele deveria se
mudar para a Europa então, representando bem nosso exótico país
no exterior. E ficar o mais distante possível da gente...
A desculpa
de Brown para os sucessivos fracassos de vendas dos seus discos
é tão original quanto as letras de suas músicas: "Minha última preocupação
é vender discos. Tanto que Carlito não é uma realização comercial,
nunca foi". Beleza, Brown. O mais interessante é que dizem que o
disco vendeu bem na França... e na Espanha. O omeleteman fez apresentações
na Europa e em Nova Iorque. Parece que o cara descobriu que gringo
gosta de ouvir batucada.
Falando
sobre o disco, Carlinhos Brown (ou o quer que ele queira ser chamado)
realizou-o como um culto a si próprio, ao alterego "Carlito Marrón",
que tenta ser uma síntese da influência caribenha e da herança da
América Espanhola, criticando à recusa brasileira em se considerar
de fato parte da América Latina. Bem, com esse disco, nuestros hermanos
é que terão motivos para sentirem vergonha. De qualquer
maneira, essa coisa não passa de uma imagem tão bizarra quanto enfadonha
(dá uma olhada na capa do álbum...), além disso soar obviamente
pretensioso e irritante.
Em
praticamente todas as músicas ouve-se um portuñol daqueles
de sacoleiro brasileiro em Assunção. A desculpa é brilhante: "minha
escrita não é coloquial dentro de um padrão clássico. É mais tonal,
com resquício de dialetos, um tipo de sânscrito que carrega o português
como base". Quanta cara de pau... O cara pega palavras e põe rimas,
sem esperar nenhuma lógica, mistura trechos em espanhol e voilà.
E acrescenta uma percussão aporrinhando a paciência do ouvinte o
disco inteiro. Gringo gosta...
A faixa
"Aganju", por exemplo, é uma profusão de ruídos, palavras
incompreensíveis e um batuque pra lá de chato. Daí os estrangeiros
acham "exótico", só falta o barulho das araras e o berro das ariranhas.
Claro, não poderia faltar um trocadilho infame, "I wanna Lú"
com... Ana Lú. Rapaz, que gênio. "oh Ana Lú, I wanna you..." É extrapolar
as raias do ridículo. Aí é só misturar na lavagem um toque oriental
com cítaras e batuques.
"Ifá
de Copacabana" talvez seja a pior de todo o álbum, afinal é sua
síntese: completamente sem sentido, nonsense, mistura maluca de
ritmos e sonoridades, resultando completamente indigesta. A letra,
nem se fala: "Banana, bananeira / na Ilha da Madeira / Goiaba, goiabeira
/ na onda da ladeira"... Devia ser tema de abertura do Globo
Rural. A participação de Bebel Gilberto só aumenta a confusão
total.
O romantismo
aparece em "Juras de Samba", com um piano convencional e a participação
da atriz e cantora espanhola Rosario Flores, a toureira do superestimado
filme Fale com Ela. Aqui Brown (Marrón, perdón) está mais
contido - devia estar usando a camisa de força, será? Não por acaso,
a faixa é até passável, excetuando-se a parte em que ele canta,
claro. Depois vem a grandiosa, épica... "Talavera", o início da
faixa parece música de abertura de minissérie da Globo.
"My
Honey" é "Amor I Love You" piorada - acredite, isso é possível.
"Alá A A" tem gemidos inconcebíveis e uma mensagem de paz, fazendo
menção à religião muçulmana - não me diga! E etc... Quer dizer:
este é mais um disco completamente sem sentido, sem propósito e
sem nenhuma serventia desse que é um dos maiores malas da mpb. Tomara
que faça muito sucesso lá fora e repita, aqui dentro,
a vendagem dos outros discos do tribalista timbalista - êpa,
isso dá música, chama o Arnaldo Antunes... "Tribalista,
timbalista / timbaleiro, tribaleiro..." Tá feito o tributo
ao Carlinhos Brown! Eu também sou um gênio da MPB,
que emoção...
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