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Umas
semanas atrás, conversava com minha estimada tia (que só
tem um defeito grave, que é o de ser fã incondicional
do Caetano Veloso) e ela me deu uma sugestão interessante:
por que não trocar o nome da seção Lixeira
para "Privada"? Afinal de contas, ilustraria melhor a
qualidade de 95% dos lançamentos que a indústria fonográfica
nos empurra goela abaixo. E,
após ouvir o segundo torpedo musical cometido solitariamente
pelo eterno Barão Vermelho Frejat, eu me sinto cada vez mais
tentado a concordar com a prezável irmã gêmea
de minha progenitora.
Este
disco é meio que uma continuação do primeiro,
em termos de ruindade, mas é muito mais pretensioso e desagradável.
Se em Amor Pra Recomeçar Frejat parece fazer um disco
bobo (ruim) e mais nada, aqui a coisa piora bastante. O sujeito
quer criar um impacto, aparecer de qualquer jeito. O pedido constrangedor
dele ao Erasmo Carlos ("estava com ciúmes porque ele tinha
feito uma música com o Max de Castro e comigo, nada!", essa
pérola foi dita em uma entrevista ao Tribuna
da Imprensa) já revela que a ausência dos holofotes
deve ter chateado o sujeito. Todos se lembram que o cara sempre
foi mestre em falar bobagens pela imprensa para aparecer - "declarações
de impacto" tipo o Barão toca como os Rolling Stones,
etc. E nada melhor para recomeçar do que uma parceria com
o irmão e amigo do Roberto Carlos. Assim, tem assunto pra
jornalista na hora da entrevista. "Como foi a parceria com
o Erasmo?..." Mas chega de disquisições: vamos
encarar o referido entulho.
Início
de álbum, faixa título, riffs mais pesadões e tal, tudo pra
impressionar o incauto ouvinte. Rocão! Aí chega o Frejat com aquele
vocal terrível, cantando uma letra muito besta. Ou seja: tudo como
dantes. Dá pra sentir que, nas duas primeiras faixas, a guitarra
dá uma maior pegada, vai para um lado mais rock'n roll. "Eu Preciso
Te Tirar do Sério" tem uma levada à Lenny Kravitz. Que beleza. Já
a terceira, "O Que Mais Me Encanta", é mais pop. Uma bela homenagem
à ex-ministra Zélia Cardoso de Melo: "O que mais me encanta em você
/ É a tua capacidade de me enlouquecer / A tua sensualidade ardente
/ teus dentes separados na frente..." Lindo de morrer. Mais legal
é misturar "tua" com "você", aulinha de português pra esse sujeito
cairia bem. Cadê o Professor Pascuale, turma?
"Trapaça
da Dor" tem uma batida meio bolero, com uma guitarrinha metida à
bluseira. É horrível, ainda tem um tecladinho de zona pavoroso no
fundo. Parceria com o Cazuza, viu? Em "Desculpas já não peço mais",
Frejat canta: "o inferno é o meu velho conhecido", mas nem o capeta
agüentou esse cara cantando lá, por isso o expulsou. Esta faixa,
juntamente com "Túnel do tempo", tem um violãozinho besta tipo Nando
Reis (que por sua vez é tipo Legião Urbana vencido) - claro, né?
Pra todo mundo(?) tocar e cantar. A letra: "Cansei de não gostar
mais de mim / daqui pra frente não vai mais ser assim..." Argh.
É de doer. "Serei o meu melhor amigo..." Bom proveito, Frejat. Ame-se,
mesmo. É o melhor que você pode fazer, depois de ter cometido o
acinte que é este disco.
E o
que mais? "50 Receitas" é balada com piano chato pra falar pra todo
mundo que está sofrendo pra cacete por causa de uma dor de cotovelo.
"O Início Depois do Fim" tem guitarrinhas também, olha! "Paz Nunca
Mais", parceria com Erasmo Carlos (triste fim de carreira para o
Tremendão) e última faixa mesmo do disco, tenta uma batida diferente,
com direito a mais um tecladinho de bordel no fundo. A guitarra
também tenta chamar a ateção. No meio disso, eis que Frejat se revela
bem inspirado: "O seu corpo era o pão que a mão de Deus amassou".
O que eu acho mais interessante é que o sujeito não tem a menor
vergonha de cantar uma coisa dessas.
E pra
encerrar mesmo o álbum, "Eu preciso te tirar do sério" aparece de
novo, numa versão remixada. Sim, é horrível. Típica música
pra encher disco, como gosta de dizer meu pai. Uma boa definição
pra essa tosqueira toda: Sobre
Nós 2 e o Resto do Mundo é
um álbum tipo pastel de queijo frio com cerveja Kaiser quente. Tem
gente que consegue achar graça nisso, e quem sou eu pra questionar...
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