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Beagá, 11 de agosto de 2003 d.C.
 

Skank
Cosmotron

Por Cajabis Cannabis
 

O Skank nunca foi uma banda maravilhosa, longe disso, mas não é um conjunto desprezível: é sim um grupo pop muito do meia-boca, que logo na estréia conseguiu emplacar um bom disco, promissor. Esse álbum independente deu o que falar, o cd circulava de mão em mão entre os meus colegas de segundo grau, na época. Bons tempos...

Em princípio uma "banda de reggae", o Skank embrenhou pelos caminhos do pop com forte influência do ska e da música mineira e tratou de se afastar da espontaneidade e da "tosqueira" desse primeiro trabalho. Uma pena. A partir do segundo álbum, Calango, a banda sempre contou com uma produção caprichada e, há que se reconhecer, sempre mostrou muita competência também, pois os caras são bons músicos. Nesses dez anos, alternaram boas gravações ("Eu disse a ela", "Resposta", "Pacato Cidadão"...) com verdadeiras aberrações ("É uma partida de futebol", "Garota Nacional"), realizando discos razoáveis. Bons para tocar em festas, mas muito superestimados por causa da mistura de ritmos e, principalmente, em virtude da mediocridade que marcou os anos 90 no cenário musical brasileiro. Em terra de cego...

E eis que está chegando às lojas o sétimo disco de estúdio da banda, Cosmotron. E a gente sente que a fórmula pop do Skank dá sinais evidentes de desgaste (já haviam derrapado em Maquinarama). O que deu errado? Na minha ótica, falta empolgação. É um disco burocrático, antipático, boboca, sem a menor inspiração. As faixas tentam ser inventivas, parece que o Skank quer se "reinventar", mas se revelam na verdade muito limitados, pois misturam várias referências e não apresentam nada de novo dessa vez. As letras são tolas, dispensáveis, nem mesmo são assobiáveis. Tudo bem que o Skank nunca primou pela qualidade de suas letras... Dessa vez, parece que bateu uma preguiça danada na hora de compor, e elas ficaram muito ruins.

O mais irritante de tudo é a chupação em cima dos Beatles. "Supernova", logo no início do álbum, é uma vergonhosa releitura (pra não dizer plágio) de "Tomorrow Never Knows", com uma passagem mudando um pouquinho a harmonia só pra disfarçar (parêntesis: o Samuel Rosa precisava do Fausto Fawcett pra fazer essa porcaria? Não conseguiu fazer sozinho?). "Por um triz" é chupação terrível de "Dear Prudence". Essa foi igualmente lamentável. Em "Dois Rios", do trio Samuel Rosa, Lô Borges e Nando Reis, o Skank chupa... Oasis, descaradamente: violãozinho, teclados, a guitarrinha... imperdoável. Engraçado foi a Marina Peçonha assistindo comigo ao clipe da música na MTV, sem saber de quem se tratava: "Ué, música nova do Oasis?" "Não... Isso aí é o novo do Skank." "Putz... É o plágio do plágio!" Não preciso dizer mais nada...

"As Noites" é a melhor do disco, embora não prime pela originalidade, sim pela competência - dá para prestar atenção na linha de baixo, muito bem executada. Ainda assim, o piano e a guitarra denunciam uma tentativa frustrada de buscar Lennon e Harrison. O resultado final é irregular. "Pegadas na Lua" tem um ótimo violão no início, mas fica nisso. Embora seja mais do que passável, é pop para consumo rápido. De qualquer maneira, se as outras faixas de Cosmotron estivessem no nível dessas duas, este álbum não estaria aqui na lixeira, podem acreditar.

Porque aí então o Skank tenta ser conceitual, cabeça... resumindo, tenta ser uma coisa que não é: uma grande banda. O experimentalismo está presente em "Nômade" (com participação lamentável de Paco Pigalle cantando no mesmo idioma que a Jade da novela O Clone) e em "Sambatron", a faixa que encerra o disco. Um mergulho na cabecice com sotaque mineiro, uai. Além de alguma estranheza, o resultado provoca bocejos, são duas faixas chatíssimas. Parece que, pra impor respeito, é preciso fazer alguma coisa "complexa", difícil de entender. Pior ainda é quando você faz isso na maior má vontade.

"É Tarde" é um desastre. Essa é uma mistura de batida eletrônica com mpb. Parece música do Max de Castro. As dissonâncias têm o efeito de um sonífero. Pra piorar, o vocal é grave demais, Samuel não acerta de jeito nenhum. Horrível, enjoada, disputa com "Nômade" o título de pior do disco. "Amores Imperfeitos" é música pra tocar na novela das sete, não acrescenta absolutamente nada. "Formato Mínimo" é longa, tem uma melodia pobre, efeitos capengas. É uma tentativa de fazer um pop conceitual, seja o que isso queira dizer. Sem dúvida, a história de um flerte entre dois cabeçudos chatos tinha que dar uma música chata.

Este álbum é uma tentativa de fazer um pop meio psicodélico, às vezes com violões e uma pitada de folk, referências dos anos 60 (os Beatles, notadamente), do britpop e do Clube da Esquina (blargh!). Mas é tudo muito limpinho (como de costume), frio, "competente" demais... e essa mistureba toda soa quase sempre previsível: tecladinho no fundo, riffs de guitarra, efeitos nos vocais. O resultado é convencional, sem nenhuma novidade, ao contrário do que se poderia supor pela vaidade de Samuel Rosa e companhia limitada. Não caia no papo furado dos caras e da crítica: Cosmotron é, simplesmente, o pior disco do Skank.

 

 

 

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