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Beagá, 22 de setembro de 2003 d.C.
 

Frejat
Sobre Nós 2 e o Resto do Mundo

Por Cajabis Cannabis
 

Umas semanas atrás, conversava com minha estimada tia (que só tem um defeito grave, que é o de ser fã incondicional do Caetano Veloso) e ela me deu uma sugestão interessante: por que não trocar o nome da seção Lixeira para "Privada"? Afinal de contas, ilustraria melhor a qualidade de 95% dos lançamentos que a indústria fonográfica nos empurra goela abaixo. E, após ouvir o segundo torpedo musical cometido solitariamente pelo eterno Barão Vermelho Frejat, eu me sinto cada vez mais tentado a concordar com a prezável irmã gêmea de minha progenitora.

Este disco é meio que uma continuação do primeiro, em termos de ruindade, mas é muito mais pretensioso e desagradável. Se em Amor Pra Recomeçar Frejat parece fazer um disco bobo (ruim) e mais nada, aqui a coisa piora bastante. O sujeito quer criar um impacto, aparecer de qualquer jeito. O pedido constrangedor dele ao Erasmo Carlos ("estava com ciúmes porque ele tinha feito uma música com o Max de Castro e comigo, nada!", essa pérola foi dita em uma entrevista ao Tribuna da Imprensa) já revela que a ausência dos holofotes deve ter chateado o sujeito. Todos se lembram que o cara sempre foi mestre em falar bobagens pela imprensa para aparecer - "declarações de impacto" tipo o Barão toca como os Rolling Stones, etc. E nada melhor para recomeçar do que uma parceria com o irmão e amigo do Roberto Carlos. Assim, tem assunto pra jornalista na hora da entrevista. "Como foi a parceria com o Erasmo?..." Mas chega de disquisições: vamos encarar o referido entulho.

Início de álbum, faixa título, riffs mais pesadões e tal, tudo pra impressionar o incauto ouvinte. Rocão! Aí chega o Frejat com aquele vocal terrível, cantando uma letra muito besta. Ou seja: tudo como dantes. Dá pra sentir que, nas duas primeiras faixas, a guitarra dá uma maior pegada, vai para um lado mais rock'n roll. "Eu Preciso Te Tirar do Sério" tem uma levada à Lenny Kravitz. Que beleza. Já a terceira, "O Que Mais Me Encanta", é mais pop. Uma bela homenagem à ex-ministra Zélia Cardoso de Melo: "O que mais me encanta em você / É a tua capacidade de me enlouquecer / A tua sensualidade ardente / teus dentes separados na frente..." Lindo de morrer. Mais legal é misturar "tua" com "você", aulinha de português pra esse sujeito cairia bem. Cadê o Professor Pascuale, turma?

"Trapaça da Dor" tem uma batida meio bolero, com uma guitarrinha metida à bluseira. É horrível, ainda tem um tecladinho de zona pavoroso no fundo. Parceria com o Cazuza, viu? Em "Desculpas já não peço mais", Frejat canta: "o inferno é o meu velho conhecido", mas nem o capeta agüentou esse cara cantando lá, por isso o expulsou. Esta faixa, juntamente com "Túnel do tempo", tem um violãozinho besta tipo Nando Reis (que por sua vez é tipo Legião Urbana vencido) - claro, né? Pra todo mundo(?) tocar e cantar. A letra: "Cansei de não gostar mais de mim / daqui pra frente não vai mais ser assim..." Argh. É de doer. "Serei o meu melhor amigo..." Bom proveito, Frejat. Ame-se, mesmo. É o melhor que você pode fazer, depois de ter cometido o acinte que é este disco.

E o que mais? "50 Receitas" é balada com piano chato pra falar pra todo mundo que está sofrendo pra cacete por causa de uma dor de cotovelo. "O Início Depois do Fim" tem guitarrinhas também, olha! "Paz Nunca Mais", parceria com Erasmo Carlos (triste fim de carreira para o Tremendão) e última faixa mesmo do disco, tenta uma batida diferente, com direito a mais um tecladinho de bordel no fundo. A guitarra também tenta chamar a ateção. No meio disso, eis que Frejat se revela bem inspirado: "O seu corpo era o pão que a mão de Deus amassou". O que eu acho mais interessante é que o sujeito não tem a menor vergonha de cantar uma coisa dessas.

E pra encerrar mesmo o álbum, "Eu preciso te tirar do sério" aparece de novo, numa versão remixada. Sim, é horrível. Típica música pra encher disco, como gosta de dizer meu pai. Uma boa definição pra essa tosqueira toda: Sobre Nós 2 e o Resto do Mundo é um álbum tipo pastel de queijo frio com cerveja Kaiser quente. Tem gente que consegue achar graça nisso, e quem sou eu pra questionar...

 

 

 

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