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Você
tem irmã adolescente em crise? Então cara, prepare-se. Reze. Mas
reze mesmo pra que ela não invente de aparecer em casa com um piercing
na sobrancelha, cabelo pintado de roxo, maquiagem pesada, saia do
tipo maria mijona, meias que vão até o joelho ou botas cano longo
pretas... e um disco da Pitty na mochila de ursinho que ela tem.
Caso isso aconteça, já vou lhe avisando: dias de terror vêm por
aí.
Figurinha
carimbada na cena alternativa baiana (vem de uma banda chamada Inkoma),
a roqueira lançou há pouco tempo o seu primeiro álbum solo, o "independente"
Admirável Chip Novo. O mais interessante é que, mesmo sendo
"independente", o trabalho já tem single tocando nas rádios, dois
vídeos e indicações ao VMB 2003. Um fenômeno. Dá uma olhada nessa
notinha do Indiegesto, publicada há
alguns meses aqui no site.
Bem,
vamos aos fatos. Em Admirável Chip Novo a nova revelação
do rock nacional vem com um som pesado, nu metal, hard rock, o diabo,
com letras que tentam provocar impacto. Pitty tem uma voz afinada,
mas que não combina nada com o que se propõe a fazer, parece vozinha
de menininha de desenho animado e fica tudo bastante artificial
(pra não dizer ridículo). O mais chato é sua pose
de "mamãe, sou má". É de lascar...
Ouvindo
a faixa de abertura, "Teto de Vidro", a galerinha provavelmente
vai exclamar: nó véi, que sonzinho irado! Pois é. A artista dá uma
de filósofa, "Vendo de camarote a novela da vida alheia". Só, véi.
Na música título, a referência óbvia é Matrix, e levar Matrix
a sério é constrangedor... Ao mesmo tempo, tenta ser uma crítica
social contundente ao consumismo, ao capitalismo e a qualquer coisa
que termine em ismo. Que saco... Agüentar aborrescente é dose pra
elefante!
Sobre
a faixa "Máscara", não há muito o que dizer, provavelmente você
já ouviu a música. "E o importante é ser você, mesmo que seja, estranho
/ Seja você, mesmo que seja bizarro bizarro bizarro". Bizarra é
a letra dessa música. Quer dizer que o importante é ser você, mesmo
que você seja um perfeito imbecil? Sei não. Ok, só estou tentando
levar a letra a sério, mas tudo bem. Talvez seja um surto de crise
de identidade da autora, que poderia estar berrando esse desabafo
olhando-se no espelho... Bem, deixemos de conjecturas e passemos
adiante.
Em
"Equalize" (a menos ruim do disco) Pitty repete, em termos, o tema
da faixa anterior, ao dizer ao amado (ou à "escolha objetal", como
diria Freud, já que a música não é sobre amor, e sim sobre sexo,
segundo a moçoila): "E eu acho que eu gosto mesmo de você / Bem
do jeito que você é". Mais uma vez, percebe-se uma certa obsessão
com essa coisa da autenticidade. Até acho que a Pitty é autêntica
e sincera. O problema mesmo é que as músicas dela são muito chatas.
Por
falar em chatice, Pitty também é filósofa política. Em "O Lobo",
nossa roqueira sapeca revela que "O Homem é o lobo do homem". Nóóóóóóóóóóóóóóóóóóó!
Que radical!!!!!! Uau!!!! Cara, alguém tinha que dar o prêmio Nobel
da perspicácia para essa figurinha. Sensacional. Thomas Hobbes que
o diga.
E não
é que a banda da Pitty seja ruim. Em "Emboscada" a guitarra até
lembra um pouco o Dave Navarro. Mas também as canções não têm nada
de originais ou realmente de empolgantes. O pior de tudo é mesmo
a adolescência tardia da garotinha. Não é mole aturar essa conversa
fiada. Em "Temporal", por exemplo, a menina-moça ataca de introspectiva,
reflexiva, inquieta. Oh! O que é fermata, hein? Nossa, quanta cultura
musical. Olhando as letras com mais cuidado, tudo é muito repetitivo.
Crise de identidade aqui, busca por "algo mais" ali, reflexões sobre
o tempo acolá...
E por
falar em crise de identidade, essa mesma conversa aparece de novo
em "Só De Passagem". "Eu não sou o meu carro / Eu não sou meu cabelo
/ Esse nome não sou eu / Muito menos esse corpo". É o melô do psicótico.
Fala pra mamãe pagar uma terapia pra ver se resolve isso, mocinha!!!
Mostrando
que foi uma boa aluna e não matou as aulas de inglês, Pitty canta
no refrão de "I Wanna Be" "Eu quero estar bem longe daqui", traduzo
para facilitar a compreensão daqueles que não dominam nosso segundo
idioma. E encerrando o disco, uma mensagem otimista (mesmo porque
o disco está acabando mesmo), bem "carpe diem" (puxa, ela deve ter
visto Sociedade dos Poetas Mortos). É "Semana Que Vem". Ah,
a adolescência, época romântica, em que somos intempestivos, ansiosos
por experimentar coisas novas... "Porque semana que vem pode nem
chegar / Esse pode ser o ultimo dia de nossas vidas / Última chance
de fazer tudo ter valido a pena". Ouviram, crianças? Realmente,
a Pitty é uma garota de personalidade. Entenderam? Per-so-na-li-da-de!
Tudo
bem. Tem a Avril Lavigne, a Britney Spears, a Sandy... São adolescentes
bobocas fazendo e cantando músicas bobocas para adolescentes. Todo
mundo já foi adolescente um dia. Mas a Pitty já tem 25 anos.
Já passou da hora de dar um jeito na vida! Vai herdar o posto do
Renato Russo pregando o evangelho da nova geração? Cacetada! Toma
vergonha, mulher! Dá um jeito na sua vida e pára de apurrinhar
os outros!
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