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Antes
de começar a ler esta resenha, dá uma olhada no release
feito pelo Edgar, da MTV, para Dançando no Campo Minado,
a nova obra-prima dos Engenheiros do Hawaii. Vai lá, e depois
você volta aqui.
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Sentiu
a barra? Pois é. Não dá mesmo pra mensurar
o que a cara-de-pau, a falta de semancol, de senso de ridículo,
de vergonha na cara mesmo, faz com o ser humano. Esse texto é
idiota demais. Pavoroso. Afinal de contas, o que é mais constrangedor:
tentar buscar um sentido nas letras, elogiar os "riffs distorcidos"
das guitarras ou salientar que Humberto Gessinger "se manteve
'Longe Demais das Capitais' peitando o mainstream do grande eixo…"
Expliquem-me, então, por favor: o que significam tanto o
especial que fizeram pra MTV com a turnê da banda pelos Estados
Unidos (adivinha onde eles tocaram? Dou-lhe uma, dou-lhe duas...
Miami!!!!) e mais o programa Fanático com uma fã
bajulando os caras e tal?... Ah, a MTV não faz parte do mainstream?
Tá bom.
Bom,
antes que a gente descambe para uma discussão besta sobre
o que é o mainstream, voltemos aos Engenheiros e seu novo
rebento (se bem que pensar em Engenheiros do Hawaii leva, necessariamente,
a pensar em alguma besteira). Como todos sabem, Humberto Gessinger
voltou às origens, ou seja, agora toca guitarra na banda
(uau). Dá pra ver que o som da banda mudou, ficou mais pesado.
Deve ser pra chamar a atenção para o esquizofrênico,
já que os fãs bobocas vão exclamar, em êxtase:
"nossa, que músico completo! Ele toca baixo, guitarra
e faz letras!!! Que maravilha!!!"
Pois
é. Não sei se choro ou se morro de rir. Aliás,
a única menção digna de nota a ser feita sobre
esse álbum é o seu "peso". Sim, além
do Gessinger continuar a mesma mala pesadíssima de sempre,
as guitarras chamam a atenção a todo momento. Tipo
aquela menina feiosa que fica no seu pé, mesmo você
tentando se livrar dela de qualquer jeito. Meu Deus, que guitarra
poderosa!!! Parece o Rush... Ainda tem um solinho em "Camuflagem".
Nossa, que impressionante. É uma "pegada" surpreendente
- ruim, mas surpreendente, pra quem está acostumado com o
som bundão clássico da banda. Mas se dez anos atrás
essa "pegada" já soaria besta e banal, o que diria hoje...
Claro,
os Engenheiros são o Humberto Gessinger. E aí ele
resolveu voltar às guitarras... Então, além
de cantar mal (como sempre, muito, mas muito mal mesmo) ele toca
seu instrumento o mais alto possível. O curioso é
que todo o resto fica tudo em segundo plano, some tudo na zoeira.
Pelo menos dá pra disfarçar a bateria horrorosa. A
bandinha daquele seu amigo de 16 faria menos feio.
Bem,
e o que falam as letras das "novas" composições
desse gênio incompreendido da nossa mpb? Pois é, boa
pergunta. Não há novidades, são frases de efeito
jogadas no meio de sentenças sem o menor sentido, com rimas
muitas vezes infames. "um ciclone atravessou as nossas vidas
/ de repente tudo fora do lugar / hoje eu sei, só a mudança é permanente
/ de repente tudo está no seu lugar". Isso daí é
um trecho de "Duas Noites no Deserto". A letra é
um lixo, mas ganha status de poesia, e tal. A mesma coisa que a
gente encontra nos 379 discos anteriores dos Engenheiros. Quer dizer,
do Humberto.
Na
quinta música, eu já havia me rendido - com as mãos na cabeça, exclamei:
"Meu Deus, que bosta, isso aqui é ruim demais!!!!!! Afe!!!" É
a ridícula "Segunda Feira Blues I" - isso, ainda
tem a parte II, o cocô não coube todo num penico só.
Humberto faz um discurso imbecil como se fosse o Messias dos Pampas,
tendo ao fundo um tecladinho verdadeiramente infame. Concorrente
forte à pior música do ano. A mensagem é tão tocante
e tão imprescindível, que na segunda versão da canção
tem uma critica ao neoliberalismo em español... O sotaque do Humberto...
Cara... Que coisa horrível...
Em
"Dom Quixote", fica latente o quanto esse cara é,
definitivamente, ruim mesmo. Rima otário com horário, aquário, páreo,
baralho, empresário, casa do c******... Maravilha. Se você
relevar a letra e o vocal, "Até o Fim" é a música
menos insuportável do álbum - o que não é
pouco. Na tentativa de fazer um pop cabeça, Gessinger escreveu
"Fusão a Frio", poderia ser boa epígrafe para uma
daquelas monografias picaretas do curso de comunicação.
Tem uns efeitos horrorosos no teclado, depois as guitarras aparecem
(influência do LS Jack ou do Charlie Brown Jr.? Boa pergunta)
com uma bateria muito mal-tocada. Muito mesmo. "Outono em Porto
Alegre" encerra o álbum com uma mensagem que eu poderia
muito bem dizer ao seu autor: "sem você eu sou feliz".
E olha
que esse é o primeiro álbum dos Engenheiros que a
gente resenha em três anos de site. Puxa vida. Logo esse,
um álbum "revolucionário". Agora, é
esperar o que a megalomania e o cinismo de Humberto Gessinger vão
nos aprontar depois deste verdadeiro esterco musical. O cara ainda
tem muito futuro pela frente, podem estar certos disso... Sua legião
de séquitos não me deixa mentir!
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